Produção de alimentos: novos patamares
Redação DM
Publicado em 6 de junho de 2017 às 01:42 | Atualizado há 9 anos
Mais uma vez o Fórum Brasileiro da Indústria de Alimentos, agora em sua 5ª edição, propiciará, nesta semana, em Goiânia, o debate sobre a importância estratégica da industrialização de alimentos e soluções para os desafios da cadeia produtiva. Estarão em pauta a internacionalização da indústria brasileira, a alta qualidade dos nossos alimentos e a importância da inovação.
Os desafios na produção de alimentos movem a humanidade desde as civilizações mais primitivas, da descoberta do fogo aos dias de hoje, e evoluem com a história do mundo. Em 10 de dezembro de 1948, três anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, a ONU proclamava a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Nela, afirmava que “todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação”.
Quase 70 anos se passaram e a missão de alimentar a população mundial permanece como um desafio comum a todos os povos. Éramos 2,5 bilhões de pessoas em 1950, passamos a 7 bilhões em 2011 e deveremos chegar, de acordo com estatísticas da própria ONU, a 9 bilhões em 2050.
Estamos diante de uma geração globalizada, conectada, com melhores níveis de educação, maior poder aquisitivo e, por consequência, muito mais exigente. Uma população que não demanda apenas alimentos, mas alimentos cada vez mais saudáveis, nutritivos, seguros, práticos, saborosos e acessíveis. Nesse cenário, o Brasil é, em volume, o segundo maior exportador de alimentos processados do mundo.
O setor permanece com o maior faturamento da indústria de transformação do País: R$ 614,3 bilhões. É também o que mais emprega: 1,6 milhão de funcionários diretos. Apesar da crise política e econômica instalada em 2014, as exportações mantiveram crescimento no ano passado e fecharam em US$ 36,4 bilhões, contra US$ 35,2 bilhões registrados em 2015.
A participação do setor de alimentos e bebidas no saldo da balança comercial brasileira foi muito significativa. Em 2016, o setor contribuiu com saldo de US$ 31,5 bilhões para o superávit total da balança comercial do País, que foi de US$ 47,7 bilhões. Um patamar alcançado com investimento constante na adição de valor, na busca por excelência e qualidade.
A indústria da alimentação brasileira está submetida a legislações rigorosas de segurança dos alimentos, e a qualidade se tornou hoje um conceito muito mais amplo. Envolve toda uma cadeia capaz de produzir alimentos seguros de forma economicamente viável, com segurança jurídica, responsabilidade social e ambiental.
Nessa lista de ingredientes estão investimentos em governança corporativa, projetos de inclusão social, educação alimentar, mão-de-obra, conservação do meio ambiente e geração de renda. As indústrias têm adotado padrões privados de proteção ambiental, controle de emissões de gases de efeito estufa, responsabilidade na utilização de recursos hídricos e investimento em energia renovável. Qualidade hoje significa produzir com sustentabilidade.
(Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia))