Brasil

Manhãs de luz, tempo de colheitas

Redação DM

Publicado em 14 de março de 2016 às 23:30 | Atualizado há 10 anos

Março veio em uma belíssima manhã de muito sol, luz e à medida que o dia ia avançando, muito calor. O mês de narço trouxe a certeza que os ciclos da vida estão em sua plenitude. Março vem com a expectativa que o verão confirme as sementes que a primavera ofereceu ao mundo, à humanidade e assim, a vida e suas sequencias naturalmente aconteçam.
O calor intenso que ocorre nesses primeiros meses do ano é também prenuncio de chuva, mas significa também fertilidade, que resultará em tulha cheia, fartura e a certeza que a vida continua em sintonia com aquilo que necessitamos. E que apesar de tudo o que sofre a mãe natureza, ela, com sua generosidade, faz com que a vida continue a se renovar.
As águas de março fecham o verão, que talvez receba ainda águas em abril. Por todo lado, as flores típicas da época, quaresmeiras e ipês, embelezam a cidade e os campos, em uma quase primavera. Flores que com tantas cores diversas trazem alegria, harmonia e quietude.
Em uma dessas tardes quentes e de nuvens pesadas ao longe, ao chegar em casa me deparo com uma enorme quantidade de roupinhas de bebê estendidas na varanda, para secar. Não teve como não ficar emocionado e feliz.
Fiquei por alguns instantes observando as várias estampas e desenhos daquelas pequenas peças de roupas e tomado pela emoção, embora contido, demoradamente deixei com que as imagens adentrassem meu coração e enlevado, fiquei sorrindo de alegria.
Lavar, secar e passar essas roupinhas é um dos últimos atos antes da chegada de um anjo, que vem para dar alegria à nossas vidas. O anjo Gabriel vem por aí. Não sei se em março ou nos primeiros dias de abril.
Gabriel virá como uma manhã de verão, irradiando luz e ternura e como a chuva e as flores, trará alegria, felicidade, harmonia.
Por alguns dias, as roupinhas que esperam Gabriel estiveram presentes em minha casa. Inicialmente, foram retiradas as etiquetas e as embalagens. Depois foram para a máquina de lavar – algumas foram cuidadosamente lavadas à mão. Depois de limpas, estendidas no varal e finalmente secas, foram passadas com cuidado e carinho, uma a uma.
Até que um dia desses, foram levadas e entregues, para que seus pais pudessem arrumar o pequeno guarda-roupa, onde já havia sapatinhos e alguns brinquedos. A beleza da imagem cheia de pureza e harmonia do pequeno quarto que o aguarda, estará para sempre em mim, dentro do coração.
Começo a contar dias, até horas, ansioso para que chegue logo o momento em que Gabriel haverá de vir. Como as sementes que foram lançadas na primavera, agora será tempo de colheita. Colheita de amor, de muito amor. Amor por Gabriel.

(Paulo Rolim, jornalista e produtor cênico. Twitter: @americorolim)

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