Nem todos, no mundo, são ladrões
Redação DM
Publicado em 16 de outubro de 2015 às 23:31 | Atualizado há 11 anosNum passado para lá de distante quando a hombridade, o caráter e um sem fim de princípios que o ser humano carregava dentro de sí, a palavra de um tinha igual o até maior valor do que qualquer documento assinado, avalizado ou com um sem fim de fiadores endossando o compromisso financeiro por alguém assumido, pois o principal documento era então a responsabilidade do devedor, tanto que muita das vezes se dava e se aceitava como garantia tão somente a palavra e um fio do bigode do devedor, pois certeza se tinha que o compromisso seria honrado na data aprazada, quiçá, até antes.
Hoje, sem precedentes na nossa história há uma crise moral, de falta de vergonha, de roubalheiras e toda a sorte e artimanhas para lesar alguém ou à sociedade como um todo, que tem envergonhado até mesmo a quem sempre salda em dia, as suas dívidas, pois se tornou agora uma rotina (melhor excluir desse assunto as ratazanas que exercem mandatos eletivos e seus apaniguados e parentes, como um que de limpador de fezes de elefante no Zoo de São Paulo hoje é uma das maiores fortunas do País), pois aí nem sequer sobraria espaço para comentar sobre os demais), assim por onde quer que se olhe seja para que lado for, existe um foco de ladroagem, de desvio de dinheiro, de algum tipo de falcatrua engendrados por corruptos e vagabundos que preferem, ao invés de laborar com honestidade, buscar ganhar dinheiro fácil com enganação, burla, desvios e toda a sorte de falcatruas.
O futebol, outrora conhecido como o ópio do povo, pois inebriava, despertava paixões, ardores e fidelidade muitas vezes exercidos ao extremo, hoje tem se revelado um antro de artimanhas, de negociatas que o contaminou em todos os seus escalões, e vem afugentando dos estádios as pessoas de bem, pois a violência tem ditado os rumos, muitas vezes levadas (mas não justificadas) pelo inconformismo e impotência dos torcedores ante esse estado de coisas, tanto que vai desde um partida amadora de várzea que pode ter o seu resultado arranjado, até o seu mais alto escalão mundial, a Fifa, que está hoje com quase todo o seu mais alto quadro de dirigentes vendo o sol nascer quadrado, tamanha a corrupção que nela se acha arraigada.
Isso, sem falar que alguns dos maiores craques mundiais também estão na iminência de serem processados e ganhar uma hospedagem em algum presidio, como o caso do argentino Lionel Messi e o do brasileiro Neymar, enroscados em crimes de sonegação fiscal que poderá levá-los também para detrás das grades dentro em breve, conforme outros craques brasileiros também já correram esse risco no estrangeiro. É inconcebível, para a maioria dos mortais, buscar entender como pessoas que ganham centenas de milhões de dólares ainda buscam, de todas as formas e fórmulas, burlar as leis para não honrar os seus compromissos, numa ambição desmedida, sem limites.
Infelizmente é muito triste a gente ver o quanto de roubalheira que grassa por todos os lados: são síndicos desviando a contribuição dos condôminos; são funcionários de guichês de rodoviárias e de terminais não devolvendo pequenos trocos, mas que, de pouco em pouco, no decorrer do dia, soma uma razoável quantia, roubada a pretexto de não se ter moedas; são postos de combustíveis que fraudam na litragem, levando muitos a ter, inclusive, que alardear que nos seus estabelecimentos um litro é de mil miligramas (absurdo se chegar a esse ponto), enfim, é roubo por todos os lados, nos obrigando a que estejamos vigilantes a cada passo, pois à espreita sempre existe um vagabundo querendo nos “passar a perna”, vez que a cada dia mais os valores pessoais estão cabendo a um pequeno universo, já que a grande maioria não perde sequer uma oportunidade de querer tirar vantagem, mesmo que ilícita ou imoral, ante qualquer situação que a isso lhes permita.
A situação de desonestidade é tão crítica que quando uma pessoa de bem (elas ainda existem) devolve valores perdidos os esquecidos por alguém, isso chega a provocar um grande alarido, a imprensa dando ampla divulgação como se o feito fosse para lá de glorioso, quando na verdade deveria ser uma situação corriqueira e de responsabilidade de todos, e que não deveria ser isso nem um motivo de espanto mas que ante a situação atual não deixa de ser, pois pessoas assim hoje pode se contar nos dedos das mãos, por tão poucos que o são, nos dando um pequeno alento, afinal isso prova que nem todos, no mundo, são ladrões e que alguns de nós, embora poucos, não somos!
(José Domingos, jornalista, auditor fiscal, professor universitário, escritor e poeta)