Brasil

Senso e contrassenso

Redação DM

Publicado em 8 de janeiro de 2016 às 23:06 | Atualizado há 10 anos

Assisto o noticiário da RBS nesta quinta, 7 de janeiro, e o repórter está indignado: violenta agressão ambiental no norte da ilha de Florianópolis.

Uma empresa abriu rua de talvez, seis metros de largura, numa extensão de aproximadamente 700 metros, dentro de área de preservação permanente (APP). Quase meio hectare destruído porque parece haver interesse na especulação imobiliária. Ouço técnico da defesa ambiental dizendo que a multa será superior a trezentos mil reais, e que os criminosos terão que recuperar a área atingida.

Para entendimento, desde a década de sessenta, participo de assuntos que envolvam ambiente e meio ambiente. Pelo que vi na TV, as motoniveladoras retiraram entre 10 e 20 cm de solo. Máquinas pesadas trabalharam na área desde 20 de dezembro e em 01 de janeiro de 2016, ainda estavam lá, mexendo no terreno e afrontando a lei, com total ausência de fiscalização pública.

Então, com todo o respeito aos profissionais do meio ambiente, vocês estão pelo menos duas semanas atrasados. Talvez a carência de profissionais em seus quadros seja o problema, porém, de novo com todo o respeito, custo a crer. E por quê?

Explico: ontem, dia 6 de janeiro, passei o dia curtindo Floripa e arredores. Visitei o Parque Municipal do Morro da Cruz, praticamente no centro da cidade. Com minha família, e ciceroneados pela amiga Keli, percorremos as trilhas, vimos a grande diversidade da flora local e curtimos a melhor vista panorâmica da cidade que jamais havia presenciado até então.  Uma funcionária extremamente simpática e muito solicita, convidou-me a assinar o livro de visita. Concordei de imediato e chamei minha turma para assinar também. E surpresa, surpresinha: Éramos os primeiros visitantes do ano de 2016. Uau, quase caí de costas…Que descaso com a natureza!

Afinal, era o terceiro dia útil do ano, eram quase 11 horas da manhã, e o parque só tinha alguns funcionários e nossa pequena caravana de sete pessoas.

Depois, em rápida “interneteada”, descobri que o referido parque foi inaugurado em fins de 2013, como mais uma forma de lazer em meio à natureza, e foi revitalizado em 2015 com a P. M. investindo cerca de R$ 300 mil (jornal horasc em 12 de junho de 2015). O parque encanta quem visita, entretanto, está sem visitantes e isto, além de não fazer sentido, só tem uma explicação plausível: a prefeitura não faz divulgação do parque. Porém, se faz, faz muito mal.

Com a palavra, o prefeito César Souza Filho. Não sou de Florianópolis, sou turista que paga impostos, e, portanto, tenho direito de resposta.

Voltando ao por que lá do alto:

No meu ponto de vista, o Ibama não deve exigir que os infratores recuperem a área destruída no norte da ilha. Primeiro porque isto é impossível, e os edafologistas, os estudiosos de microbiologia de solos e os agrônomos estudiosos, sabem que esta afirmativa é correta. Segundo porque, se o estrago está feito, e é irremediável no curto prazo, parece-me que a melhor alternativa é usar a estrada aberta, para que turistas visitem a mata atlântica (com suas bromélias, guapuruvus, jacotirões, cedros, ingazeiros, goiabeiras, palmiteiros, e outras 1845 espécies vegetais). Já que ninguém visita o Parque do Morro da Cruz, que sabe não seria interessante viabilizar “conheça a mata atlântica em Floripa, sem sair do conforto de seu automóvel”.

Outra coisa, multa de R$ 300 mil, fazem os bandidos de colarinho branco, desmaiar de tanto rir! Isso, para eles, é troco para a “branquinha”.

Mas e Dilma? Ora, Dilma se alegra e ainda mais agora com o segundo netinho da vovó. E ela tem certeza que com a estabilidade econômica, com a volta da CPMF, com o aumento de todos os impostos, com o reforço destes trezentos mil (tudo ajuda), Tudo Vai Dar Certo.

Mas, sou homem justo, e qualidade ímpar e inegável de Dilma é a sua Mendacidade.

Esperem para ver…

 

(João Antonio Pagliosa, engenheiro agrônomo, escritor e palestrante – www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br)

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