Brasil

Medellín: do perigo à inovação

Redação DM

Publicado em 1 de junho de 2016 às 03:35 | Atualizado há 10 anos

Em meados dos anos 80, Medellín, capital do departamento colombiano de Antioquia, era considerada a cidade mais perigosa do mundo devido, principalmente, às ações dos narcotraficantes do Cartel de Medellín, comandado pelo infame Pablo Escobar. À época, a taxa de homicídio para cada 100 mil habitantes era de 381.

A morte de Escobar, em dezembro de 1993, foi um marco. A partir daí, as coisas começaram a mudar. Medellín passou, pouco a pouco, a ser uma referência no que tange ao urbanismo e ao combate à violência.

Uma safra de bons prefeitos tomou conta da cidade. Dava-se continuidade ao trabalho do antecessor. Uma das principais iniciativas é o que se chama por lá de arquitetura democrática: levar projetos sociais e pedagógicos às áreas mais carentes. Um exemplo claro é a Biblioteca España, localizada na favela de Santo Domingo, justamente o reduto do cartel de Escobar.

Segundo Jeremy McDermott, especialista em violência na América Latina, “é muito mais fácil mandar dois mil policiais a uma favela e, assim, conseguir uma diminuição imediata do crime do que investir muito dinheiro em espações públicos, nos projetos sociais e na prevenção, garantindo que as crianças de hoje não sejam envolvidas pelos problemas do passado”.

Medellín optou pelo caminho mais difícil. Contudo, o mais eficaz a longo prazo: a educação. E não para por aí. Projetos de mobilidade urbana, como teleféricos e escadas rolantes, ligam o topo das favelas, já pacificadas, com o restante da cidade e, consequentemente, o trabalhador com o seu local de trabalho mais facilmente. Modelo adotado por diversas outras cidades sul-americanas. Os teleféricos são, aliás, conectados diretamente com a linha de metrô, a única de toda a Colômbia.

Em 2014, a taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes era de 27. Ainda considerada alta para padrões globais, mas a mais baixa dos últimos 40 anos. Caracas, a cidade que detém o posto de mais perigosa do mundo na atualidade, possui uma taxa de quase 120 mortes para cada 100 mil habitantes. Menos da metade dos 381 da Medellín dos anos 80.

A Medellín de 2015 foi a cidade que mais recebeu visitantes em todo o país, estejam eles a trabalho ou a turismo, desbancando a capital Bogotá e destinos turísticos clássicos como Cartagena e a ilha caribenha de San Andres.

Pablo Escobar, que antes fomentava o narcotráfico, agora fomenta, supreendentemente, o turismo. É possível fazer um tour pelas casas onde ele nasceu, cresceu e morreu, além de uma visita ao seu túmulo. Pode-se, inclusive, jogar Paintball em uma de suas residências. E a Hacienda Nápoles, outra propriedade de Escobar, abriga hoje um parque temático.

Recentemente, a cidade recebeu o título de mais inovadora do planeta pelo Wall Street Journal, além do Prêmio Cidade Mundial Lee Kuan Yew, tido como o Nobel do urbanismo. O espírito empreendedor envolveu a população, tornando-a sede do Congresso Global de Empreendedorismo de 2016.

Em tão pouco tempo, Medellín, que possui uma realidade muito mais próxima do Brasil do que cidades europeias, já colheu frutos de seus investimentos e tem tudo para seguir evoluindo. É, sem dúvidas, um exemplo a ser seguido.

 

(Marcelo Mariano, estudante de Relações Internacionais da PUC Goiás – marianomarcelo.net)


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