Pé na tábua
Redação DM
Publicado em 31 de dezembro de 2016 às 00:07 | Atualizado há 10 anosAno novo, vida nova, não é apenas um refrão surrado. Traz em si um convite eloquente à análise, à reflexão.
Parece lugar comum, mas não é. Na crista da onda, quando morre um ano e nasce outro, nos habilitamos a reflexões em forma de acerto de contas.
Tudo o que você passou nesses trezentos e sessenta e cinco dias surge, de relance, em flashes rápidos. Como um expectador do passado você assiste e avalia cenas, situações, encontros e desencontros; observa escolhas, atitudes que definiram sua forma de atuar na vida, de encarar mudanças e novos paradigmas.
Final de ano tem um quê de renovação oportuna, traz pontuações que valem a pena considerar.
Vemos que nosso país se encontra na corda-bamba, tentando equilibrar-se na expectativa de um futuro incerto, enquanto apaga o incêndio do estrago já realizado.
Num sentido mais amplo, enfrentamos ameaça terrorista em todas as latitudes; temos pela frente, na política norte-americana, verdadeira incógnita a ser decifrada.
Estamos cercados por armas atômicas; a Rússia cobiçando maior representatividade na Eurásia, magoada por não ser levada a sério como parceira do ocidente. Temos a China fortalecida por sua “harmoniosa” ascensão ao poder mundial; a Coréia do norte explodindo novas bombas. Índia e Paquistão possuem arsenal atômico intocado. Verdadeira briga de cachorro grande.
Todos em busca de glórias inglórias. Lutas sangrentas que levam ao endividamento dos que as armam.
Síria em explosão constante; disputa entre israelitas e palestinos representando eras de conflitos nunca resolvidos. Parece não haver espaço para a paz.
Glórias da corrupção que enchem os cofres de fortuna morta e perturbam a consciência, tirando a leveza de espírito. Falsos valores alimentados pelo abismo da vaidade e ilusórios prazeres, sem nenhuma consistência.
Por verdadeira glória lutam os que se interessam em atender e aliviar os sofrimentos dos milhões de refugiados.
Somos todos capazes de minorar o padecimento de quantos passam por acerbas dores, orando pelos que são vítimas de acidentes terríveis, arrasando os corações dos que se privam da convivência de seus familiares queridos. Podemos envolver todos eles em nossas preces.
Mas não nos esqueçamos de que a maior conquista será alcançada quando nos voltarmos para nossas limitações, procurando vencer a nós mesmos, superando inferioridades.
Sim, é hora de mudança, de crescimento, do despertar consciente para a condição de irmãos em humanidade.
Mas de fora para dentro nada será possível. Vale lembrar, nessa quinada, os inspirados versos que tocam o coração; “Vai amigo,/ não há perigo que hoje possa assustar. Não se iluda/ que nada muda se você não mudar…”
Prepare sua bagagem para o ano que se inicia. Faça escambo produtivo. Troque mágoas por perdão; raiva por compreensão; medo por coragem.
Por mais que pintem turbulências e incertezas, acredite que tudo pode ser melhor, aí dentro de você. Não engrosse a fileira do desencanto. Dê um voto de valor à vida. Organize seu kit básico para um ano melhor. Apesar de todos os pesares, transborde de alegria e esperança e vá “ tocando em frente”: pé na tábua.
(Elzi Nascimento, psicóloga clínica e escritora / Elzita Melo Quinta, pedagoga, especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem no DM aos domingos – E-mail: [email protected] /(062) 3251 8867)