Brasil

O que a Celg faria se tivesse 2,5 bilhões de reais acrescidos ao seu patrimônio?

Redação DM

Publicado em 12 de outubro de 2015 às 22:18 | Atualizado há 11 anos

O relatório elaborado pela Universidade de São Paulo (pouco divulgado e não sei por que) é um documento que coloca luzes nas trevas daquilo que foi a administração da então Companhia Energética de Goiás, quando esta ainda estava sob o controle do Estado de Goiás.

Nesse, os técnicos da Universidade de São Paulo evidenciam o episódio que se constituiu na ação mais trágica de todos os governos que um dia habitaram a Casa Verde. Falo da privatização da Usina Hidroelétrica de Cachoeira Dourada e o contrato de energia correlato a essa venda.

Posto isso, vejamos o que relata esse documento na página 44: “considerando esse valor atualizado para 31/12/2008 juntamente com valores anteriores, o evento de Cachoeira Dourada (cisão e contrato de compra de energia) gerou uma saída total, de R$ 2,5 bilhões, equivalente a 60% do total de endividamento junto a instituições financeiras, Eletrobrás e fornecedores.”

Mais adiante, acrescenta o relatório que “a impressão que se fica é que a venda de Cachoeira Dourada foi uma ‘engenharia financeira’. Ela parece conter uma venda e um empréstimo, embutidos nos preços de venda dos ativos e da compra de energia. Assim, além de obter um preço pelos ativos transferidos, ou melhor, relativo ao negócio, a CELG obteve um sobrepreço que foi devolvido ao comprador mediante o acordo de compra de energia.”

Diante do acima constatado e considerando este momento no qual a empresa expõe suas verdades tão bem-escondidas por anos, na calada dos gabinetes, indago: que reflexos teriam 2,5 bilhões de reais (desconsiderando as devidas correções) no patrimônio da empresa?

A resposta me parece claríssima: com aproximadamente 2,5 bilhões de reais (5 vezes mais do que a empresa pretende obter com a desdolarização), o equilíbrio econômico-financeiro seria uma realidade. Com esse equilíbrio econômico-financeiro restabelecido, a tarifa seria uma importante fonte de financiamento da expansão do sistema elétrico. Com 2,5 bilhões de reais, inúmeros pais de família teriam a tranquilidade para ganhar o pão nosso de cada dia sem conviver com o fantasma que desequilibra psicologicamente a todos: o medo de ficar desempregado.

Tudo isso seria possível se as instituições de controle não tivessem falhado ao ponto de dar sobrevida a quem diretamente contribuiu para esse processo que tanta aflição traz hoje aos empresários, ao agronegócio e à boa gente de Goiás, que representa o Goiás de verdade!

 

(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outros escritos, do livro Uma Falência mais que Anunciada)

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