Qual a melhor solução
Redação DM
Publicado em 16 de abril de 2016 às 02:21 | Atualizado há 10 anos
Politicamente, o Brasil vive hoje uma situação inusitada em que a presidente está ameaçada de ser destituída e os políticos, na linha sucessória, têm problemas com a justiça onde, o primeiro a substituí-la, o vice-presidente Michel Temer, já tem seu pedido de impeachment e os dois seguintes com processos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Assim,veja o perfil moral-ético dos prováveis sucessores da presidente Dilma.
E, pior ainda, se a chapa Dilma-Temer for cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral(TSE), o ocupante do cargo,de imediato, será o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. É o fim…
Como pode uma sequência de solução política de possíveis ocupantes do cargo tão desabonadora, assim?
E, pior ainda: não existe, na oposição, no caso da ocorrência de nova eleição, alguém com prestígio, liderança popular e peso político capaz de se eleger presidente e realizar as reformas que devam ser feitas para tirar o Brasil de sua pior crise político-econômica da história.
Isto significa que, no caso de nova eleição, devido a ausência de expressiva liderança da oposição, o novo presidente eleito, ao tentar realizar as reformas desejáveis e necessárias, será tachado de neoliberal e isto estimulará a união e fortalecimento da esquerda que virá com um movimento de rejeição com forte movimentação popular nunca vista neste país.
Aí vai pegar fogo!
Por isso, o Brasil nunca passou por um momento tão propício e oportuno para realizar uma exemplar e desejada reforma política.
Em decorrência, este é o momento ideal para se enterrar, em cova profunda, nosso sistema presidencialista de coalizão – instrumento indutor e motivador da crise política que estamos vivendo, – em que os partidos e os políticos querem, cada vez mais, favores políticos e financeiros em troca de apoio para viabilizar a governabilidade.
Se o impeachment for aprovado vamos trocar apenas os elementos acomodados no mofo. O mofo vai continuar o mesmo e os problemas de governabilidade, também. Esta troca de elementos não irá viabilizar mudanças pois as mesmas não serão de interesse do novo grupo político no poder,como, historicamente, tem acontecido: quem está no poder não aceita mudanças.
Assim, a rejeição do impeachment poderá, como represália dos partidos e políticos derrotados, estimular e viabilizar uma reforma política com o objetivo de restringir poderes da presidente Dilma que, para o Brasil, seria a solução da crise: a proposta e aprovação pelo Congresso do sistema parlamentarista, onde as crises políticas são resolvidas rapidamente pelo Congresso Nacional, sem causar traumas tão fortes e duradouras em toda sociedade e na economia.
Portanto, vamos torcer pela rejeição do impeachment como elemento propulsor de uma reforma política capaz de colocar os políticos na trilha da moral e da ética.
(Walter Chaves Marim, professor universitário, economista com mestrado pela FGV e curso de doutorado pela USP)