Brasil

Ser o que há de melhor em nós

Redação DM

Publicado em 30 de dezembro de 2015 às 22:36 | Atualizado há 11 anos

Caminhei para o sol e o mesmo me disse que eu tinha que conhecer a chuva. As águas que caíam me diziam: “É preciso descobrir a terra”, e por sua vez a terra me falou: “Entra no âmago da semente para sentir o fruto.” Teu sabor entrou no meu corpo e alimentou a minha alma , meu âmago proclamou: “Vai conheças o ser” e meus olhos se encheram de colheita de claridades fora do sistema da luz que conhecemos.

Sem perceber todos me vestiam de sons de sol-chuva e meu ser fecundou a terra sedenta de prazer de ‘ser’ fruto, em um lugar capaz de produzir humanidades… Assim perguntei a mim mesmo: que gosto tem o saber que nos faz existir?… Não tive resposta e não me contive, fui de novo ao sol e lhe disse: “Eu quero ser você.” A luz do sol gritou: “Seja o que há de melhor em ti.”  Não contente, caminhei até a chuva e implorei: “Eu quero ser as tuas águas.” Então docilmente  a chuva me perguntou: “Para que serve seus caminhos?” Respondi: “Vim até ti para ser você… para sentir…”

Daquele dia em diante me fiz molhado, sem saber o que fazer com isso nadei até a semente e ela me deu raízes. Abracei o vento pelas trepadeiras das árvores, ganhei o céu, subi até  as estrelas e lá outras claridade me convidaram para a noite, em que a lua discursava sobre o ser…

Perdido no espaço, eu lancei meu grito pelo infinito e Deus me chamou para uma conversa de sonhos. Ali acumulei poesia e luminosidade da  política da alma- física e quando menos esperava uma nuvem me fez descer de novo a Terra com corpo de arte e  me vi seduzido pelo espaço natural do que somos. Daí por diante descobri que somente através do conhecimento das coisas do lado de fora e de dentro do ser é que chegamos a existir.

Somos a soma de nós mesmo com tudo que nos rodeia… A viagem  mais profunda  que realizamos é dentro de nós para a construção do nosso próprio saber… E foi assim que descobri que para existir é preciso saber e fazer… para que o sonho aconteça em nome do “ser” das humanidades…

Que  2016 seja para sempre o que deseja ser!

 

(Marlos Pedrosa, escritor, teatrólogo e palhaço pequi)

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