Brasil

Marconi Perillo dando a volta por cima

Redação DM

Publicado em 15 de março de 2017 às 02:23 | Atualizado há 9 anos

Anos atrás li uma nota do governador de Goiás Marconi Perillo elogiando o resultado final da comissão que rejeitou o parecer do relator petista e que o livrou do indiciamento. À época lembro-me bem que o governador dizia receber com tranqüilidade o resultado da CPI, onde prestara depoimento por mais de oito horas e, naquela oportunidade esclarecera sobre todas as questões relativas a ele próprio e a seu governo. É de bom alvitre lembrar também que ao final do extenuante processo o governador Marconi teve investigada toda a sua vida pessoal e consequentemente, em relação aos três mandatos de governador, onde os membros da CPI não conseguiram apontar um único fato que pudesse incriminá-lo, assim como, em relação a seu governo. A maioria dos comentaristas políticos à época dizia que a CPI criada em desfavor de Marconi nada mais era que um instrumento de vingança de uma ala do PT. Pois bem, voltemos então aos dias de hoje, pois muita água já passou debaixo da ponte desaguando em PIB do outro lado, trazendo progresso ao Estado. Veja bem o que a imprensa publicou, e não sou eu que estou dizendo, pois não entendo nada de economia: “O PIB de Goiás cresceu quase quatro vezes acima do nacional”. Li o artigo que não foi escrito por nenhum leigo em economia. No entanto chamou-me atenção o cuidado dos autores ao empregar verbos e tempos verbais não conclusivos. Ou seja, pareciam querer fazer uma análise de texto mais rigorosa, mas em algumas passagens importantes do texto foi possível perceber o que os autores tinham às mãos ou no cérebro, sei lá, talvez uma “embreagem” que permitisse seguir adiante com a análise sem tropeços. Era um recurso do uso da palavra “ser” ao invés “estar” e da palavra “parecem”, todas funcionando como se fossem realmente uma embreagem do pensamento.

Seria interessante examinar se aquela atenuação clara e definida relativa à tese da industrialização acentuada no Estado de Goiás, pois o texto “parecia” inconcluso, em contradição com a suprema assertividade dos gráficos apontados pelos professores de economia. Para mim, leigo que sou não ficou claro no texto a distinção entre o que são evidência e o que é fato. Ora, se os economistas expõem suas ideias e pensamentos sobre as potencialidades de Goiás eu acredito que são a representação fiel daquilo que induzem, e por sua vez, que a ciência como conhecimento só pode ser derivada a partir dos dados concretos. Por que então os renomados economistas não são conclusivos e preferem certas frases sem nexo para escapulir da veracidade dos fatos? Se a marcha da industrialização é crescente na Administração atual, conforme alguns professores de economia afirmam através de seus detalhados estudos, então por que não serem conclusivos e afirmarem mais uma vez e categoricamente que o Estado cresce e se destaca entre os demais de forma equilibrada?

Vamos supor que a industrialização seja um fato real e não uma evidência, então será que a participação de Goiás no PIB nacional de 2,9% e sua manutenção em nono lugar

no ranking nacional não são suficientes para darmos créditos à atuação do governador Marconi Perillo, ou no mínimo, corroborar nessa marcha para o centro oeste? Hoje Goiás perde somente para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. E quanto ao PIB per capita o Estado de Goiás deu mais um passo à frente e hoje já ocupa o 10º lugar no ranking dos Estados. Todavia, não se deve parar, pois Goiás precisa conquistar outros países, avançar mais e de consequência, mais crescimento e empregos. Alguns Estados acima nominados perderam o espaço porque foram ineficientes, contraíram dívidas, houve malversação do dinheiro publico na implantação de infraestruturas de transportes e estádios, de energia, na distribuição das cargas tributárias, no saneamento básico, na saúde, na educação, etc., e hoje estão com salários dos servidores e prestadores de serviços em atraso. Então temos de convir que o Estado de Goiás soube enfrentar seus problemas, sobrepujando outros, é não foi fácil e, claro, sabemos que o governador mesmo passando durante certo tempo por um “terremoto” de infundadas denúncias teve paciência e pode aplicar novos conceitos de como administrar o Estado, mesmo sabendo que suas propostas poderiam prejudicar algumas pessoas. Foram decisões duras, mas necessárias em função das contas públicas e quiçá, da própria sobrevivência financeira do Estado. Vivemos em uma terra onde, mais do que em outro lugar qualquer, impera desconfiança, todavia, trabalhar em busca do azul é mais que uma prova de boa administração, da qual devemos confiar para almejar um futuro mais seguro e promissor.

Em virtude dos últimos acontecimentos do qual Marconi Perillo foi vítima, ele jamais deixará se disfarçar nas cores das paredes palacianas, como fazem os camaleões, os urutaus que se disfarçam em seus habitats. Para o seu foro íntimo sabemos que foi doído, como foi doído para mim, para sua família e para ás pessoas que o admirava e que nunca deixaram de acreditar na sua inocência, mas tudo tem seu preço e troco, então, é o momento dele contabilizar o prejuízo moral, pessoal e político sofrido, levando em seu alforje, a ética, a capacidade de grande administrador e recuperar seu prestígio, evitando a qualquer custo se aproximar de gente corrupta que assombram a justiça brasileira. Em fazendo assim, aqueles que o reelegeu baterá palmas sem receio de críticas por parte dos adversários e de não simpatizantes, pois eles hão de se convir que a única coisa que pode interferir nas derrotas de um homem probo, no seu amadurecimento, no seu discernimento e no seu eterno aprendizado é a educação.

Hoje ao escrever estas pequenas linhas procurei tirar deduções, e sobre fragílima base de meu processo mental, edificar um Estado que sempre sonhei ver. Ao acompanhar a administração do governador Marconi e vê-la sendo noticiada positivamente a nível nacional e a quem tive o prazer de ajudar durante décadas, posso finalizar dizendo que da tão grande prova de energia que gastamos durante esse lapso de tempo, descanso e durmo com a consciência tranqüila, convencido de que minhas palavras e ações durante não foram em vão, de certo modo, não venham me despertar dos sonhos motivados pela insensibilidade das reclamações de pessoas vitimadas pelas crises que às vezes nós mesmos criamos. Dizem por aí que a arte imita a vida, mas antes disso, dá um grau, maquila e limpa, turbina e aplica mechas. Elogiar alguém que sobrepõe a tudo isso é uma forma de motivá-lo. Portanto amantes da política ou não, usem e abuse do elogio, essa verve da pessoa humana que anda em falta; chefes elogiem seus funcionários, reconhecendo seus empenhos e desempenhos; pais estimulem seus filhos destacando seus méritos e conquistas; amigos reconheçam-se agradecendo por se merecerem. A vida é para ser compartilhada, celebrada e elogiada, não necessariamente nessa ordem. Elogie, pois, sem pudores, sem regras: os trajes das pessoas amigas, o sorriso, suas atitudes, a iniciativa, a ética do colega de trabalho, o voto consciente… Se alguém estiver errado, seja chefe ou não, cobre dele atitude. Eu cobro, doa em quem doer.

 

(Vanderlan Domingos de Souza, advogado, escritor, missionário e ambientalista, membro da União Brasileira dos Escritores, membro da Academia Morrinhense de Letras, membro da Alcai – Academia de Letras, Ciência e Artes de Inhumas, membro da Conbla – Confederação Brasileira de Letras de Artes de São Paulo, conselheiro da Comissão Goiana de Folclore. Foi agraciado com Título Honorífico de Cidadão Goianiense. Escreve todas as quartas-feiras para o Diário da Manhã. Email: [email protected] Blog: vanderlandomingos. blogspot.com Site:)

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