Brasil

Mais um policial assassinado em Goiás

Redação DM

Publicado em 10 de fevereiro de 2016 às 22:17 | Atualizado há 10 anos

Em menos de uma semana, três policiais foram assassinados por assaltantes em Goiás: o subtenente PM Sérgio, em Anápolis; o investigador PC Oscar, em Goiânia; e o cabo PM Moreira, em Uruana. A impunidade e a liberdade que esses marginais gozam no Brasil, têm contribuído muito para o aumento da criminalidade. O modelo de segurança pública adotado, caducou; o sistema penitenciário, está falido; as políticas públicas para o setor, não existem; e as condições de trabalho para os profissionais da segurança pública, são as piores possíveis. As consequências disso, não poderiam ser outras, é isso aí que todo mundo ver, os bandidos impondo o toque de recolher à família brasileira. É isso mesmo que vocês ouviram, as pessoas estão confinadas em suas casas, enquanto que os criminosos se esbaldam livres pelos quatro cantos do Estado.

A verdade precisa ser dita, mesmo que não agrade, a sociedade já perdeu o direito de ir e vir, assegurado pela Constituição Federal do Brasil. Por outro lado, é quase que impossível as polícias, civil e militar, com os efetivos que têm, atenderem a metade da demanda reprimida existente no Estado. Os resultados não poderiam ser outros, são menos de 10% dos crimes esclarecidos pelos policiais civis e muitos espaços sem a cobertura ostensiva da presença do policial militar. Nessa situação, diante de qualquer ocorrência, o cidadão não adianta pedir reforço às polícias, a resposta será sempre a mesma, vamos reforçar. Todavia, reforçar como, se não tem efetivo? Qualquer resposta afirmativa das corporações, não passa de uma gentileza para com os solicitantes e de uma frustração para os policiais que não podem atender. Na segurança pública não têm como enganar ou fazer de conta, o trabalho é visível, todo mundo ver e fiscaliza. Qualquer tentativa de enganar a população, com dados estatísticos não confiáveis, além de não surtir os efeitos desejados, ainda desmoraliza qualquer governo.

Os assassinatos de policiais, por quadrilhas de assaltantes, como vem acontecendo nos últimos tempos, podem desencadear, a curto prazo, uma série de consequências negativas à sociedade. Os policiais, tanto podem reagir, com a mesma agressividade recebida, quanto alegarem insegurança no trabalho, e se afastarem dos problemas mais graves. Neste último caso, é muito difícil acontecer em Goiás, o policial goiano é bem preparado e muito consciente da profissão que abraçou. Mas, como tudo na vida muda, o policial também pode mudar, razão de sobra eles têm. Por outro lado, o povo goiano precisa prestigiar mais as suas polícias e exigir que o governo lhes deem as condições necessárias para trabalharem. A vida e o patrimônio do cidadão, não têm preço. Já o policial, com o risco da própria vida, trabalha dia e noite na defesa do cidadão e do patrimônio, público e privado.

Enquanto escrevia esta mensagem, com tristeza, recebi a notícia de mais um policial militar assassinado, o cabo Moreira, da cidade de Uruana, Goiás. Aí eu pergunto, como podemos viver numa sociedade assim, onde nem os policiais têm segurança para trabalhar? Antes de mais nada, estou certo de que a sociedade tem que exigir atitude firme do seu governante, tem que desarmar e recolher os bandidos às prisões, têm que construir penitenciárias suficiente para abrigar todos os condenados pela justiça e que pare de alegar falta de recursos para atender a área da segurança pública. Não sou e nunca fui pessimista, mas estou preocupadíssimo com o rumo que a segurança pública vem tomando. Se observarmos bem, estamos vivendo um quadro de violência nunca visto no Brasil, equivalente ao de uma guerra civil, são mais de sessenta mil brasileiros assassinados por ano.

 

(Gercy Joaquim Camêlo, governador do Rotary International, Distrito 4530, Gestão 2012/2013)

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