Outros benfeitores
Redação DM
Publicado em 17 de outubro de 2015 às 23:20 | Atualizado há 11 anosEm nossa visão limitada, consideramos benfeitores apenas aqueles que, de uma forma ou de outra, nos alegram e auxiliam: pais e outros familiares, professores, amigos generosos e, de modo geral, todos os que agem positivamente em relação a nós e àqueles a quem amamos!
Os primeiros deram-nos a vida física, afeto, sustento, educação e muito mais. Todos eles nos educam ou nos beneficiam material ou espiritualmente – fato que nem sempre percebemos ou valorizamos, enquanto a vida se desenvolve!
Contudo, os Espíritos nos revelam outra natureza de benfeitores, como bem exemplificou Emmanuel1, Espírito, na página ‘O benfeitor Júlio Maria’:
“O BENFEITOR JÚLIO MARIA
De 1932 a 1945, o Padre Júlio Maria, residente em Manhumirim, em Minas, não deixou o pobre Chico e seu incansável Guia Emmanuel, em paz. Criticou-os tenaz e injustamente. Os trabalhos de Emmanuel, recebidos pelo sensível Médium, eram esmerilhados, apontados, criticados, obscurecidos, adulterados.
Aconselhado pelo Guia, o Chico nada respondeu e evitava, até em família ou com amigos, comentar os doestos, as verrinas, as injustiças do jornal O Lutador. Mal o recebia, no entanto, assustava-se, adivinhando-lhe a pancadaria…
(…)
Em 1945, inopinadamente, desencarna o Padre Júlio Maria. E Emmanuel aparece ao Chico e lhe diz:
– Hoje, vamos fazer uma prece em conjunto e toda particular pelo nosso grande benfeitor Júlio Maria, que acaba de desencarnar em Manhumirim, conforme acaba de anunciar a Imprensa do Rio…
– Não sabia! Mas benfeitor, por quê?!
– Sim, benfeitor. Pois durante 13 anos seguidos ajudou-nos a compreender o valor do trabalho a bem de nossa melhoria espiritual, convidando-nos a uma permanente oração no exercício sublimativo de ouvir, sentir e não revidar, lecionando o adversário na Lição do silêncio. Quem virá, agora, substituí-lo? Substituir quem nos adversou e nos limou, nos maltratou e nos possibilitou melhoria espiritual, colóquio permanente com o Grande Incompreendido, o Injustiçado de todos os tempos, que é Jesus!”
Também Emmanuel2 – esse benfeitor de todos nós – preceitua:
(…) somos devedores (…) a quantos nos perseguem e caluniam; constituem os instrumentos que nos trabalham a individualidade, compelindo-nos a renovações de elevado alcance que raramente compreendemos nos instantes mais graves da experiência. São eles que nos indicam as fraquezas, as deficiências e as necessidades a serem atendidas na tarefa que estamos executando.
Os amigos, em muitas ocasiões, são imprevidentes companheiros, porquanto contemporizam com o mal; os adversários, porém, situam-nos com vigor. (…).”
O Evangelho segundo o Espiritismo3 orienta-nos para vencer a nós mesmos, em momentos dessa gravidade:
2/“(…) Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Todavia, existe outra muito mais penosa e, por conseguinte, muito mais meritória: a de perdoarmos àqueles que Deus colocou no nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para provarem a nossa paciência. (…).”
(…) O sacrifício que vos obriga a amar os que vos ultrajam e perseguem é penoso; mas, é precisamente esse sacrifício que vos torna superiores a eles. Se os odiásseis, como vos odeiam, não valeríeis mais do que eles. (…) Embora a lei de amor mande que cada um ame indistintamente a todos os seus irmãos, ela não resguarda o coração contra os maus procederes; esta é, ao contrário, a prova mais angustiosa, (…).”
Na página “Em desobsessão”, Albino Teixeira4 tece considerações preciosas sobre
“Aqueles companheiros na Terra:
que nos desfiguram as melhores intenções;
que nos falham à confiança;
que nos criam problemas;
que nos abandonam na hora difícil;
que nos induzem à tentação;
que nos impõem prejuízos;
que nos criticam os gestos;
que nos desencorajam as esperanças;
que nos desafiam à cólera;
que nos dificultam o trabalho;
que nos agravam os obstáculos;
que nos perseguem ou injuriam,
são geralmente os examinadores utilizados pela Espiritualidade Maior – através do mecanismo das provas – a fim de saber como vamos seguindo na obra libertadora da própria desobsessão.
Renteando com eles, acalme-se, observe, aproveite, agradeça e abençoe.”
Observemos que esses personagens só se tornam benfeitores quando adotamos as lições pregadas e exemplificadas por Jesus, oferecendo-lhes a outra face. Se revidarmos mal por mal, perderemos oportunidades preciosas de aprendizado e crescimento interior.
Referências:
1.GAMA, Ramiro. Lindos Casos de Chico Xavier. 11. ed. São Paulo: LAKE, 1978, p. 190.
2.XAVIER, Francisco C. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 6 ed. FEB: Rio de Janeiro, 1981. Cap. 41, p. 93/94.
3.KARDEC, Allan. Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2010. cap. 9, it. 7, p. 195; e cap. 12, it. 10, p. 246/247.
4.XAVIER, Francisco C. Paz e Renovação. Espíritos Diversos. 2. ed. Araras: IDE, 1983, cap. 4, p. 23/24.
(Gebaldo José de Sousa, aposentado pelo Banco do Brasil, expositor espírita)