Os arranjos produtivos locais nas regiões de Goiânia
Redação DM
Publicado em 13 de abril de 2016 às 03:06 | Atualizado há 10 anos
Os arranjos produtivos locais, conhecidas como APLs, constituem-se em aglomerações de empresas localizadas em um mesmo território, que se especializam em determinados produtos e conseguem organizar-se mantendo vínculo de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros segmentos locais tais como governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa.
Elas promovem o desenvolvimento regional por meio de estímulo à cooperação entre a capacidade produtiva local, instituições de pesquisa, agentes de desenvolvimento, poderes federal, estadual e municipal, com vistas à dinamização dos processos locais de produção e inovação, gerando emprego e renda.
No âmbito Estadual algumas APLs se destacam, tais como: da carne na região de Jussara, da Mandioca em Iporá, das gemas e jóias e artesanato mineral em Cristalina, do leite em São Luís de Montes Belos, da moda e design em Jaraguá, do açafrão em Mara Rosa, da moda feminina em Trindade e Itaguaru, da Aquicultura em Quirinópolis e região, dos grãos, suínos e aves no Sudoeste Goiano, do vinho (vitivinicultura) em Itaberaí, Paraúna e Santa Helena, dos calçados em Goianira, do mel (apicultura) na região da estrada de ferro, dos móveis na região metropolitana de Goiânia, da cerâmica vermelha na região norte do Estado, da cachaça em Orizona , do algodão em Acreuna , entre outros.
Da mesma forma que estes arranjos produtivos se consolidam no Estado de Goiás, destacamos também estas vocações econômicas na Região Metropolitana da Capital tais como: o polo calçadista em Goianira , o Turismo Religioso em Trindade entre outros.
Mas o que queremos destacar neste artigo são as vocações econômicas nas doze regiões de planejamento de Goiânia.
Economicamente Goiânia é caracterizada por ter: um forte comércio varejista; um dinâmico e diversificado setor de serviços, que cresceu muito nas últimas décadas, especialmente nas áreas de educação, saúde e telecomunicações; aglomerados de negócios na indústria alimentícia e na saúde; um grande número de confecções; e um comércio atacadista que constitui uma potencialidade a ser explorada, assim como o turismo de eventos e de negócios.
O comércio varejista e o setor de serviços são as principais atividades econômicas do município. Por outro ladoo setor de turismo poderá se consolidar, desde que ocorra a ampliação dos atrativos existentes, o aumento e a melhoria da infraestrutura de transportes e da rede hoteleira, bem como capacitação da mão de obra e dos empreendedores atuantes no setor.
É de fundamental importância que as lideranças políticas e empresariais do município propiciem a elaboração e divulgação de um diagnóstico municipal consistente e realista que possibilite a elaboração e implantação de um plano municipal e regional de desenvolvimento econômico que vise:
- Implantar uma política municipal de industrialização.
- Atrair grandes empresas para o município.
- Incentivar a indústria de confecções.
- Incentivar e apoiar o crescimento ainda maior do setor de serviços, principalmente nas áreas de educação, saúde, turismo de negócios e turismo de eventos.
- Tornar Goiânia um pólo de informática e atacadista.
- Transformar Goiânia na capital do agronegócio,
- Consolidar Goiânia como grande centro comercial.
Goiânia é conhecida pelo seu índice de desenvolvimento humano e pela sua qualidade de vida. Tem uma boa infraestrutura econômica e social, contando com um grande número de instituições de ensino superior, hospitais, centros clínicos e laboratórios considerados modernos e bem servidos de especialistas, equipamentos e instrumentos sofisticados; apresenta um clima aprazível; tem cerca de 30% de sua área urbana arborizada, jardins, bosques e praças bonitos, possui um aeroporto com dezenas de linhas regulares; conta também com uma boa malha viária e linha férrea ligando-a aos principais centros consumidores do país; dispõe de um moderno sistema de telecomunicações, que lhe possibilita comunicações ágeis e regulares com todo o País e com o mundo, até por meio de fibra-ótica; tem um Centro de Convenções, autódromo internacional, um grande estádio de futebol, shoppings centers e outros equipamentos de entretenimento e lazer. Por tudo isso o município se tornou um grande centro comercial e de prestação de serviços.
Goiânia é hoje uma economia urbana diversificada e promissora, devido ao fato de fazer parte, juntamente com mais vinte outros municípios, de uma região metropolitana de mais de 2.000.000 de habitantes e de um dos eixos econômicos de maior dinamismo e crescimento no país: o eixo Goiânia-Anápolis-Brasília.
Além de contar com uma posição geográfica estratégica, já que o município está localizado no centro do país e da maior área agropastoril do mundo, a capital goiana, em comparação com outras capitais e cidades de médio e grande porte brasileiras, tem uma posição privilegiada no contexto do agronegócio.
O crescimento da cidade alterou sua estrutura urbana a medida que surgem novos bairros. A cidade hoje supera a casa de um milhão de habitantes, possui um número elevado de bairros, setores, vilas e jardins, dividindo a cidade em 12 (doze) Regiões, segundo a divisão geográfica estabelecida pela Secretaria de Planejamento (Seplam).
A expansão e o aumento da população estimularam o aparecimento dos centros de bairro, áreas voltadas ao comércio e à prestação de serviços, atendendo às demandas presentes nos novos bairros (Jardim Nova Esperança, Av. 24 de Outubro, Av. Magalô, Quinta Avenida na Vila Nova , Marechal Rondon, Aderup, entre outras são exemplos).
Esta ação de fortalecer os centros dos bairros deve ser considerada positiva, pois reduz a quantidade e extensão dos deslocamentos, diminuindo a necessidade de transporte coletivo; facilita o acesso aos serviços públicos e ao comércio. Além disso, os centros de bairro assumem um papel importante na constituição da identidade das comunidades locais, funcionando como um ponto de referência e expressão simbólica das condições de vida e das aspirações dos seus moradores.
A Prefeitura pode intervir, estimulando e ordenando o seu desenvolvimento através da consolidação da estrutura urbana do centro de bairro. Estas intervenções podem reduzir os impactos negativos na qualidade de vida da população no tocante ao transporte coletivo, ao trânsito de veículos e de pedestres, à segurança e à acessibilidade aos serviços públicos.
Os centros de bairro, nesse sentido, devem ter condições de atender o máximo de necessidades da população, evitando deslocamentos e promovendo o desenvolvimento local. Devem oferecer não só atividades comerciais e prestação de serviços por particulares, mas também podem ser utilizados como instrumento de descentralização dos serviços públicos (mais Vapt-Vupt, por exemplo).
O planejamento econômico da nova administração municipal deve focar no reforço dos centros de bairro, criando condições para o desenvolvimento do comércio e da rede de serviços locais, inclusive gerando empregos que beneficiarão os moradores do próprio bairro. O fortalecimento das vocações econômicas regionais contribui para fixar a população nos seus locais de origem, dando oportunidade de formação profissional e mercado de trabalho aos nossos jovens, proporcionando enfim, melhor distribuição de renda e qualidade de vida à sociedade.
(Garibaldi Rizzo, arquiteto e urbanista. Presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Estado de Goiás. Conselheiro titular do CAU-GO)