O preocupante quadro mundial
Redação DM
Publicado em 19 de janeiro de 2016 às 22:23 | Atualizado há 10 anos
Venezuela. De janeiro a setembro de 2015 inflação de 141% – cento e quarenta e um por cento! Decretado na semana próxima passada estado de emergência, pela falta de gêneros alimentícios para compra e obviamente consumo da população; enfim, pela situação anárquica, caótica do País, com todos os matizes de prenúncio de uma guerra civil. O declínio do chavismo, tão hegemônico até a morte do seu líder e tão desgastado a partir da candidatura e mais ainda após a possível e presumivelmente fraudada eleição de Nicolás Maduro.
(Já relatei aqui que o sucessor de Chávez, quando faltava apenas uma semana para o pleito presidencial, tinha cinco pontos de vantagem nas pesquisas mas sofreu queda brutal na avaliação do eleitorado, imediatamente em seguida à ridícula declaração dele de que o espírito do seu mentor havia aparecido para ele em forma de passarinho e aos seus ouvidos lhe dito palavras de otimismo e estímulo… Protótipo de desastrado esse tal de Maduro. A disposição de votar nele caiu tanto que os quinze por cento que tinha de vantagem se dissiparam: a apuração do pleito, cujo resultado deveria ser anunciado duas horas após a eleição, invadiu a madrugada e só na manhã do dia seguinte os números foram divulgados. Maduro foi proclamado vencedor com pouco mais de 1% (um por cento) de frente. A demora da apuração suscitou, naturalmente, a hipótese de fraude).
Da posse de Maduro para cá a situação política, econômica e social da Venezuela, por fatores nacionais e internacionais, internos e externos, assumiu cores de catástrofe. O prestígio do governo caiu para 25%. A oposição ganhou as eleições parlamentares esmagadoramente. Faltaram apenas três deputados para ela atingir a maioria de 2/3 (dois terços). E como naquele país a tradição de golpismo dos dois lados é secular, os adversários do chavismo deram posse a três deputados que o Poder Judiciário decidira não serem empossáveis, por vícios causadores de nulidade. Com esses três, a oposição teria número para alterar a Constituição. A Corte Suprema (que o antichavismo acusa de facciosa) fez valer sua decisão: os três foram afastados. Nesse quadro, por enquanto, a destituição de Maduro, já anunciada como propósito dos adversários, se tornou inviável.
Mas a possibilidade de golpe e guerra civil na Venezuela é hipótese firmada em fatos que analistas do próprio País e do exterior consideram gravissimamente ameaçadores. Embora impopularizado, o chavismo tem adeptos radicais e conta com forte segmento nas Forças Armadas. Conta também, segundo informações jornalísticas venezuelanas, com forte disposição de organizações paramilitares. Apoiado pelos Estados Unidos, o antichavismo desperta contra si sentimentos nacionalistas, ingrediente que nesse quadro não é desprezível como força potencial.
Esse retrato da realidade venezuelana é o início da análise que se impõe da realidade praticamente mundial, com a exceção, naturalmente, dos Estados Unidos, embora tenham sido estes o cenário da recessão de 2008 que teve desastrosos efeitos praticamente sobre o resto do mundo.
O quadro atual dos problemas também de natureza pode-se dizer mundial é terrivelmente preocupante, pois denuncia o quanto o capitalismo selvagem, o fanatismo religioso, o farisaísmo político, o golpismo de facções partidárias, o maniqueísmo, a luta pelo poder a qualquer custo, proporcionam dantesco cenário. Analisar as situações da China, da Grécia, do Egito, da Arábia Saudita, do Irã, da Síria, do Iraque, da Rússia, da Argentina, da Venezuela, de todos os países em guerra fratricida, é um imperativo desolador. Nos limites deste meu espaço procurarei demonstrá-lo em artigos que se seguirão.
(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal às quartas & sextas-feiras – E-mail: [email protected])