Brasil

O Mês das Noivas passou sem deixar muitos amores

Redação DM

Publicado em 4 de junho de 2017 às 01:20 | Atualizado há 9 anos

No Mês das Noivas, algumas pessoas estiveram mais enroladas que marido tentando explicar mancha de batom na cueca

Gosto do mês de maio. Primeiro pelo aniversário de minha irmã. Segundo por causa do jambo, esse fruto cor Brasil que vai ao solo, se espatifa e exala olor perfumado de flor. O jambeiro-vermelho é uma espécie originária da Malásia, país asiático que também foi colônia de Portugal. Frotas lusitanas, sempre fissuradas em igrejas, construíam suas capelas e fortalezas sob as sombras da copa dessa árvore que chega a ter altura de 20 metros.

A flor do jambeiro solta fiapos de um rosa-púrpura gritante, deixando o chão ao redor igual ao viaduto da Praça do Ratinho em Goiânia durante a Campanha “Outubro Rosa”. Pertencente à família Myrtaceae, que abrange frutas como a pitanga, goiaba e jabuticaba da nossa querida Hidrolândia, o jambo é uma fonte inesgotável de benefícios gustativos, olfativos e visuais. Como seria bom se o mês de maio fosse lembrado apenas por coisas boas como aniversários e jambos.

 

Pra viver  mil vezes mais 

Não é o caso, esse maio, que já está quase no final, por conta dos últimos dez dias, nos remete a outro período curto e tenso da História: a crise dos mísseis de Cuba, também conhecido como a Crise de Outubro. Durou 13 (mera coincidência) dias, de16 a 28 outubro de 1962, entre os Estados Unidos e a União Soviética. A URSS colocou mísseis nucleares em Cuba, seu aliado que fica pertinho dos USA. Os donos do Grande Porrete sentiram-se um pouco incomodados com a situação desconfortável e partiram para… a Diplomacia, é claro.

Existe até filme que trata desse assunto. “Treze Dias que Abalaram o Mundo”. Tem: a sutileza das negociações entre americanos e soviéticos para evitar que a Guerra Fria esquentasse a chapa do mundo. Uma cena marca o enredo do filme, e do atual cenário político brasileiro: sentado na varanda, o assessor de JFK, Kenny O’Donnell, fala para a esposa que “Se o Sol nascer amanhã, será apenas por causa dos homens de boa vontade”.

 
 O que somos  nós, afinal 

Nossa situação política precisa de uma resolução boa e rápida. É pedir demais que a sensatez acalante os corações dos homens e mulheres do Congresso? Cobrar o mínimo de responsabilidade desses brasileiros é viável?

Entender o momento histórico que vivemos deixa a mente mais frita que dadaístas nonsense bêbado. Vamos dá um giro pelos três dias anteriores:

Dória tomando pau dos zumbis da Cracolândia. Se ele tivesse assistido The Work Dad saberia: é bom bala de prata! “- É?”…; temos também a presidente do BNDES renunciando sob pressão de indústria e funcionários. Os economistas choram pra formular “novas perspectivas de mercado; quem quiser pode escolher o STJ dando um freio à “judicialização da Saúde”. A Corte suspendeu todas as ações de fornecimento pelo poder público de medicamentos que não se encontram na lista oficial do Sistema Único de Saúde (SUS); ao gosto do freguês, Moody’s voltou a alterar a perspectiva do rating do Brasil de estável para negativa. A agência de classificação de risco obrigou-se a fazer o relatório mais fácil da vida dela: “foi por motivos óbvios”.

 

Estamos longe demais 

Ainda não acabou: o novo Refis tá querendo dá prazo ad infinitum aos visionários devedores; ministério pegando fogo; exército na rua; Gilmar Mendes revivendo o Dia do Fico ao se defender com oficio mais criativo que as letras de Humberto Gessinger que quer ficar no caso de Eike e de sua filha advogada; Gilmar de novo, dessa vez afirmando que está pensando em mudar de opnião sobre as prisões de 2ª instância. Parece que começou a esquentar o cabo da panela; e por fim, o Janot enviou ao STF parecer usando o entendimento do próprio Gilmar. Disse, Rodrigo, que Temer, assim como Mendes afirmou que Lula, fez confissão espontânea em gravação liberada a público.

Se até o mês cinco desse ano já ocorreu mais fatos estranhos na em nossa política do que ocorrerá em toda a história da Islândia, é razoável afirmar que a Retrospectiva 2017 vai durar 10 horas, no mínimo.

 

Esqueça os finais

Prefiro os aniversários e os jambos.

 

(Nellylton, escritor)

 


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