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Nossa relação com os espíritos

Redação DM

Publicado em 29 de março de 2016 às 03:21 | Atualizado há 10 anos

Sinto o gosto na alma de ser outro e de ter sido outro sendo eu mesmo em outros tempos e em outros lugares, vendo-me atual com alma antiga, que é meu ser outro de mim.
Por isso tenho o sabor das tardes sem fim, tardes que prenunciam noites eternas, noites que profetizam antigas manhãs reveladoras de outras vidas renascidas.
Por isso o meu gostar deste presente mundo que vem de outros mundos existidos, que se deitam ante meus olhos redivivos que veem além do meu ser de agora.
E me encontro reunido com todos os eus que sou nesses instantes de sempre. E todos os demais eus, que são outros de mim, me revisitam.
Quem diria que estamos sozinhos no universo? Não há um eu sem um tu – na expressão de Martin Buber – sem o qual definiríamos nossa individualidade. E só nos reconhecemos a nós mesmos na relação com os outros.
Às vezes pensamos que não nascemos para ajustar-nos aos outros, e que nos ajustamos aos outros para encontrarmos uma medida que não é nossa. Mas é ao ajustar-nos aos outros, que vemos espelhar nossas diferenças, para nos reconhecermos como indivíduos.
Chegamos a estranhar a nós mesmos como hóspedes desta vida sendo habitantes do além, como se buscássemos aquém a nossa face esquecida. E parece que sempre por onde andamos segue-nos a sombra de alguém. Essa é a relação entre nós e os espíritos.
De repente uma ausência nos visita e entra num desvão entre o tudo e o nada e, num átimo, salta a ponte entre o efêmero e o eterno, entre a vida e a morte. Essa é – repito – nossa relação com os espíritos.
Por vezes sentimos que duram além de nós todos os sentimentos de uma antiga vida. Que duram além de nós todas as outras vidas de um remoto tempo. Que duram além do tempo todos os reinos findos de um único reino que perdura ainda. Não resta dúvida: esse é o efeito de nossas relações com os espíritos.

Nós e os espíritos

Nossos pensamentos podem ser captados pelos espíritos que nos acompanham. Suas presenças ocultas podem nos servir de ajuda ou de inibição, conforme sejam espíritos simpáticos ou frívolos.
Constantemente os espíritos influenciam nossos pensamentos e ações e isso se evidencia quando temos várias ideias ou atitudes em confronto.
Temos pensamentos próprios ou espontâneos e pensamentos sugeridos como por inspiração. Tanto uns como outros atendem às nossas inclinações boas ou más, ou do próprio espírito que nos assiste.
Há espíritos malévolos que nos induzem ao mal, assim como há espíritos benfazejos que nos inspiram o bem, conforme seja nossa própria inclinação. Depende de nós aceitarmos ou não suas influências desejáveis ou indesejáveis.
É pela vontade construtiva e pela fé que neutralizamos a influência negativa dos maus espíritos, rezando como nos ensinou Cristo: “Senhor, não nos deixeis cair em tentação.”
Os espíritos não coordenam nossas vontades, mas aproveitam nossas inclinações conforme as circunstâncias lhes sejam ou não favoráveis.
Contra nossa vontade, nenhum espírito nos subordina. Mas segundo nossa dependência, podemos atrair bons ou maus espíritos.
Os espíritos têm pelas pessoas prediletas afeições que por vezes se confundem com as paixões humanas. Nutrem mais simpatia pelos que lhes são mais próximos, assim como esquecem quem os esqueceu.
Os espíritos influenciam nossos projetos e obstáculos, conforme seja nosso gênio bom ou mau. Os bons espíritos são agentes de Deus a quem devemos todos os benefícios.

(Emílio Vieira, professor universitário, advogado e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, da União Brasileira de Escritores de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa – E-mail: [email protected])

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