Brasil

O candidato estrela

Redação DM

Publicado em 30 de junho de 2016 às 21:32 | Atualizado há 10 anos

Iris Rezende é um sujeito incansável. Duvide-se ou não de suas intenções, todos reconhecem sua resiliência. A dúvida vai por conta de seu projeto de vida se tratar de um sarcedócio popular ou meramente da perseguição a uma espécie de permanência vitalícia no poder. Neste caso, teria feito melhor se seguisse carreira de pastor universal.

Mas está aí uma pessoa que não pode e nem merece ser substimanda. Iris provou ser mentor de façanhas capazes de inverter alguns pólos da história política local. Se, quando no poder do governo estadual, era um dos políticos mais rejeitados na capital goiana, esta lhe passou a ter especial carinho depois que ele desapeou-se e veio nocauteado para a planície.

Graças a este carinho demonstrado (que até o próprio Iris duvidava e foi preciso gente como o jornalista Batista Custódio para abrir-lhe os olhos e convencê-lo a se candidatar a prefeito de Goiânia em 2004), Iris tem um índice de aceitação que até hoje o coloca entre os preferidos da população para dirigir-lhe os destinos e fazer a gestão de seus acúmulos de problemas (alguns dentre os quais ele mesmo contribuiu para o surgimento).

Supersticioso, ele é, ao menos politicamente falando. Acredita que a tudo venceria ao se manter discreto e dissimulado. Mesmo se tudo deu errado nas 4 eleições em que foi derrotado (uma por Demóstenes Torres e três por Marconi Perillo).

Agora, uma vez mais, a apenas 3 meses das eleições na capital goianiense Iris mantém o silêncio sobre uma possível candidatura a prefeito que todos já sabem que, em sua insaciável sede de empoderamento, ele já assumiu. Iris é, no momento, o ator principal de uma novela de que se sabe o final, mas a que se deve assistir e, enquanto isso, ver os intediosos intervalos do plim-plim.

A sua pretensa indefinição em ser ou não candidato esconde, na verdade, a estratégia de não ter que atender aos anseios mais rasos daqueles que apostam no seu favoritismo. Ele quer encurtar ao máximo o período de exposição.

Infelizmente, essa indefinição esconde uma outra coisa bem mais importante para a população: a falta de propostas que possam redundar no planejamento de um governo inovador e eficaz.

Ao não se expor mais do que considera o estritamente necessário (Iris tem faltado a entrevistas e debates que já se iniciaram), o futuro candidato evita também de ter que falar do que não tem e do que ainda sequer pensou, se é que em algum momento ele irá se dedicar ao planejamento de um improvável governo renovador. É aí, afinal, que se distinguem os que apenas querem o poder daqueles que realmente querem transformações de realidades.

Iris Rezende Machado tem todo direito a seu estrelismo de 2ª divisão. É o político mais longevo da história goiana. Nada nada, está chegando a 60 anos de atividade febril desde sua primeira eleição, em 1958. Traz com ele as medalhas de importantes batalhas vencidas, entre elas a campanha pelas Diretas Já e o árduo soerguimento do Estado na volta dos direitos democráticos.

Fez história. Talvez seja por isso (e não pela improvável superstição política) que até o presente capítulo da sua novela morna Iris ainda não se decidiu se vai ou se não vai. Afinal, seria um imerecido fim de carreira um novo nocaute em mais esta luta que se avizinha. Fato é que até as estrelas se apagam.

 

(Px Silveira, presidente do Instituto ArteCidadania)

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