Brasil

Queremos candidatos que nos emocionem – mas eficientes  

Redação DM

Publicado em 12 de janeiro de 2016 às 01:06 | Atualizado há 10 anos

Na última terça-feira, encontrei um Giuseppe Vecchi entusiasmado com a possibilidade de ser candidato a prefeito de Goiânia. Dentre outras coisas, ele disse que o sistema de ciclofaixas da Capital é perigoso, analisou suas condições políticas e reconheceu que há 20 ou mais anos não anda de ônibus.

Vecchi é o primeiro pré-candidato sério e que devemos prestar atenção para a disputa de 2016. Trata-se de homem público já conhecido pela franqueza, que muitas vezes é confundida como indelicadeza.

Lembro certa vez que fui direcionado até ele para que ofertasse alguma notícia, como o editor havia combinado. E ele foi claro: “Não tenho nenhuma notícia”.

O deputado federal permanece com o mesmo perfil, pensei após o encontro uma década depois.

Goiânia é uma cidade que não avançou na última e atual década. Patinamos enquanto cidades do interior evoluíram em diversos temas.

As deficiências continuam as mesmas desde 2004, quando Iris Rezende foi candidato e disse que resolveria o problema do transporte e que asfaltaria todas as ruas da capital.

Tenho vergonha quando transito em bairros como Cidade Jardim, Eldorado,  Sudoeste, Universitário e tantos outros, impregnados de buracos vergonhosos e que refletem as gestões irregulares de Nion Albernaz, Darci Accorsi, Pedro Wilson, Iris Rezende e Paulo Garcia. Não raro encontro ruas que jamais receberam asfalto. Por isso digo que todos estes gestores, sem nenhuma dúvida, foram prefeitos lacunosos, com grandes defeitos administrativos e que não são queridos como imaginam.

Pensei então: Goiânia jamais teve um bom gestor. Será que só eu penso assim? É exatamente este desencanto que hoje perpassa inúmeros eleitores, descrentes com nomes, partidos e programas. Como confiar meu voto em gestões que abusaram das empresas públicas com supersalários, que oneraram o cidadão através de uma tributação elevada e que acobertaram desvio de recursos cuja aplicação deveria ser o aprimoramento de um parque de diversões? O instituto que cuida da previdência municipal enfrenta hoje uma dívida de R$ 130 milhões. Em recente reportagem, optei em amenizar o tom da denúncia por um bom motivo: a Prefeitura de Goiânia hoje vive um escândalo atrás do outro. Seria redundante dar destaque para mais um. Que se resolvam os outros.

O eleitor terá uma nova campanha eleitoral em breve. Não sabe nem tem ideia em quem deverá votar. Nunca uma eleição esteve tão indefinida, sem nomes efetivos, com sonhos a apresentar para a população ou propostas executáveis.

Mas desde já deixo um aviso de eleitor para político: o futuro prefeito terá que se eleger com propostas exequiveis. Se lançar artifícios, falsas promessas, e tudo mais, terá uma gestão sabotada como a atual, em que a própria população virou as costas e a despreza.

Na política, nada pior do que a morte civil, a decretação da invisibilidade e o desprezo público. Vencer a eleição será o mal menor. O maior é pensar no que dizer.

Ser candidato, enfim, passou a ser um ministério de fé, isto sim, uma habilidade em crer na habilidade e capacidade de gestão.

Daí que – como leitor – espero os demais candidatos na esfera pública, onde devem demonstrar suas ideias e o conhecimento da atual máquina, que herdarão a partir de janeiro de 2017.

Muitos pré-candidatos se anunciam. Luiz Bittencourt foi um deputado federal correto, com uma atuação presente e que hoje se coloca à disposição dos partidos políticos.  Delegado Waldir Soares é uma revelação que deve ser avaliada. Existe uma grande esperança em Adriana Accorsi e em outros petistas, que não participaram diretamente da gestão atual.

Existem ainda o próprio ex-prefeito Iris Rezende e o ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso, que se dispõe a melhorar uma cidade que está suja, esburacada, sem obras públicas relevantes e que patina nos indicadores sociais, disputando os patamares de cidade mais violenta do mundo (está isto sim dentre as 25, conforme dois levantamentos de entidades especialistas) e com um coeficiente de Gini que a revela como uma das dez mais desiguais do mundo.

Cada candidato precisa medir as palavras agora. Mas é preciso que falem.  Na era da informação em rede, da desterritorialidade, da Lei de Acesso à Informação, disputar uma eleição com os mesmos maneirismos, com o discurso tecnocrata, é querer ser figurativo em pleno império das abstrações. Mais do que político, queremos um político que seja um artista, que seja eficiente e nos emocione. Estamos esperando diálogo.

Welliton Carlos é advogado, jornalista e pesquisador da UFG no Programa de Mestrado da Faculdade de Direito

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