Supera a ficção
Redação DM
Publicado em 11 de junho de 2016 às 02:33 | Atualizado há 1 ano
Há décadas acompanho a política brasileira, mas confesso que jamais vi algo parecido com o que está acontecendo em nosso País nesses últimos tempos. Um senador da República preso em pleno exercício do mandato por obstrução da Justiça; o presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na hierarquia da República, afastado do posto e do próprio mandato pelo STF enquanto enfrenta processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara; parlamentares de vários partidos como PT, PMDB, PP e outros atingidos duramente por acusações de corrupção e investigados pela Suprema Corte. Megaempresários presos preventivamente, processados ou já condenados a longas penas. Ex-ministros suspeitos de embolsar dinheiro do petrolão; o presidente do Senado – condutor do processo de impeachment da presidente da República Dilma Rousseff – igualmente enrolado no mesmo escândalo e com prisão pedida pelo procurador geral da República, que igualmente requer o encarceramento de Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara, e de um outro senador – Romero Jucá – ex-ministro de Lula e do atual governo interino. O clima está tão cavernoso que sobrou até para o ex-presidente José Sarney (!), de 86 anos, cuja reclusão – ainda que domiciliar – foi igualmente requerida. Nesse clima de salve-se quem puder em que ninguém sabe se acorda em casa ou no calabouço, Lula – que se diz a viva alma mais honesta “deschtepaís”– contabiliza semanas com as barbas de molho, pois os diversos “rolos” em que está metido – temporariamente sob os “cuidados” do ministro Teori do STF – podem, a qualquer momento, ter às mãos do temível Sergio Moro, juiz da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, o qual já pôs no xadrez e/ou condenou a duras penas dezenas de pilantras na Lava Jato. Por fim temos Dilma Rousseff, a presidente afastada que – como Lula – se diz muito honesta, mas também já foi citada por Delcídio do Amaral, ex-senador, e Nestor Cerveró, ex-diretor de internacional da Petrobras (entre outros) e, enquanto isso, a expectativa geral é de que as novas delações dos megaempresários Leo Pinheiro e Marcelo Odebrecht devam atingi-la em cheio, o que, caso aconteça, a derrubará do pódio em que se vê campeã da honestidade. Simplesmente bizarro. O momento supera a ficção.
(Silvio Natal, via e-mail)
Retrovisor
A imagem da presidente afastada Dilma Rousseff como possuidora de moral ilibada, defendida por seus fanáticos escudeiros, já está maculada e se encontra no retrovisor do veículo desgovernado da corrupção que campeia nos meios políticos e empresariais do País. A transação envolvendo a Refinaria de Pasadena, inexplicável segundo análises técnicas mais simples, a compromete na esteira da delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, na qual este assegura que todo o suspeito processo era de pleno conhecimento de Dilma e que, portanto, ela mentira ao manifestar-se sobre a negociação. Além disso, entre outras denúncias, é lançada a suspeita de que a presidente afastada usava empreiteiras para pagar despesas pessoais e alimentar custos da campanha eleitoral, aquela durante a qual se “fez o diabo”, sem nunca ficar esclarecido em que consistiu o tal “diabo”. Nódoas que dificilmente serão removidas e que comprovam o lado sombrio de sua atuação no poder.
(Paulo Roberto Gotaç, via e-mail)
Marmitex
Conforme as notícias, a ‘competenta presidenta’ gastou nos primeiros 18 dias de afastamento a ‘ninharia’ de R$ 54 mil em seu cartão para despesas com alimentação. Como não poderia deixar de ser, a assessoria vai apurar o vazamento dessa informação sigilosa sobre a ‘segurança’ do palácio. Enquanto isso, em evento com centrais sindicais, no Rio, o inominável criador da criatura revoltado com o presidente em exercício afirmou que Temer não tinha o direito de fazer o que fez, havendo cortado até o almoço de sua cria e ironizou: “Amanhã vamos comer marmitex.” Ex-excelência, vá dizer isso para os 11 milhões de desempregados, dentre eles muitos casais, que nem marmitex têm condições de comprar para ver o que acontece! E depois não venha chorumelar…
(Aparecida D. Gaziolla, via e-mail)

