Brasil

O papel do pai no desenvolvimento emocional dos filhos

Redação DM

Publicado em 9 de agosto de 2016 às 02:59 | Atualizado há 10 anos

O papel do pai na sociedade atual tem sofrido alterações, sobretudo, nas últimas décadas. Notamos que a “condição” de pai evoluiu e, diga-se de passagem, a palavra “evoluiu” é bem apropriada, pois, felizmente, observamos que os pais estão muito mais próximos dos filhos e conhecedores de suas necessidades e vivências.

As transformações culturais, sociais e familiares, são responsáveis por essas mudanças. As famílias precisaram se adaptar para “dar conta” de seus filhos, visto que a figura materna assumiu um papel social para além da casa.

O pai, na maioria dos lares brasileiros, não é mais o único responsável pelo sustento da família e tal realidade implicou na necessidade de o homem assumir afazeres domésticos que antes eram reservados à mãe. É cada vez mais comum vermos o pai como responsável pelo jantar, enquanto a mãe acompanha o banho dos filhos, no final do dia. A orientação da “lição de casa” também já não é mais uma exclusividade feminina. E que bom que essas mudanças vêm ocorrendo!

Historicamente, até pouco tempo atrás, o pai exercia fundamentalmente uma atitude educadora e disciplinadora, de acordo com indicadores basicamente rígidos e repressivos. Assim, a interação entre pai e filhos era reduzida, em especial nos primeiros anos de vida, já que a mãe assumia todo o cuidado frente às necessidades do bebê. Esta situação foi mudando, lenta e progressivamente, porém, a mudança de hábitos nem sempre tem acompanhado o ritmo da transformação dos valores, o que acaba por ocasionar conflitos e incertezas na rede de relações afetivas familiares.

Estudos indicam que a participação efetiva do pai no desenvolvimento da criança e a interação entre pai e filhos são fatores determinantes para o desenvolvimento cognitivo e social, influenciando na aprendizagem e na conexão da criança com a comunidade na qual está inserida.

O contato corporal entre o bebê e o pai, no cotidiano, é referência na organização psíquica da criança, devido à sua função estruturante para a percepção de que não somente a mãe é o seu universo. A presença paterna, que em geral traduz força e segurança, também pode trazer aconchego e tranquilidade, o que levará a criança a crescer mais segura, resiliente e acolhedora.

Já a ausência paterna é associada também aos índices de distúrbios do comportamento em adolescentes. Pesquisas mostram que tal ausência geralmente tem impacto negativo em crianças e adolescentes, sendo que estes estariam em maior risco para desenvolver problemas de comportamento.O vazio deixado pela ausência do pai, gera nas crianças o sentimento de não serem amadas e uma grande desvalorização de si mesmas, em consequência disso. Além dessa autodesvalorização, sobressai o sentimento de culpa por a criança se achar má. Inconscientemente, ela acredita que se o pai não está com ela, recorrentemente, é porque ela não é merecedora de sua atenção.

A presença constante e fortalecedora do pai provê uma base segura a partir da qual uma criança ou um adolescente sente-se apto para explorar o mundo exterior, entretanto, se necessário for, sabem que podem retornar ao núcleo familiar, certos de que serão bem-vindos, nutridos física e emocionalmente, confortados se houver algum tipo de sofrimento e encorajados se estiverem ameaçados. A consequência dessa relação de apego é a construção de um sentimento de confiança e segurança da criança em relação a si mesma e, principalmente, em relação àqueles que a rodeiam, sejam estes suas figuras parentais ou outros integrantes de seu círculo de relações sociais.

 

(Josiane Miara, coordenadora do Período Ampliado do Colégio Marista Santa Maria, da Rede de Colégios do Grupo Marista)

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