Um crime perfeito
Redação DM
Publicado em 20 de janeiro de 2016 às 23:48 | Atualizado há 10 anos
A esposa de um rico deputado ficou doente. E seu marido a levou a um médico amigo, a quem perguntou sigilosamente à parte, sem que a companheira tomasse conhecimento:
– É verdade que ela tem que se submeter a uma cirurgia?
– Sim. Respondeu-lhe o médico.
– Pois então, escute…
E o político pretendendo livrar-se da consorte, com o intuito de se casar com outra, a quem amava clandestinamente, ofereceu, ao cirurgião, vultosa quantia para que ele, aproveitando o ensejo da operação, complicasse outro órgão interno da mulher, de forma que culminasse, dentro de certo prazo, em morte normal, para a infeliz.
O grande médico, dominado pela ambição criminosa, três dias depois, assinou o óbito da paciente, embolsou a quantia e mudou-se para um país distante deixando, nos cenários dos homens, registrado mais um crime perfeito, tendo em vista a fragilidade da justiça humana.
Mas quando um dia o médico foi chamado ao Tribunal da Justiça Divina, depois da morte do seu corpo, ficou desesperadamente surpreso ao ser conduzido para um banco de réu…
– Como descobriram? Indagava perplexo, supondo que, enganando os homens, enganava, também, a Deus.
Depois daquela sessão realizada na Espiritualidade, ficou decidido que o criminoso, após determinado período de preparação e dor, renasceria de novo entre os homens, na condição de simples operário de mente retardada em circunstância de certa deficiência, e receberia, como filha, a sua vítima, a quem devotaria amor e cuidados, malgrado a escassez dos seus recursos.
Responda com retidão aos compromissos a que você foi chamado a realizar, perante o próximo, posto que a nossa glória espiritual, ou a nossa derrocada para o sofrimento, depende daquilo de bom ou de ruim que fizemos para ele.
Só não acredita no poder de Deus aquele que, por outro lado, acredita ser possível um crime perfeito.
(Iron Junqueira, escritor)