Brasil

Restauração e reforma do Centro Cultural “Santo Agostinho” de Mineiros

Redação DM

Publicado em 13 de outubro de 2015 às 23:51 | Atualizado há 11 anos

Ao escrever Introdução ao Estudo da Educação em Mineiros, em textos publicados nesse jornal, a fazer parte de livro acadêmico na Unifimes, abordo sobre a temática do primeiro ginásio da cidade, também chamado Colégio “Santo Agostinho”, criado pela Lei Municipal nº 48, de 4 de março de 1950, gestão do prefeito Abel Martins Paniago, transformado em Centro Cultural “Santo Agostinho” pela Lei nº 729, de 22 de abril de 1997, gestor Aderaldo Cunha Barcelos, merecendo destaque o fato de ainda ter duas pessoas vivas e atuantes em Mineiros que ajudaram a fundá-lo: o médico, dr. Francisco Filgueiras Júnior e o fazendeiro e político Antônio Paniago, ambos com mais de 90 anos, o primeiro como presidente e o segundo secretário de uma Comissão criada para dirigir e construir o prédio, feito, aliás, em estilo arquitetônico art dèco; não podendo esquecer, dentre outras pessoas, a decisiva participação do prefeito José Feliciano de Moraes na instalação e funcionamento inicial do Ginásio, trazendo, inclusive, irmãs religiosas para dirigi-lo.

Segundo a Lei nº 751, de 2 de julho de 1997, e a oportuna participação dos membros da Academia Mineirense de Letras e Artes, o antigo Ginásio Santo Agostinho foi parcialmente tombado, como o primeiro prédio assim definido nessa terra, passando a se constituir num Patrimônio Histórico Municipal, admitindo a restauração do prédio e autorizando ao chefe do Poder Executivo a promover a licitação necessária para as obras do “restauro”, com recursos do orçamento municipal, momento no qual também foi feito o primeiro Projeto Oficial de Restauração e Reforma deste Centro Cultural “Santo Agostinho”, revisto e atualizado não sei quantas vezes, em que pese, até o presente, sem execução, 18 anos depois! Até o escriba foi secretário da Cultura e Turismo nesse período! Notando-se que não foi por falta de projetos, encaminhados para todas as repartições necessárias, aqui e alhures; nem da mais entusiástica iniciativa dos que defendem a Cultura local, entre os quais me incluo com os meus desapontamentos, sem, contudo, alcançar os meus brios, meus sonhos e infinitos objetivos intelectuais, muito menos a minha última esperança que, por sinal, como me socorre Santo Agostinho, tem duas filhas lindas: a indignação nos ensinando a não aceitar as coisas como estão; e a coragem para mudá-las.

Foi assim que a luta prosseguiu. No Brasil, intelectuais e artistas em geral, por estranho que pareça, vivem de decepção e da última das esperanças, vendo-se que se passaram quatro mandatos, sem reforma ou restauração alguma, certamente porque os políticos no Brasil, talvez por unanimidade, só tratam a Cultura como assunto acessório da administração pública. É incrível como ainda não sei que pedagogia ou remédio adotar. Mais das vezes, de tão deslumbrados, para não dizer ensimesmados com o poder político, se esquecem de que o direito não socorre os que dormem (Dormientibus non socorritu jus); sendo assim que Aderaldo, Lacy Rezende e Neiba Maria Moraes Barcelos  (por duas gestões), da qual fui secretário da Cultura e Turismo por oito anos, fecharam o longo período acima citado, sem perceberem a importância histórica e cultural do prédio a ser restaurado.

Vale dizer que só faltou ao escriba, em favor da cidade, o requisito essencial da administração pública, com o qual executaria a obra: a “vontade política” imprescindível.  Vejam que só não considero uma frustração, porque sou, antes de tudo, um forte. De todo modo, desejo manter minha gratidão à ex-prefeita Neiba Barcelos, por minha escolha, sabendo ela que fiz o principal e o possível, já do conhecimento público; planejado e fundado no Projeto “Mineiros Tem História”; considerando como vitórias e conquistas inesquecíveis, a criação da Secretaria da Cultura e Turismo, o Museu da Memória e Arquivo Histórico, dependendo de local a se instalarem, os emblemáticos Festivais de Música Popular Brasileira em nível nacional, os Juninões animados, a reforma estrutural da Biblioteca Irmã Maria de Lourdes, os Monumentos Gigantes do Trevo da cidade e Entrada do Parque Nacional das Emas (arte do artista plástico Sinval Carvalho), seriedade ao fenômeno “Cultura” e a entusiástica e rica participação dos que me ajudaram: Marta Brandão, Maria Ivaldete, Cleuza Carrijo, Marelo, Naila, Renato, Toninho Gomes, Marcelo Souto, Jorcy, Luziano Rodrigues, sem os quais não teria feito o que fiz.

Já na apresentação e objetivos do Projeto, vê-se a sua grande importância histórica, cultural e artística, numa cidade de tão rica diversidade ecológica e formação étnica, fazendo a diferença; de economia realçada pela agropecuária, agricultura mecanizada, familiar e de serviços, típica de emergente “cidade industrial”, evidenciando muitas festas e iniciativas artísticas, tornando-a pólo de irradiação cultural até em nível universitário; não podendo esquecer que de 1950 a 1978, aproximadamente, o Ginásio Santo Agostinho foi precursor da formação cultural e educacional da população local, ora com aproximados 70 mil habitantes, virando “um ponto de referência de nossas raízes históricas”, exigindo a restauração e reforma; justificando ser Mineiros um ambiente propício ao turismo ecológico e às belezas, sobretudo cênicas; adequado a muitas outras diversidades culturais, carentes das reformas mencionadas; atendendo desse modo, com maior ênfase, ao plano cultural e turístico do município; acreditando ser por isso que Mineiros virou um palco de inúmeras belezas, começando pela mística e assombradas da Pedra Aparada; da ecológica e cativante do Parque Nacional das Emas, Patrimônio Natural da Humanidade (2001) e a das águas encantadas do Rio Formoso; sem omitir a das belas nascentes do Rio Araguaia, facilitando o encontro dos três Estados do Centro-Oeste: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no mais plano e ignoto dos cumes da Serra dos Caiapós, na erudita linguagem de Euclides da Cunha.

Enfim, a sorte recaiu no atual prefeito, Agenor Rezende, e sua equipe, destacada pelo secretário da Cultura e Turismo, Sebastião Pereira Alves (Perereca), que conseguiu sensibilizar a vontade política do prefeito, a ponto de começar trabalhos, com lançamento previsto durante as comemorações alusivas aos 77 anos de emancipação política e Mineiros, a sonhada restauração e reforma do histórico Ginásio Santo Agostinho, que acredito, decerto tendo como razão de ser dois motivos básicos: primeiro porque, de acordo com o poeta Horácio, há um limite para todas as coisas (Est modus in rebus); segundo, porque o prefeito Agenor, além de encontrar o projeto pronto, as parcerias e verbas definidas (Lei Goyazes com apoio da Comiva e Real Máquinas; Programa Energia Social da Odebrecht e Prefeitura de Mineiros), o prefeito nasceu com sina e estrela de poucos, sendo, portanto, uma pessoa privilegiada pelos mistérios da sorte, seja invenção de profetas ou predestinação divina, fato começado quando foi o ungido como presidente da Assembleia Legislativa goiana e governador do Estado, se não bastasse morar e casar por aqui, onde também é chamado “Agenor da Lacy”! Conforme livro bíblico, dos mais empolgantes, nesta nossa vida há tempo para tudo, onde são muitas as moradas e poucas as prerrogativas. Agenor é uma delas. Imagino ter sido por isso que o grande escritor Cervantes (1547-1616), em Dom Quixote, Parte Segunda, Capítulo V, advertiu:

“Sempre tenho ouvido meus avoengos dizerem que aquele que não sabe gozar a sorte quando ela vem, não deve queixar-se se ela lhe passa ao lado.”.

Como enfatizado: o direito não socorre os que dormem.

 

(Martiniano J. Silva, membro do Movimento Negro Unificado (MNU), da Academia Goiana de Letras e Mineirense de Letras e Artes, IHGGO, Ubego, mestre em história social pela UFG, professor universitário, articulista do DM [email protected])

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