Quanto pior, melhor. Desgraçados
Redação DM
Publicado em 10 de julho de 2017 às 23:47 | Atualizado há 9 anos
Quanto pior, melhor, tem sido a disseminação política de grande parte da esquerda, numa tentativa doentia de retornar o poder com Lula. Na verdade, é o tipo de pensamento de quem quer ver o “circo pegar fogo”.
Não desejando ou lutando pelo bem do Brasil. Como defendendo as reformas.
Se tirar o Temer, o Rodrigo Maia sofrerá também a berlinda. A pecha de golpista, anote o que digo, será o tom dos lulistas e dilmistas recalcados. Por quê? Na simples leitura, como o Lula ocupa supostas vantagens nas pesquisas eleitorais, eles querem o retorno ao poder.
O governo Michel Temer é acusado de golpista. As últimas eleições demonstraram claramente que o eleitorado havia cansado dos petistas no poder. O povo saiu às ruas pedindo a cassação de Dilma. Seu governo era acusado de ferir normas constitucionais, sobretudo os ajustes fiscais. O seu governo gastava mais que a lei determinava. Por isso e por sua inoperância, seu mandato foi cassado.
A Petrobras, criada no governo Vargas para alavancar a indústria brasileira e um ícone dos brasileiros visando a redenção econômica em termos de petróleo, foi jogada à lama. O rio de lama de Mariana é fichinha numa comparação com os escândalos da Petrobras. Se um fere a moral e os bons costumes, o outro nos comove pelo profundo desastre ambiental.
Se antes o Brasil vendia para os turistas estrangeiros a imagem do turismo sexual, envolvendo as mulheres negras, hoje o País vende a imagem da corrupção. Ainda bem que a Justiça, onde um juiz capitaneado por Sérgio Moro, está atendendo aos reclamos da sociedade brasileira nas praças públicas. E não pode parar.
Vejo muito brasileiros reclamando que os políticos e empresários corruptos não estão na cadeia. Estão se esquecendo que “muita gente boa”, boa na minha ironia, está na cadeia ou com tornozeleira sem sair de casa.
Aliás, passando por Buenos Aires, capital da Argentina, semanas atrás, tive contato com várias pessoas. Os argentinos demonstravam satisfação com a punição dos ladrões do dinheiro do erário brasileiro. Mas, lamentavam que os corruptos oriundos do populismo argentino, sobretudo da família Kirchner, nem sofrem ameaças.
A Argentina, por sinal, faz adoração ao peronismo. No cemitério central de Buenos Aires, Evita, que foi mulher de Perón, é reverenciada como santa.
Temer, que sucedeu Dilma, formou uma equipe econômica de alto nível, comandada por Henrique Meirelles. O novo governo estava resgatando a imagem brasileira. Os investidores nacionais e internacionais estavam olhando o Brasil bons olhos. A inflação estava contida e em patamar civilizado. Os juros sofreram baixas. Mas, o País entra em nova crise política.
Enfim, era o momento de resgatar as consideráveis perdas, legado dos governos petistas nos últimos 14 anos. O Brasil tem atualmente quase 14 milhões de desempregados. Sua consequência social é inusitada. É como se o País saísse de uma guerra. Esse buraco negro na história brasileira não é legado do Temer. Longe de querer defendê-lo de unhas e dentes. Mas, justiça se faça.
Onde o Temer errou? Na questão da mala com dinheiro. Não se trata de coisa do passado. Mas, do presente. O presidente demonstrou com esse ato uma burrice sem precedentes. Ele como político antigo, velho raposa, jamais poderia ter entrado num processo de ordem ética. Deu asas para os petistas alçarem vôos. Mesmo que curto.
O Lula, acossado por Moro ante a rede de corrupção em seu governo (ou desgoverno?), se dá ao cinismo de exigir “provas” de seus atos ilícitos. Como sempre. Não sabe, não viu nem ouviu.
É impossível um presidente desconhecer que seus ministros imediatos, como Dirceu, Palocci, entre tantos outros, estavam cometendo práticas ilegais e imorais. Para não dizer: roubando. Quanto joga a responsabilidade na eventual compra do sítio e do triplex a dona Marisa, sua esposa, para se livrar da justiça, eu chamo de quê?
O cara não assume nada.
E os petistas (salvo alguns, claro) o querem de volta nas próximas eleições. Só mesmo estando com o diabo no corpo, como diria o nordestino. A desculpa é de que contra ele “nada foi provado”. Gente, deixe a inocência de lado. O cara de pau usa “laranjas”.
(Wandell Seixas é jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás. Ex-bolsista em cooperativismo agropecuário pela Histradut, em Tel Aviv, Israel. Autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)