Pense e exista
Redação DM
Publicado em 5 de abril de 2018 às 22:59 | Atualizado há 8 anos
A segregação social por motivos ideológicos políticos é novo apartheid racial. Muitos podem considerar esse um pensamento extremamente estúpido por comparar um passado racista sombrio com o presente. Entretanto, considero não ser uma estupidez fazer tal comparação, tendo em vista os posicionamentos políticos ou apenas os rótulos dados ao indivíduo serem o suficiente para gerar uma divisão entre as pessoas, bem como, no apartheid o elemento segregacional era a cor da pele. Contudo, no apartheid era nítido que um lado estava certo, o que lutava pelo o fim da segregação e do racismo, bem diferente de agora que é difícil definir o lado certo, caso tenha alguém certo na história.
Os posicionamentos e divisões políticas no Brasil nunca estiveram tão imbecilizadas quanto se apresentam atualmente. A sociedade é dividida em grupos a partir de seus posicionamentos. O primeiro grupo é denominado de esquerda que, também, recebe outros nomes como: petista, comunista, mortadela. O outro grupo é denominado de direita, também, possui outras denominações como: coxinhas, conservadores, liberais e pseudo-liberais.
O mais espantoso é a forma que o rótulo é inserido no indivíduo. Caso você defenda direitos humanos, igualdade entre gêneros, mínima desigualdade social, entre outros pontos, você será rotulado como esquerdista. Se você defende um Estado menos burocrático, impostos mínimos ou a não tributação, entre outros pontos, você pode até não saber, mas você é coxinha, sim! Cada posicionamento possuem soluções para os inúmeros problemas enfrentados no país atualmente, obviamente por vias diferentes. Como definir o melhor posicionamento ou a posição correta?
Evidente que não há como responder a questão apresentada, pois o bom e o ruim, bem como, o certo e o erro são elementos subjetivos, definidos no íntimo de cada indivíduo. O que pode ser afirmado são as possíveis consequências de cada posicionamento. Porém, para um grande número de indivíduos a ideia adotada por eles é uma verdade inquestionável. Pode-se notar que esses indivíduos obstinados com seus posicionamentos são, em regra, intolerantes não possuindo a capacidade de dialogar com outros pontos de vista. Pois, diante de uma verdade absoluta, falta a eles uma coisa essência: o ceticismo.
O ceticismo e autocrítica são elementos fundamentais para o desenvolvimento e evolução das pessoas, consequentemente, da sociedade. Esses são os elementos que proporcionam a presente realidade enfrentada não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. A ausência do pensamento próprio proporciona a possibilidade de indivíduos oportunistas manipularem a massa para atingir interesses próprios. Isso não é incomum, na realidade, é algo muito comum no mundo. Essa manipulação pode gerar efeitos negativos até mesmo ao indivíduo manipulado, pois pode praticar atos ou defender ideias prejudiciais a si mesmo.
Por tudo o exposto, verifica-se a necessidade do pensamento próprio e crítico da sociedade. Para que, assim, seja possível promover melhorias em nosso país. A satisfação da necessidade do pensamento próprio e do diálogo entre posicionamentos não resultará, necessariamente, em soluções unânimes e de fato efetivas. No entanto, proporcionará um meio harmônico, menos alienado e imbecilizado, para que assim seja menos dificultoso buscar soluções para os problemas enfrentados no Brasil.
(Caio Henrique P Carvalho, estudante de Direito – E-mail: cai[email protected])