Insegurança e fé
Redação DM
Publicado em 16 de outubro de 2015 às 22:41 | Atualizado há 11 anosExiste uma velha anedota (de gosto duvidoso) que graceja daquela senhora extremamente religiosa mas que receia, quase histericamente, a própria morte – Ora, se a pessoa crê tanto em Deus, porque teme mais ainda iniciar a viagem que poderá encontrá-Lo? Talvez porque tenha medo de uma punição ou porque não acredite realmente em Deus e em Sua bondade.
Esse é um exemplo extremo, pois fala de morte e de coisas posteriores, todavia, há casos mais simples em nosso cotidiano, ações e reações desprovidas de um mínimo de fé no poder daquele Deus em que se acredita ou segue.
São pessoas que perderam seu trabalho e desanimam na busca por outro, as doenças que parecem invencíveis aos nossos olhos e eles se enchem de lágrimas sentidas, aquela responsabilidade que Ele nos deu, mas que parece gigante e superior às nossas forças, às vezes é só a falta de uma vaga nos estacionamentos lotados dessa vida.
Quantas e quantas vezes, tantas e mais tantas pessoas, que em situações normais se consagram fiéis à sua crença, mas que se assustam ao menor sinal de dificuldade, choram e gritam como se estivessem abandonadas eternamente. Entretanto, basta o problema passar e voltam a louvar gloriosamente como se nunca tivessem se desesperado: isto também é falta de fé !
Não há vergonha em sentir medo, não é desonroso pedir colo quando vem aquele arrepio de insegurança, porém, esses sentimentos, embora normais e saudáveis, não podem ser a regra, não devem ditar nosso comportamento e nossa resposta aos problemas, são pequenos espinhos que não conseguem esconder a beleza da rosa – nossa fé.
Em tudo daí graças, essa é a lei !
Se temos fé, se acreditamos no poder onisciente, onipresente e onipotente de Deus, não há espaço para desespero, não há necessidade, pois estamos sob os cuidados absolutos de um Pai amoroso.
Não se trata aqui de afirmar não existir tristeza para quem crê, trata-se de aceitar a tristeza e reduzi-la à sua condição puramente emocional, passageira e abstrata porque se está ancorado em um porto mais que seguro, se está amparado por colunas mais que concretas – as tristezas, preocupações, irritações, medos, são e sempre serão simples distrações momentâneas.
Por isso, você que é mãe e teme pelo futuro de sua cria, você que é pai e julga não ser capaz de alimentar sua prole, você que é gente e se aprisiona com medo do mundo, se vocês têm fé em Deus, abracem essa fé, abracem quem espera o que você prometeu, se entreguem nas mãos do seu Senhor, abram o seu melhor sorriso e creiam, sequer pensem que seus problemas são insolúveis, pois não são, o tempo e Deus te provarão isso – deem graças por seus dias de maior trabalho, eles valorizam os dias de paz !
Ter fé na bonança nada significa, é justamente na provação que a fé deve prevalecer, caso contrário, somos um barco sem águas para navegar, logo, inúteis!
(Olisomar Pires, escritor – olisoblog.com)