Ruídos do esquecimento
Redação DM
Publicado em 16 de julho de 2016 às 03:02 | Atualizado há 10 anosPouco importa se o amanhã
e o depois de amanhã
São sombrios como uma
floresta desconhecida
Os homens e as mulheres
de meu país são fortes
Os canalhas também,
mas serão extintos sob a tempestade.
Todos fomos às ruas,
ou quase todos, e clamamos
No dia seguinte os donos do
país acordaram lerdos
Fizeram que nada sabiam,
e como fora domingo à tarde,
Só discutiram futebol e
oradores no Congresso ignoraram
Todas as ruas do país foram
esquecidas, principalmente as principais
Onde se falou de corrupção
generalizada e mortal
Onde os blocos repudiavam as
injúrias, não eram marchas de carnaval.
As instituições, ficções criadas
pelo homem sábio, para escapar
Da navalha na carne, da lâmina
impiedosa, do tiro democrático
Funcionavam normalmente,
havia românticos cantando no mar?
Até hoje os petrificados proprietários
da autoridade política
Continuam a fingir que o anseio
era um passeio, uma nonada
Afinal, o país tem leis, elas são
muitas, e a massa paralítica.
(Amadeu Garrido, advogado e poeta. Autor do livro Universo Invisível, membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas)