Precisamos dos entes invisíveis?
Redação DM
Publicado em 12 de abril de 2016 às 03:05 | Atualizado há 10 anos1- Converso com os amigos de hoje e ouço vozes dos amigos de ontem. Vejo outros que seguem à minha frente e atrás de mim sinto invisíveis passos. Estou aqui e ali entre o início e o fim: sou sombra de uma luz que anda junto a mim.
2- Manhã surge auroral, primaveril, de amanhecer total em minha vida, em que o sol é a luz do entardecer, que é a luz de outras manhãs longe escondidas.
Assim, isso que chamo amanhecer, nasce do anoitecer de outras vidas que em mim renascem, e essa luz do ser vem de outras chamas antes acendidas.
Sou o hoje do ontem e amanhã do hoje, e o antes do outro, e outro que depois vim: serei a sombra do que chega e foge, a cada instante rumo do sem fim. E sei que esta manhã que me ilumina é minha noite iluminada em mim.
Parece-nos tão íntima e personalíssima nossa estrada da vida que ninguém supõe necessitemos de alguém para nos ajudar a ouvir a voz íntima dos entes invisíveis. Na mesma estrada sentimos que há outros passos ao nosso lado e às vezes, do ponto onde estamos, tomamos outro destino em contraponto ao indo e vindo de outros seres e de outras vidas, que chegam somando ou subtraindo.
São espíritos que nos rodeiam com atribuições diversas inclusive ajudando-nos a interpretar nosso papel no palco da vida, ou fazendo-nos entender que também interpretamos papéis de nossas vidas pretéritas. A vida nos usa como personagens de suas singularidades e cada um de nós quer ser intérprete de si mesmo, mas – vale lembrar – há leis e limites para o palco coordenando nossos gestos atávicos.
Como então nos relacionar com os espíritos? Os espíritos fazem parte do mundo virtual e sempre nos respondem ou correspondem quando os invocamos pela mentalização. Não precisamos de aparelhos a não ser da própria alma. Antes dos meios virtuais de comunicação a distância – quer pela voz quer pela projeção da imagem – já o dom da mediunidade nos colocava em sintonia com os espíritos, pela eletricidade mental.
Atribuições dos espíritos
Os espíritos têm atribuições nos fenômenos naturais. Deus não age diretamente sobre a matéria, mas através de seus agentes. Os espíritos não agem também diretamente sobre os humanos: suscitam acontecimentos em consequência de uma animosidade.
Os espíritos agem por meios naturais que simulam coincidências. Ajudam o homem indiretamente através dos fenômenos. O espírito inspira o homem a agir, mas não age por ele. Os espíritos agem ou não conforme a nossa propensão: assim os espíritos benévolos como os malévolos. Por isso é relevante sabermos cultivar nossas afinidades espirituais.
Os espíritos assistem tanto os indivíduos quanto as famílias e as sociedades, não pelo orgulho de raça, mas pelas suas idiossincrasias e sentimentos comuns. Os espíritos simpáticos bem como os espíritos familiares associam-se aos protetores nas suas missões ligadas ao ser humano. Os espíritos protetores de massas agem proporcionalmente ao grau de adiantamento das coletividades que os invocam.
O pressentimento é um conselho íntimo do espírito que nos protege e soa como intuição ou voz instintiva que nos acompanha desde outras existências. Os espíritos nos ajudam na paz interior pela paciência e resignação. Os es-píritos sugerem pensamentos propícios que ajudam a afastar os males. Há pedidos desconsiderados pelos espíritos, como o de ganhar fortuna. Mas a fortuna pode ser favorecida como meio de provação.
Há motivações positivas e negativas para o crescimento e para a apatia. Isso afeta também os espíritos. Os espíritos, bem como os seres humanos, são consequência de si mesmos, no acerto ou no erro. As funções desempenhadas pelos espíritos seguem a ordem natural e a gradação adequada das suas faculdades.
Aperfeiçoar-se na visão de conjunto, é acompanhar a harmonia do universo. As atribuições dos espíritos estão em função do todo e não de interesses particulares. A missão de cada espírito é proporcional à sua capacidade. Sendo a sua missão voluntária, os espíritos sempre desejam realizá-la.
Para os espíritos não há ociosidade, pois seria a negação de sua potencialidade. É natureza das ocupações do espírito seguir incessantemente as ordens divinas, pelas suas próprias finalidades. Os espíritos examinam nossas atividades criativas em função de nossa própria elevação espiritual.
Os espíritos não interferem nos desígnios que exercem. Os espíritos se medem pelas missões que cumprem. Os homens assumem missões conforme seus ideais e segundo os desígnios de Deus. Não há uma missão predestinada ao homem. Este serve de instrumento ao espírito que o induz, e o conduz na execução de um propósito.
Os espíritos cumprem os desígnios de Deus e se aliam aos homens que recebem suas missões. Os espíritos encarnados cumprem suas missões já como resultado de sua experiência anterior. Os homens podem falir em suas missões, quando não assumem seus ideais, assim também os espíritos, quando as circunstâncias lhes são adversas.
(Emílio Vieira, professor universitário, advogado e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, da União Brasileira de Escritores de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa – E-mail: [email protected])