Serenata no céu
Redação DM
Publicado em 22 de novembro de 2017 às 23:27 | Atualizado há 9 anos
Recentemente tenho visto e vivido muitas experiências de luto em família. Faz parte do ciclo da vida o fim de qualquer existência, causada pela morte.
Todo ser vivo, animal ou planta, dotado de carbono, tem um destino certo: o fim, mais cedo ou mais tarde. Como se houvesse uma reciclagem da vida, sendo desenvolvida por novos seres vivos, novas vivências e aprendizados.
Ainda que muitos erros e atrocidades apareçam, novas oportunidades para aprender surgem a cada momento, ainda que não aproveitadas.
Semana passada o querido amigo (e ex-vizinho) William José (pessoa muito conhecida em Goiás) foi expor sua voz belíssima no plano celestial. Muita gente sente saudades! Papo saudável no telefone, risada longa e contagiante… Um dos maiores intérpretes de Roberto Carlos, Tim Maia, boleros… Tive a honra de acompanhar algumas serenatas dele. Atualmente nem serenata há mais. A própria palavra serenata se escreve mais áspera e tem menos sentido sem a presença dele!
Muita gente comenta a filosofia de populares: para morrer, basta estar vivo. A mãe de uma amiga também: nova e saudável, mas de repente deixou aqui apenas a saudade. Uma colega de trabalho, na flor da idade, bateu a moto num buraco da pista (um dos inúmeros buracos de Goiânia) e faleceu no local.
Os cristãos (via de regra), islâmicos e judeus acreditam na ressurreição após a morte. Os espíritas acreditam na reencarnação, retornando à vida material por meio de um novo corpo humano para continuar o processo de evolução. Outras doutrinas acreditam que as pessoas podem renascer no corpo de algum animal ou vegetal. De certa forma as religiões encaram a morte como uma passagem ou viagem de um mundo para outro.
Os gregos também acreditavam na sobrevivência do espírito e no julgamento após a morte, principalmente Platão, Pitágoras e Plotino. Sartre manifesta opinião como uma vida de única existência. Pensamento reforçado pelos niilistas, onde a morte seria o fim de tudo.
Para os budistas, todo ser vive em ciclos de mortes e renascimentos para evoluir e se libertar do carma, entre os renascimentos ou reencarnações em quaisquer seres vivos (inclusive animais), de acordo com a sua própria conduta aqui na Terra.
Os hinduístas também acreditam nisso. Esse ciclo (Roda de Samsara) só acaba após a Iluminação, que ocorre após moksha (a libertação final da lei do carma). Tudo varia pelos pensamentos, palavras e atitudes. Ao morrer ocorre a transmigração da alma, que passa para o corpo de outra pessoa ou para um animal.
Os muçulmanos acreditam que Alá (Deus) trará de volta a vida todos os mortos no último dia. Os evangélicos acreditam que somos corpo, alma e espírito. Acreditam também no julgamento, na graça e na eternidade da alma. Mas a ressurreição só acontecerá quando Jesus voltar à Terra. Acreditam na benevolência e desejam morrer com Cristo, como seu único Deus e Salvador.
Independente da crença, ou de sua ausência, é impossível não lamentar aqueles que amamos, quando não estão mais aqui presentes. Apesar de não concordar com as inúmeras aclamações e homenagens quando os homenageados não estão aqui, acho válido lembrar e celebrar suas memórias. Todos, independente da situação financeira, intelectual, social ou física, são importantes e farão falta a alguém querido.
Guimarães Rosa, nosso maior escritor regionalista, estava de fato certo: as pessoas não morrem. Ficam encantadas. Até a próxima página!
(Leonardo Teixeira, [email protected])