João Guimarães de Barros – engenheiro, idealista e construtor de sonhos
Redação DM
Publicado em 29 de junho de 2016 às 02:49 | Atualizado há 10 anosEm nossas atividades empresariais e institucionais lidamos com várias pessoas. Costumo dizer que a maior conquista são as amizades que adquirimos ao longo do tempo e o quanto agregamos com as trocas de experiências.
Nessa caminhada tive a oportunidade de conhecer e conviver com João Guimarães de Barros, falecido no último 19 de junho.
Agradeço ao Diário da Manhã e peço licença aos amigos e demais leitores, ao manifestar o meu reconhecimento e singela homenagem a esse homem que deu uma grande contribuição à engenharia goiana e ao desenvolvimento de Goiás.
Era engenheiro civil, de Minas e Metalurgia, trabalhou na Saneago, onde exerceu vários cargos, e doou grande parte do seu tempo em entidades classistas, dentre elas: Sindicato dos Engenheiros, Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Crea e Clube de Engenharia.
Pelos lugares que passou sempre deixou a sua marca como profissional, estudioso, competente, detalhista, idealista, persistente e leal.
Era um amante da leitura e, acima de tudo, um homem de bem, ético, um dos mais íntegros que já conheci, dedicado ao trabalho, à família e aos amigos.
Entra para o quadro dos baluartes da engenharia goiana, pois era referência em sua área de atuação, dignificou a profissão que amava e representava, defendia a união, o fortalecimento e valorização dos engenheiros para o desenvolvimento do Brasil.
Um de seus grandes sonhos foi a construção da Barragem do João Leite. Ele foi um grande timoneiro e se dedicou em plenitude. Participou ativamente da concepção do projeto, dos estudos técnicos, das tratativas com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para viabilização dos recursos, primou por cada detalhe, coordenou as atividades do projeto e teve a felicidade de ver essa importante obra concluída, uma das maiores empreendidas no Estado.
Quem conviveu com ele sabe do seu sentimento de realização com o empreendimento. Hoje temos os frutos dessa semente que ele ajudou a semear e colher, possibilitando o abastecimento de água para a população de Goiânia, Senador Canedo, Aparecida de Goiânia e Trindade.
Foram 79 anos de vida ilibada, de postura elevada e exemplar, marcada por desafios, superações, conquistas e perdas.
Filho da cidade de Goiás, adorava suas tradições e lá foi enterrado. Era casado com Regina e juntos consolidaram uma família bonita, com três filhos e dois netos.
Viveu com responsabilidade, sendo aguerrido, sensato, ponderado e justo.
Diante do cenário adverso no Brasil, com manchetes que prejudicam as imagens institucionais, éticas e políticas, são nesses momentos que precisamos reconhecer e perceber que há modelos que podem ser seguidos e marcos que podem ser fincados, tendo a concepção de vale a pena fazer algo a mais em prol da sociedade, em detrimento dos interesses individuais.
Essa cultura precisa ser disseminada, com a divulgação de boas práticas, por isso enfatizo como justa e digna a gratidão e a homenagem ao trabalho, ao idealismo e à postura de pessoas de bem, como a de João Guimarães de Barros.
Tenho a certeza de que, junto com os companheiros da engenharia goiana e pessoas que conviveram com ele, sentimos o pesar pelo seu falecimento, mas tenho a convicção de que será sempre lembrado por nós e que é merecedor desse reconhecimento, por tudo que fez e pelo quanto nos inspirou com o seu modo de vida.
(Paulo Afonso Ferreira, vice-presidente da CNI, presidente do Conselho de Assuntos Legislativos (CAL) e diretor geral do Instituto Euvaldo Lodi (IEL))