O compromisso de um guerreiro
Redação DM
Publicado em 2 de novembro de 2016 às 23:24 | Atualizado há 10 anosRecebi esta carta de um amigo policial. Envio da forma que recebi pois retrata o espírito de um policial.
Ao ser declarado aspirante a oficial do meu Estado, prometo regular minha conduta pelos preceitos da moral, cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado, dedicar-me inteiramente ao serviço policial militar, a preservação da ordem pública e a segurança da comunidade, mesmo com o risco da própria vida.
Um dia sob esse juramento conclui o Curso de Formação de Oficiais da Poliícia Militar do Estado de Goiás. Tenho muito orgulho da Instituição que sirvo e da missão que me é confiada todas as vezes que revisto-me de minha armadura (Farda) e ganho o campo de batalhas (Ruas, Estradas, Avenidas, Presídios, etc…) Contudo, eu e meus irmãos de armas, na nossa prestação de serviços, mesmo com risco de nossas vidas, parece não ser o suficiente para que venhamos a vencer essa guerra, que tem sido travada nesses campos de batalhas. Temos visto incontáveis policiais militares sucumbindo no fragor da disputa. A luta travada hoje no front tem se agigantado demais para os homens e mulheres que laboram nessa seara, a Segurança Pública. O risco de nossas vidas, e elas tem sido entregues no combate, não tem gerado, além do reconhecimento, que certamente não é o que a maioria de nós quer, o resultado que todos desejamos, para dar cabo de nossos adversários. Adversários que não são apenas os criminosos que incansável e incessantemente combatemos. Mas adversários que estão vestidos de ternos e gravatas, nos tribunais de justiça, nas assembleias legislativas nas esferas do alto escalão do poder executivo, nos estúdios de televisão e rádio, e por incrível que parece no seio da sociedade civil, essa a quem nos entregamos dia a dia de forma muito mais intensa e desvelada; embora tenhamos em nossa farda a inscrição: – ” Patrimônio dos Goianos”.
Às vezes chegamos, e tenho certeza disso, a pensar em desistir; mas não prosseguimos nesse pensamento, revigoramos o ânimo, e numa marcha que parece não ser humana, reiniciamos a luta, dia após dia. São muitas as linha que poderia dedicar-me a dissertar essa rotina de dores, decepções, desonras, falta de reconhecimento, mas não prosseguirei. Termino essa limitada expressão de frustrações, com a sociedade a que pertenço, para fraseando Martin Luter King: sonho com um dia em que o bem derrotado vencerá o mal triunfante.
(Avelar Lopes de Viveiros, coronel RR da PMGO)