Brasil

Reação humana aos Tempos Líquidos

Redação DM

Publicado em 6 de outubro de 2015 às 22:39 | Atualizado há 11 anos

A obra do polonês Zygmunt Bauman é uma referência histórica do nosso momento no planeta. O retrato de uma geração pode ser expandido para gerações que para se adaptar no mundo tornam-se fugazes, rápidas, de relações e tratamento efêmeros. O conceito líquido do sociólogo assume seu ápice na obra Tempos Líquidos. As relações escorrem pelos vãos dos dedos, é o que sentencia Bauman. De fato, tornamo-nos diariamente mais distantes uns dos outros e trocamos nossas relações, sejam profissionais ou amorosas, sem se preocupar em deixar tudo para trás.

A pressa do mundo nos reinventou como humanos. Fruto disto – e não o contrário – a tecnologia vem para nos gerar conforto, sim, mas também reafirmar nosso isolamento. O universo multifunções, com múltiplas possibilidades de conversas simultâneas nos faz pensar que um diálogo atencioso a uma única pessoa é uma perda de tempo. O contato humano tornou-se item raro e até mesmo subvalorizado numa Cultura de meio eletrônicos que nos ofertam tantas possibilidades de ficarmos sozinhos, mas cercados de gente que não existe, com cheiro e aparência que muitas vezes não conhecemos.

A aproximação do homem com a máquina o torna imediatamente distante das relações humanas com seus pares. Estamos, mais que reféns, mas optantes de uma escolha incisiva pela máquina, pelas relações diante de uma tela de um smartphone, tablet ou computador. Nem mesmo estamos parando para obter este contato, hoje ele acontece enquanto andamos cabisbaixos, observando a tela do celular, rindo sozinhos, ou pior ainda: enquanto dirigimos e colocamos a nossa vida e a de centenas em risco eminente de provocarmos um acidente a qualquer momento.

Estes conceitos nos têm chamado a atenção na gestão pública e nas relações com os diversos agentes públicos envolvidos neste processo. Desde que assumimos a administração municipal, temos feito um trabalho insistente de promover o ser humano como peça principal no processo de busca pela excelência no atendimento ao cidadão e na prestação de serviços ao povo de Anápolis. Nossas máquinas, adquiridas a preços caríssimos para atender as mais diversas áreas não podem protagonizar um processo que pertence aos nossos profissionais.

O atendimento da população através do contato na prestação de serviços é um item decisivo para humanizar estas relações e estabelecer um novo padrão na resolução dos problemas cotidianos. Máquinas tem respostas únicas e não geram possibilidades. Nós, humanos, quando qualificados, somos capazes de resolver quaisquer desafios e gargalos. Seja numa questão empresarial, num atendimento na Educação, na recepção de pacientes em nossos hospitais e postos de Saúde, entre outros.

Por isto, temos perseguido a qualificação de nossa equipe e de nossos servidores. Queremos gente cuidando de gente. O homem como criação de Deus, ao se afastar do contato com seus pares, igualmente se afasta do Criador e de todas as orientações que nos torna civilizados e sensíveis ao outro. Queremos estabelecer relações e curar, recuperar, reinventar aquelas que estão fragilizadas. Não podemos descartar grupos ou pessoas como peças de reposição, mas do contrário: dialogar, ouvir, atender e negociar suas demandas, aprofundando as relações. Temos feito isto diariamente no contato com sindicatos, servidores, associações de serviço, grupos sociais ou religiosos. Atender e conversar é gerir de forma mais humana uma cidade. E esperamos que este conceito seja cada vez mais espalhado em todos os nossos colaboradores para que possam compreender que tratar de gente nos faz mais gente, mais humanos, mais reais.

 

(João Gomes é prefeito de Anápolis)

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