Brasil

Laudo EEG escandaloso

Redação DM

Publicado em 30 de novembro de 2015 às 23:45 | Atualizado há 11 anos

A foto em anexo  mostra um “laudo escandaloso”, de eletroencefaograma (EEG), tido pelo médico laudador  como “normal”, mesmo com o paciente em  questão sendo clinicamente epiléptico, com EEG francamente epiléptico (vide anexo, as “pontas” são atividade epiléptica no exame, qualquer criança pode ver isto). Por causa deste laudo errado, este paciente vem sendo tratado erradamente há anos como esquizofrênico, já com sequelas cerebrais devidas à medicações equivocadas para esquizofrenia. Isso era coisa impensável há pouco tempo atrás. É o que temos dito por aqui, mas aparentemente com pouca repercussão fora daqui: Medicina como ciência e prática confiável já não existe mais neste país, graças às políticas governamentais. É “tipo assim” : “O cara forma em Medicina, clínico geral, ou outro especialista qualquer longe da especialidade médica da neurofisiologia clínica, às vezes nem ao menos neurologista, ou nem um reles psiquiatra com formação EEG, literalmente, “não entende nada do riscado”. Começa a dar laudos de EEG porque “é coisa fácil”, “ninguém reclama mesmo”, “isso não mata”, “ninguém olha”, “ninguém vai nem saber”, “ninguém vai corrigir”, “ninguém vai voltar para reclamar”, “ninguém morre disto”, “o pessoal tá corrido, só olha o laudo mesmo, não olha o exame em si”. Enquanto isto, por causa do “dindim”, centenas de pessoas sequeladas ou mesmo mortas, alguns “diagnosticados como epiléptico-gardenal” sem o ser (“usar gardenal para o resto da vida sem necessidade”), outros, como este caso acima, tratados como esquizofrênicos sendo que são epilépticos…. Erros médicos, “fora de onde morre gente” (que é no hospital, no pronto-socorro, na UTI) dificilmente são descobertos, nem por outros médicos (cujo paradigma é a “pressa do SUS”) e muito menos pelos leigos, que evidentemente não irão compreender essas cooisas… Ou, se são descobertos, todos sabem que, “no Brasil, tirando o ‘Sérgio Moro’, nada dá em nada mesmo”… Enquanto isto a picaretagem médica grassa no país, o país onde o Governo, ao abolir a lei que regulamenta a medicina para “salvar o SUS” (assim diz ele), permite que não-médicos pratiquem a medicina (cubanos, enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos, biomédicos, etc), diagnosticando, prescrevendo, atestando, examinando, etc (se nem os médicos estão fazendo isso direito, imagine o resto). País onde faculdades de Medicina de cuspe-e-giz, faculdades de papel, sem hospitais, sem professores médicos, mesmo sem um mísero consultório, brotam como cogumelos.  O país onde o Governo quer formar especialistas em Medicina com aulas teóricas uma vez por mês (recente “lei” do Governo para “formação de especialistas”. Enfim, o país onde o Governo destrói a Medicina com tudo isso aí acima para dizer, populisticamente, que os  “pobres podem ser atendidos por médicos ou pseudomédicos de menor qualidade”. Resultado: enxurrada de médicos subempregados no mercado, fazendo m…, “atendendo enormes volumes”, “mal-atentido”, “sem-preparo”, sequelando e matando gente, tudo para ganhar o “vil metal”: é a proletarização da medicina, que só irá piorar, inclusive a níveis assustadores, iremos ver. As entidades de fiscalização, face à tal enxurrada de problemas, face a este “mar de lama”, nem sabe o que fazer, não tem meios de fazê-lo. Entidades tontas e obnubiladas pois os “marcos regulatórios” de ética e bom-profissionalismo foram todos embaçados por um Governo sem moral, sem credibilidade, um Governo de vale-tudo, um vale-tudo que, quando invade a Medicina, é sinal de morte. O problema é que a morte passa longe dos gabinetes refrigerados de Brasília e de seus leitos cativos no excelente Hospital Sírio-Libanês, e outros “Hospitais do Poder”… Quando o Governo Federal começou com esta destruição dos marcos regulatórios médicos, ao mandar para o lixo a lei que regulamentava o exercício da medicina, todos avisavam que o caos instalado, nesta área, a área médica, seria grave, com muitas sequelas e mortes. Pois bem, estamos em sua plena vigência. De agora em diante, “erros médicos”, assim como “erros médicos cometidos por não-médicos”, só poderão ser destrinchados na Justiça mesmo, isto quando forem descobertos, isto quando a família tiver dinheiro e gana para pagar as custas. Só com denúncias, depois que as m… tiverem acontecido, é que poder-se-á correr atrás do prejuízo. Os mecanismos preventivos contra a má-prática médica, contra o exercício ilegal da medicina, foram e estão sendo renitentemente destruídos por este Governo. Paradoxalmente, diz que está “destruindo a Medicina para salvar o SUS”….

 

(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra)

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