Ninguém acredita nem confia nele
Redação DM
Publicado em 5 de março de 2018 às 22:13 | Atualizado há 8 anos
“Mais nem um passo, canalha!
Mais nem um passo, ladrão!
Se os outros roubam as bolsas,
Vós roubais o coração!”
Castro Alves
Agora mesmo, a imprensa livre, do Brasil livre, descabelou-se toda porque o presidente Nicolas Maduro, adiou para o mês de maio as eleições presidenciais na Venezuela.
Antes, essa mesma imprensa contorcera-se até ao histerismo, porque Maduro anunciara antecipação das eleições de novembro para março.
Imprensa mais abusada assim é impossível.
Se a direita arreganhada e sem honra quer impedir a reeleição de Maduro, que se troquem os eleitores da Venezuela por outros. Que tal trocá-los pelos eleitores de Bolsonaro?
E nesse negócio, não deixem de levar de contra peso os gatos pingados de Caiado em Goiás. A democracia agradece.
Se o Brasil abrir as porteiras para a saída dos pobres e miseráveis, o mundo conhecerá o maior êxodo de retirantes da história humana. Se não está acontecendo isto, é porque somos cercados por países ainda mais pobres do que nós.
A ganância dos muito ricos(que são poucos) e a miséria e desgraça dos pobres (que são quase todos) gerou essa guerra civil, informal e suja, cujo palco avançado é o estado do Rio de Janeiro, a mais bela cidade do mundo. Tão suja é essa guerra civil que as armas dos insurgentes(chamados de bandidos) não tem poder de alcançar os seus algozes, que estão a distância inalcansável, e as suas balas matam outras vítimas iguais a eles, também pasto da brutalidade capitalista. São, portanto, balas perdidas, todas.
Lá de longe, os criminosos exigem o extermínio dos bandidos, com o apoio e o dinheiro das vítimas, o povo.
Agora mesmo, o presidente (legítimo?) Temer fez intervenção militar no Rio de Janeiro, o reduto mais avançado dos insurgentes. E mandou para lá as forças armadas nacionais.
Cuidado, Temer! A Marinha, a Aeronáutica e o Exército são forças regulares, bons moços, treinados para batalhas formais. Entregá-los aos insurgentes (bandidos) das favelas do Rio é entregar cordeiros à matilha de cães famintos, e quanto mais famintos mais perversos e deformados, habituados à matança e a morrer de armas nas mãos.
Entusiasmado com a segurança, o presidente criou com alarido incomum o “Ministério da Segurança Nacional”, com orçamento inicial de dois bilhões e setecentos milhões.É muito dinheiro contra os pobres e pretos. Mais uma vez, o povo vai pagar a conta dos ricos.
Quer mais?
Para encher e derramar a cuia, corre célere no Senado Federal projeto de Lei, já chamado de Lei do Abate, autorizando a polícia a atirar primeiro.
A Lei do Abate ou do extermínio está sendo relatada pelo senador goiano Wilder de Morais, que já adiantou parecer favorável, e nesse parecer maldito, a carreira política do suplente Wilder está sendo sepultada.
Aqui em Goiás, a política ferve no caldeirão do Diabo, e a boca das principais lideranças da oposição virou sepultura pornográfica: o senador Ronaldo Caiado puxa o xingatório, e o alarido da matilha dos Balaio vai além.
Noutro dia, o sargento deputado Araújo tirou da latrina do diabo adjetivos para xingar o governador Marconi Perillo, e postou nas redes sociais. Não acusou Marconi de nada. Insultou-o rasteijantemente. E ainda não teve resposta.
O sargento deputado é seguidor dos passos de outro boca de sepultura, o seu colega, deputado José Nelton, que tem no top de sua biografia política o apedrejamento dos caixões funerários das vítimas do Césio.
Nelton sempre teve um posicionamento dúbio em política. Passava por oposição na Assembléia Legislativa, e à noite, ia à socapa, a Palácio, entrando pela porta do pessoal de serviços. Em Palácio, entre uma taça e outra de vinho, contava a Marconi a estratégia da oposição. Falava horrores de Iris, Maguito e Caiado para agradar Marconi. No outro dia, Nelton estava na Assembléia, passando por oposição.
Até que Marconi cansou-se dessa farsa, e um dia avisou-lhe que não o receberia mais à socapa. Nelton radicalizou na Assembléia, esperando que o governador o recebesse às escondidas de novo.
E foi assim que na abertura do ano legislativo, o governador Marconi Perillo tirou o paletó, pendurou na cerca, bambeou o nó da gravata, arregaçou as mangas da camisa e saltou pra dentro do chiqueiro para pegar o morador a unha.
E pegou, mostrando-o à opinião púbica como ele é – um traidorzinho de meia pataca.
O que mais dói no deputado José Nelton é não poder freqüentar mais o Palácio à socapa, nas caladas da noite, às escondidas. Nunca mais.
Mas a língua destravada mais notável é mesmo o senador Ronaldo Caiado. Parlamentar há mais de 30 anos, Caiado não tem uma lei de sua autoria, e o feito mais notável de sua carreira política é, por nada, nada, chamar o outro parlamentar para “resolver no braço lá fora”. Da valentia do senador nem o seu tio, o Caiadinho, acredita. “Por quê lá fora? Se fosse comigo resolveria ali mesmo” – disse Caiadinho em entrevista ao Diário da Manhã.
De sua valentia também fala o ex-deputado Vilmar Rocha, responsável pelo sucesso eleitoral do Caiado: acrescentava-lhe votos na legenda para elegê-lo deputado, mesmo, ele Vilmar, sendo derrotado. Nas eleições para o Senado em 2014, Vilmar fez corpo mole e deixou Caiado comer a paca.
E da valentia do Caiado, Vilmar Rocha também é testemunha: “Um dia, na casa de Tião Caroço (ou de outro), em desentendimento verbal, eu falei alguma coisa de que o Caiado não gostou. Ele então levantou-se e me ameaçou: ‘Eu vou lá no carro pegar o revólver para você repetir isto’. E eu o adverti: vai e volte, que eu vou lhe tomar a arma e metê-la no seu…”
Nem Ronaldo Caiado voltou, nem Vilmar Rocha pode cumprir a promessa.
O ex-senador Demóstenes Torres escreveu e assinou aqui no Diário da Manhã: “O senador Ronaldo Caiado mente, trai e rouba”.
Demóstenes está aí vivo e são querendo voltar para o Senado, Caiado deu o calado por resposta.
Se os defeitos do senador Ronaldo Caiado fossem só esses, estaríamos apenas diante de um boquirroto fanfarrão.
O mais grave em tudo isto é que o senador Ronaldo Caiado tem o coração enrijecido pelo ódio aos pobres, aos pretos e aos excluídos. E foi desse ódio que nasceu a UDR, entidade sanguinária fundada por ele para exterminar os lavradores sem terra.
A UDR de Caiado já deu um banho de sangue nos campos e deixou para trás um cemitério de inocentes e indefesos.
Noutro dia, em entrevista, o senador soltou essa pérola: “Eu sou contra os invasores de terras”. Como pode ser invasor o brasileiro que nasceu nesta terra e quer apenas um pedacinho dela para viver? Ele então é invasor de sua própria terra?
Invasora é a UDR de Caiado, braço armado do latifúndio criminoso, que mata, dizima e escorraça. Esses são os ladrões de que fala o poeta: “Se os outros roubam as bolsas,/ vós roubais os corações”.
O senador Ronaldo Caiado pode mesmo falar de invasão, pois os seus ancestrais invadiram o Vale do Araguaia e fizeram o maior grilo de terras da história humana, às margens do rio Tesouras e Aricá, mais de um milhão de hectares, escorraçando a patas de cavalo e à chibata os nativos que lá viviam. E até hoje o Senador se beneficia do produto desse crime hediondo.
É verdade que atualmente o senador Ronaldo Caiado lidera as intenções de votos dos goianos, porque é o mais conhecido de todos os candidatos. Mesmo assim, não encontra um nome de algum prestígio para ser o seu vice. Não há nomes que queiram candidatar-se ao Senado em sua chapa. Até Cajuru já abriu fora dele.Não tem nomes para formar chapa de deputados estaduais e federais.
Isto ocorre porque ninguém acredita ou confia em Caiado. Todos tem certeza de que ele sai na cabeça e chega no rabo.
Ele vive de pires na mão implorando apoio ao MDB. Os dirigentes desse partido sabem que essa é uma armadilha perigosa. O apoio a Caiado significa a auto-dissolução do partido que servirá apenas de bucha na campanha para atiçar a sua arrogância de megalomaníaco.
Há no consciente coletivo a certeza de que Marconi fará o seu sucessor. É por isto que os maiores partidos de Goiás e todos os parlamentares estão brigando para ser vice de Zé Éliton; ser candidato a senador na chapa de Zé Éliton; ser primeiro suplente de senador ao lado de Marconi.
Ninguém quer a companhia de Caiado, porque ninguém confia nele.
A janela para mudança de partido vai até o dia 6 de abril. E não há movimentação de baixas na base governista. Daqui até lá, a oposição deve desidratar-se mais ainda, e terá muita dificuldade de construir chapa majoritária e proporcional.
O prefeito Iris Rezende já adiantou que ficará com o candidato do seu partido, o MDB. E os outros prefeitos do partido que apóiam Caiado, vão para onde? Ficam também com o candidato do MDB, quando Caiado aparecer nas pesquisas em terceiro lugar, tomem nota.
Encerro com esses versos de autor desconhecido:
A Bíblia fala de sepultura bem branca
que guarda verme em cemitério abandonado,
igual aquele que caiu da mula-manca,
falso e arrogante tal qual Sepulcro Caiado.
E o senador pode encomendar outro xingatório contra mim. Daqui até a eleição, eu me encarrego de acordar a consciência coletiva.
Com medo ou sem medo do Caiado.
(Carlos Alberto Santa Cruz, jornalista)