Subsídios para a história do Atlético
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2016 às 02:48 | Atualizado há 10 anos
Temos aqui no nosso Icebo (Instituto Cultural e Educacional-Bariani Ortencio) mais de 3.300 livros sobre Goiás e, de vez em quando, pego um pra rememorar. Dei com o livrinho Subsídios para a História do Atlético, por Lisita Júnior e Lisita Neto. É um livro que todo atleticano deveria ler. Histórico desde a data da fundação, abril de 1937. Contém a relação de todos os jogos com os resultados desde janeiro de 1947, até agosto de 1962, do amadorismo ao profissionalismo. O livro foi publicado em 1963.
E esta crônica é também para subsídios deste livro. Vamos ver:
Do livro – “Não se podia disputar jogos de campeonato em Campinas porque o campo do Atlético não era cercado de muro e, por essa razão, não havia meio de se cobrar ingressos (na época uma entrada custava 3 cruzeiros, meia entrada 2 cruzeiros e senhoras e senhoritas e militares não pagavam). Surgiu a idéia de cercar o campo. Edison Hermano, ainda naquela época, andava às voltas com outros e sérios problemas de ordem interna, quando se deu o desaparecimento dos arquivos do clube na sede social instalada no pavimento superior do Cine Campinas.”
Eu – Quanto ao fechamento do campo a verdade foi essa: Eu, goleiro do Atlético, na década de 1940, fui advertido pelo dr. João de Brito Guimarães, advogado do Clube e primo do dr. Edson Hermano, que poderia ir pra cadeia. Fiquei assustado. Eu tinha 18 anos.
– Ir pra cadeia, eu, doutor? Por que, doutor João?
– Porque você é o tesoureiro do Atlético.
– Sou? Não estou sabendo.
– Pois é e os 100 mil que o prefeito Venerando de Freitas Borges doou para fechar o campo está resumido naquela pilha de tijolos coberta de lodo ao lado; o dinheiro sumiu e o tesoureiro tem que dar explicação. Mas vamos fazer assim: vou marcar uma reunião amanhã à noite na sede do Clube e formar uma nova diretoria.
– Menos eu de tesoureiro…
– Tudo bem.
Foi feita a reunião e colocado Antônio Accioly (mecenas do Clube) como presidente. Acontece que o prefeito Venerando “não tomou conhecimento” (por tratar-se de pessoas influentes) e mandou murar o campo, ao custo de 50 mil cruzeiros, cujo construtor foi o pedreiro João Cavalo, um dos que treinavam no Atlético, apesar de ser manco de uma perna.
Antônio Accioly construiu uma arquibancada de madeira e cercou o campo (de chão) com ripas da Serraria Bariani, parte doada pelo meu avô, Fioravante, pois seus netos, Waldemar e Waldomiro (me chamava de Badu) eram jogadores do seu glorioso Atlético.
Naqueles bons tempos eu tomava conta da bola (única), mandava lavar as camisas com sabonete e enxugar na sombra pra não desbotar. Aprendi na fábrica Stadium, em São Paulo, a consertar bolas de válvula, que eram de couro e com as costuras dos gomos ensebadas. Quando a bola furava durante o jogo, eu a consertava com o material que ficava no fundo da rede. A plateia, nunca mais de 200 pessoas, gritava, dando vaias e assim que a pelota era retornada com um forte balão, virava um delírio com palmas e gritaria!
Do livro – “Foram colocadas à venda com ações de mil cruzeiros, vendidas com espantosa dificuldade.”
Eu – O Bazar Paulistinha, fornecedor de materiais para o Atlético, recebeu 14 dessas ações em pagamentos atrasados. Dei três para cada filho (Luiz Antônio, José Carlos e Cláudio) ficando eu com cinco. Essas ações somente davam direito para assistir aos jogos e isso por pouco tempo, que depois passou a não valer nada.
Do livro – “Edson Hermano, torcedor do Flamengo e do São Paulo, que idealizara o uniforme (Flamengo) e o distintivo (São Paulo) do Atlético, estava disposto a dar ao estádio o nome ao grande craque Arthur Friendereich, da década de 1920”.
Eu – Como Antônio Accioly passou a ser a alma do Clube, e queriam colocar o nome no estádio de Arthur Friendereich (que matou o seu irmão goleiro com um bolaço no peito) e Odon Rodrigues de Morais (torcedor convicto do Goiânia), que desejava que as camisas fossem idênticas às do Botafogo do Rio de Janeiro, saí com uma lista pelo comércio e aos principais campineiros, conseguindo 132 assinaturas para: Estádio Antônio Accioly. Esta lista está publicada em uma das minhas crônicas no O Popular, com 129 assinaturas desvendadas.
Hoje eu não vou mais a estádios. Fico no conforto da televisão torcendo, assim: para o Atlético contra todos. E Vila Nova e Goiás quando jogam com times de fora.
Macktub!
(Bariani Ortencio. [email protected])