Brasil

Os frutos do ego

Redação DM

Publicado em 26 de junho de 2016 às 02:32 | Atualizado há 10 anos

É na superação de obstáculos e dificuldades que vemos o valor de um relacionamento. Entretanto, bem sabemos que, diante de tais obstáculos, na maioria das vezes, tomamos atitudes impetuosas, apoiadas no egoísmo. Há quem diz que o amor supera todos os obstáculos!

Infelizmente vejo relações ancoradas nos mais inusitados sentimentos, uns sobrevivem por causa de sexo, do dinheiro, do poder, da religião e até mesmo da chantagem emocional, como discutir a importância de amar, quando o que se menos vê nos relacionamentos é o amor?

Inventaram tantas formas de amor, que até sentimentos fracos, desnutridos de coragem e compaixão, são intitulados como amor.

Não julgo relacionamentos firmados nos mais diversos motivos, o que questiona é que toda a base de um relacionamento deveria ser o verdadeiro amor?

O tema já foi e é objeto de milhares de livros e centenas de filmes, o amor que perpassa toda a natureza, todo ego e toda construção de amor, que em nossa época atual, ainda se baseia no ideal de vida feliz. Como se amar fosse algo diferente da realidade óbvia do dia a dia.

Eu sei que existe amor incondicional. E eu acredito nele. O maior dos exemplos vem de Cristo, que se imolou para nos deixar um legado de amor ao próximo como pressuposto à convivência harmoniosa, justa, tolerante, compreensiva, solidária.

O que diferencia é que esse exemplo é bem diferente do que a mídia nos apregoa. Amar não significa “felizes para sempre” e nem a felicidade plena como nos contos de fadas. Na verdade esse amor incondicional requer abrir mão da vaidade do ego e da dureza do orgulho, requer muito perdão e completa resignação.

O amor incondicional abre feridas na alma, sangra o coração, e mesmo que você esteja recebendo o pior de alguém, não guarda rancor, pois esse tal amor se renova a cada dia.

Se não é assim, não é amor, é qualquer sentimento enlouquecedor que enche o coração de lixo. Os corações estão cheios de lixo, (i)recicláveis – estamos sendo ensinados pelos contos de fada, pela TV, pelas comédias românticas um jeito certo e preciso de amar, as decisões a serem tomadas e até o jeito patético de fazer o outro feliz (sim, existem receitas prontas para fazer o outro feliz). Está tudo errado, é preciso sublimar tudo que foi aprendido e deixar nascer em nós o jeito certo de completar, fazer feliz e se doar, um jeito só seu.

Não sei quem inventou que amor é baseado na reciprocidade. É uma loucura essa ideia de esperar o outro fazer para que comecemos a pensar na nossa atitude; isso é disseminado como amor próprio, uma tentativa de se encontrar e se conhecer. Para mim essa é a receita (infalível) da solidão.

Foi estabelecido regras para o amor. E afirmo com toda convicção, quem deseja andar metodicamente em todas as regras imposta para o amor, desista! Amar está além da compreensão humana, pois, estamos baseados no ego, firmados em todas as ideologias do ego, e o amor é algo espiritual, ele não tem comunhão com o ego.

Para quem busca a receita perfeita para o amor, vive de ilusão. Puro clichê, fracassado pelo óbvio, pois, amar não é concreto, é como cuidar de um jardim, estamos vulneráveis as estações dos sentimentos e a terra seca do coração alheio.  O amor é raiz, mesmo que a árvore seca, e não dê nenhum fruto, se ele está firmado na terra que é nosso coração, no tempo certo ela se expande pela memória e floresce. Se não for colocado como fundamento da vida, como princípio norteador da nossa existência, será como uma planta que não tem raiz.

O amor é leve, doce, empático. O que nos faz sofrer é o ego ferido, preterido, “abandonadoO ego se equivale a erva daninha, é a imposição, sentimento de posse, autoritarismo, inveja, ódio, ciúmes, avareza. Ele se disfarça nos recantos escuros de nossa mente como ressentimento, melindres, medo, raiva acumulada, mágoas, sensibilidade excessiva às criticas.

Mas não se desespere, enquanto houver raiz existe uma esperança para a árvore florescer, apenas treine a diminuir o ego e permita-se ser transformado, assim você terá a experiência do verdadeiro Amor. Eu garanto, é um banho purificador quando você diz: “Eu sinto muito.” “Eu errei. Desculpe-me”. “Me perdoe”, com vontade sincera de mudar, o amor é liberado em seu interior.

 

(Josanne Gonzaga, coach, administradora de empresas e escritora (04 Livros publicados, e participação em 03 Antologias). E-mail [email protected])

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