Maldade ou estupidez?
Redação DM
Publicado em 12 de abril de 2016 às 03:02 | Atualizado há 10 anos
Todos conhecemos pessoas más, até porque todos temos um pingo de maldade percorrendo nossas veias, aguardando o melhor momento para fugir, mas existem aquelas pessoas que teimam em ser realmente desprezíveis, uma torneira aberta de insanidades.
O que difere as pessoas realmente negativas das outras consideradas normais ou mais sensatas?
Um dia, passeando por um parque da cidade, observei que um jovem, entre 25 a 30 anos, não mais que isso, maltratava verbalmente uma senhora, acusando-a de preguiça, indolência e outros adjetivos da mesma espécie, não tão suaves e platônicos.
A senhora ouvia a brutalidade cabisbaixa, envergonhada, notei que os trajes de ambos não diferiam muito em qualidade, nem suas feições destoavam tanto, o jovem estava sentado, ela, de pé, ouvindo somente, os olhos afogados – as pessoas mais próximas estavam caladas, constrangidas.
Das mãos daquela senhora, entrando nos 60 anos, pendia um papel branco ao estilo de um bilhete – depois do ocorrido, soube que ela entregara o escrito ao jovem e este iniciara o destrato, era um pedido de ajuda ao filho doente.
Não é possível saber se a coisa era verdadeira, isso nem vem ao caso, se há dúvidas, não ajude, se desconfia então converse, ofereça outro modo de auxílio, mas humilhar o outro por suposição é uma declaração de mau caratismo inato. – Não eram mãe e filho, embora parecessem muito, mas poderiam ser, por que não pensar nisso antes? Afinal, somos todos parentes, de certo modo.
Esse é um exemplo simples, há vários semelhantes: nas ruas, nos comércios, em casa, nas escolas – inclusive muitas ações tidas e havidas como racismo não passam de falta de educação ou de inteligência.
Geralmente, esses comportamentos reprováveis denotam o nível de evolução de alguém – evolução humana, não tem correlato com instrução ou talão de cheques, visto que essa maldade gratuita granjeia fregueses entre pobres e ricos, doutores e analfabetos.
É possível se tornar uma pessoa melhor, mais paciente, sem pré-julgamentos, sem pré-conceitos, não é tarefa fácil, mas é possível – se entregar ao mau instinto é que não se pode permitir a vida toda, isso sim seria de uma parvoíce imensa.
Há seres humanos nascidos melhores que outros nesse aspecto, é inegável, por mais que o ocidente tenha se rendido à armadilha semântica de que todos somos iguais, nós não somos iguais sob vários ângulos, apesar da similitude genética da raça – há pessoas mais inteligentes, há dons físicos diferenciados, talentos desiguais, são 7 bilhões de diferenças até o momento e contando – não aceitar isso como plano de Deus é dar mão ao diabo em sua estratégia de desunião.
Nossa busca deveria ser e será na persecução do desenvolvimento individual, se não somos pacientes, aprendamos a paciência – se não somos bondosos, aprendamos a bondade – se não somos amados, aprendamos a amar desinteressadamente.
A maldade é a escolha estúpida da questão, ser mau é ser estúpido, não existe glamour nisso, apenas decepção, se não somos ainda tudo que podemos ser, sejamos ao menos, alunos esforçados nessa escola, já valerá muitos pontos no futuro.
(Olisomar Pires – olisoblog.com)