Relações familiares
Redação DM
Publicado em 29 de junho de 2016 às 02:47 | Atualizado há 10 anos
Nesta sociedade permissiva e pagã em que vivemos, as duas relações que constituem a família em sentido estrito: marido-mulher e pais-filhos, não estão apenas em segundo plano mas, por muitos, são desprezadas e consideradas relações falidas, ultrapassadas. Mesmo entre os que afirmam ter religião e/ou fé em Deus não encontramos a convicção de que a família é Projeto Divino, e o lugar privilegiado para a vida acontecer e se desenvolver com segurança e qualidade.
No dia a dia, a família é atingida por dezenas de males: vícios, falta de fé, de tempo e de dinheiro, imposições sexuais, uso indiscriminado de celular e redes sociais- inversão total de valores. De maneira negativa, a convivência familiar é influenciada o tempo todo pelos meios de comunicação social, que promovem a inversão de valores e a mudança de papéis: o homem não é mais a cabeça nem o único provedor, e quem mais influencia na criação dos filhos é a mulher, basta ver as roupas que os filhos usam.
Os casais vivem um divórcio prático: indiferença, falta de diálogo e de perdão, falta de amizade e bondade, fazendo de suas casas verdadeiras repúblicas, onde cada cônjuge busca interesses próprios e dividem, não somente as tarefas, mas também as despesas, que são divididas ao meio. O dinheiro dele é dele e o dinheiro dela é dela. Até o ato sexual é destituído de comunhão e afeto. Tanto é que para muitos casais o sexo é uma barganha, a mulher oferece o serviço e o homem paga por ele, o que é uma forma disfarçada de prostituição. Os princípios cristãos da união conjugal, unitivo e procriativo, são totalmente ignorados. A continuar assim, marido e mulher não serão mais que dois estranhos envolvidos numa relação puramente social e comercial, onde cada um age por conveniência, e não mais pelo desejo sincero de dar a vida pelo bem do outro e da família.
Se, hoje, o matrimônio encontra tanta dificuldade de se manter unido, é porque enfraqueceu o espírito de sacrifício e apenas se quer só receber do outro, antes de se dar ao outro. A relação pais-filhos, por sua vez, não é menos sofrida pela falta de comunhão e autoridade dos pais que pensam e agem de maneira divergente. Não, raramente, os filhos são peso para os pais que não têm tempo para lhes oferecer e os colocam sob os dissabores da terceirização, porque pai e mãe são insubstituíveis nessa relação fraterna.
Quero aqui fazer memória de um acontecimento recente que presenciei, para que os pais compreendam quão grande e importante é a sua presença amorosa e firme na vida dos filhos. “De quem você gosta mais, meu filho, do papai ou da mamãe? De quem gosto mais, papai, sinceramente, é do Jorge. Mas quem é esse Jorge, disse o pai, surpreendido. Jorge, pai, é o jardineiro do condomínio. Ele é o único que tem tempo para falar comigo todos os dias”.
Essas duas relações de amor e fé: marido-mulher e pais-filhos só podem ser reconstruídas por aqueles que escutam a Palavra de Deus e a praticam, certos de que a casa na rocha resiste a todas as tempestades. O princípio evangélico sim, quando sim, e não, quando não, continua a ser o mais exigido para que a família seja sempre o lugar privilegiado da vida.
O importante é compreender que família é bom demais, quando todos os seus membros assumem o seu papel para proveito comum, pois, o que Deus uniu o homem não pode separar.
“Família é bom demais. Somos tantos em um só coração: valores, conquistas, defeitos. Nos amamos desse jeito e não somos perfeitos, não”.
(Pe. Luiz Augusto, Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus)