Reencarnação e missão
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2016 às 02:49 | Atualizado há 10 anos1
Faço escavações no passado e reencontro minha alma antiga: amo, arqueologispiritualmente meus subterrâneos.
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Ou fiz tudo correto, meu Deus, ou tenho a consciência distorcida para o autojulgamento. Não peço prêmio pelo que cumpri: peço castigo pelo que não fiz. Pois amo o bem, a perfeição, o céu.
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Vivem almas na terra impregnadas de poesia até um dia desprenderem-se para o céu. Chegam almas do céu em busca de poesia até um dia povoar-se de almas a terra.
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Há um rastro de lembranças que me vem de outras vidas. Há um Deus que faz nascer outro de mim, que não lembro. Há outras vidas ao meu lado, sombras de um viver antigo. Há por trás do sonho, um amor onde encontro meu abrigo.
A vida é uma transformação contínua e a morte é a transformação de uma vida em outra vida, que ressurge como a planta que brota de uma mesma cepa que ficou adormecida em outro chão.
Lavoisier: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.”
O dogma da ressurreição da carne (cânone bíblico) é a consagração da reencarnação ensinada pelos espíritos. Não no sentido da recomposição da matéria que se desintegra, mas do ressurgir de nova existência segundo o princípio da mutação contínua.
O corpo que morreu não renasce: o espírito ressurge em um corpo novo. Os espíritos se encarnam para cumprirem uma pena ou uma missão e para colaborarem na obra divina da criação.
O espírito é a própria alma quando encarnado e seu envoltório que a liga ao corpo é o perispírito. O espírito, ou alma preexiste ao corpo e a ele sobrexiste. A alma é, portanto o espírito encarnado: deixando o corpo que perdeu a vida, volta ao mundo dos espíritos.
A reencarnação faz parte da justiça divina, dando nova oportunidade de autoaperfeiçoamento ao espírito. Injusta seria a condenação eterna, visto que o espírito existe para servir aos desígnios de Deus.
A reencarnação pode se cumprir neste e noutros mundos, sempre voltada para os mesmos fins do autoaperfeiçoamento do espírito, quer por expiação ou por missão.
Os espíritos são individualizados como os seres humanos, mas não lhes pertencem: os seres humanos é que pertencem aos espíritos. Os espíritos se encontram após a morte e se reconhecem segundo as afeições que tinham na vida corporal.
Assim como as afeições, também os laços de parentesco repetem-se entre os espíritos por sucessivas existências, embora não procedam uns dos outros como na genealogia humana. Os espíritos simpáticos se atraem por afinidade e não por consanguinidade, eis que os espíritos não se sucedem em família.
O culto aos antepassados não vale por orgulho de seus descendentes em razão de títulos, posição ou fortuna, mas pelas boas ações que aqueles tenham praticado.
Assim como a árvore não se assemelha à sua semente, o espírito reencarnado não é mais o princípio inteligente que o gerou como acontece com os demais entes da natureza.
O espírito pressente sua reencarnação, como o vivente tem certeza de sua desencarnação, mas não sabe quando. Kardec: “A reencarnação é uma necessidade da vida espiritual, como a morte é uma necessidade da vida corporal.”
A união da alma e do corpo começa na concepção e se completa no nascimento com vida. Mas o neonato não vive, se recusado pelo espírito que lhe foi designado.
A morte quase sempre se dá pelas imperfeições da matéria. A morte não é o fim, é a transformação do ser humano que passa da vida animal à vida espiritual.
Reencarnação não seria renascimento, mas união do espírito a outro corpo. Então, não há necessariamente tantos corpos quantos espíritos. O espírito encarnado tem sua individualidade. No ser humano se encarna um só espírito, que se inclina para o bem ou para o mal.
Kardec: “Os prelúdios da reencarnação são uma espécie de agonia para o espírito. Ele deixa o mundo dos espíritos pelo mundo corporal, como o homem deixa o mundo corporal pelo mundo dos espíritos. / O espírito é designado antes do instante em que se deve unir ao corpo. / Como expiação, o espírito pode ser constrangido a se unir a um corpo que poderá vir a ser para ele um instrumento de castigo.”
O momento da reencarnação, assim como da desencarnação, pode ser acompanhado dos espíritos amigos, tanto da vida corporal quanto da vida espiritual.
O espírito reencarnado recomeça sua trajetória para desenvolver-se gradualmente tal como se desenvolve o corpo que lhe serve de instrumento. As faculdades do espírito se manifestam na medida da potencialidade dos órgãos físicos que o agasalham.
O espírito não se desenvolve globalmente: em cada etapa de sua reencarnação desenvolve mais uma que outra aptidão. O desenvolvimento do espírito desde a infância segue uma lei natural de evolução que pode ser dinamizada pelos meios de sua própria educação.
O espírito que anima o corpo de uma criança pode ser mais desenvolvido que o de um adulto. No entanto progride gradualmente como a criança até alcançar a idade da razão. Mas morrendo prematuramente a criança, o espírito retoma seu antigo vigor.
(Emílio Vieira, professor universitário, advogado e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, da União Brasileira de Escritores de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa. E-mail: [email protected])