Brasil

Obesidade e diabetes

Redação DM

Publicado em 3 de dezembro de 2015 às 22:26 | Atualizado há 11 anos

A obesidade afeta mais de 600 milhões de adultos no mundo e a relação da doença com o diabetes é  bem conhecida. O aumento do número de pessoas obesas já está associado a uma epidemia de Diabetes Tipo 2, afetando atualmente mais de 382 milhões de uma população adulta, e com expectativa de atingir 587 milhões até 2035.

O diabetes tipo 2 é uma doença silenciosa, o que explica o fato de apenas 50% dos pacientes existentes estarem diagnosticados. Além disso, das pessoas que já sabem que sofrem da doença, apenas 60% estão sendo tratadas e, dos que estão em tratamento, apenas 30% estão controlados. Ou seja, a grande maioria dos portadores de diabetes tipo 2 ainda não começaram nenhum tipo de tratamento.

O risco de desenvolvimento de complicações do diabetes, que são várias, está relacionado com o tempo de doença em atividade sem controle adequado. Dentre as mais mais graves estão: os problemas cardiovasculares, a nefropatia, a neuropatia, que pode levar ao infarto do miocárdio, insuficiência renal, perda da visão, impotência sexual, pé diabético, etc.

Recentemente participei de um congresso médico mundial em Londres, no qual discutiu-se a cirurgia de emagrecimento como uma opção de tratamento do diabetes tipo 2. Vários estudos tem mostrado a remissão ou a melhora do diabetes tipo 2 e outros benefícios, após o tratamento cirúrgico bariátrico. É importante salientar que a taxa de mortalidade, devido a causas cardiovasculares desencadeadas pelo diabetes, é altíssima e os novos estudos têm demonstrado uma queda de mais de 50% quando comparado o tratamento cirúrgico ao não cirúrgico . Hoje sabemos que o Bypass Gástrico é uma poderosa intervenção contra o diabetes tipo 2 podendo chegar a uma remissão total em grande parte dos casos.

Está muito claro que a cirurgia veio para fazer parte de um recurso positivo de tratamento do diabetes e está bem próximo de ser regularizado pelo Conselho Federal de Medicina. Está sendo criado um ERM – Escore de Risco Metabólico – que surge como alternativa ao IMC – Indice de Massa Corpórea , critério atualmente utilizado para indicação de cirurgia bariátrica. O novo método para avaliação do paciente, candidato a cirurgia metabólica, envolve o IMC, mas acrescenta outros indicadores que vão ser analisados pelo endocrinologista e cirurgião para recomendar ou não a cirurgia metabólica. Muitas pessoas já foram beneficiadas em todo o mundo com a terapia cirúrgica para diabetes e aguardamos que várias outras possam ter acesso às vantagens desse tipo de tratamento.

 

(Leonardo Porto Sebba, gastrocirurgião e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica – Seção Goiás)

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