Brasil

Um time de futebol ideologicamente contaminado

Redação DM

Publicado em 17 de fevereiro de 2016 às 23:43 | Atualizado há 10 anos

Ordo Futebol Clube seria o nome da equipe de desportos, por necessidade legal seriam apenas 11 jogadores em campo, é a regra, mas por obediência à ideologia, o elenco possuiria 245 jogadores contratados e crescendo, alguns não teriam condições de jogar, outros são mulheres, outros ainda nem conseguem andar devido à idade, mas isso não importa, nesse clube haveria  cotas para todos, desde que se ajoelhassem.

A “seleção” teria 03 técnicos, 09 assistentes, 15 treinadores físicos e mais um sem fim de profissionais da área, todos muito bem relacionados com o presidente da agremiação, esse sim seria apenas um e único  – esquecemos  da equipe de segurança: talvez uns 200 ou 300 homens armados e fardados nas cores do time, pelo bem da ordem e progresso.

O patrocínio financeiro seria  todo estatal, obviamente, afinal, receber dinheiro de empresas seria incoerente, mas é claro que se abriria espaço para algumas organizações privadas simpatizantes do regime ou amigas de políticos que são mais amigos de outros políticos e assim, essa questão da vil moeda estaria resolvida.

O salário das  pessoas envolvidas sofreriam um abatimento compulsório em prol da entidade num percentual de 15%, não haveria exceções, talvez uma ou duas, poucos escolhidos por lealdade ao partido, ao time, quer se dizer.

Reclamações, dúvidas, perguntas seriam totalmente proibidas, entrevistas à imprensa apenas aquelas autorizadas e mesmo assim, nunca “ao vivo”, nunca sem uma pequena revisão antes, a segurança seria a responsável por essa norma.

No caso de surgir um craque diferenciado dentre os 11 jogadores oficiais, ele seria imediata e urgentemente retirado do quadro, um exílio necessário,  não se poderia admitir a concorrência desleal com os demais atletas um pouco mais medíocres ou desmotivados.

O objetivo da esquadra é levar adiante a idéia da igualdade esportiva, sob qualquer custo, nem que seja preciso desqualificar alguns grupos ou pessoas, mentiras não teriam importância no conjunto da obra.

No primeiro campeonato do qual participaram, eles não conseguiram vencer nenhuma partida, os salários nunca foram pagos, as centenas de pessoas que estavam ou pretendiam receber sem fazer nada em troca foram os primeiros a abandonar o barco, os atletas reais foram os últimos a sair porque acreditavam no esporte ainda.

A polícia e a justiça investigaram a situação e se descobriu que o presidente do time fugiu com todo o dinheiro angariado há muito tempo, não sem antes distribuir pequenas comissões aqui e ali.

E era assim que aconteceria ou aconteceu num país qualquer que brincou com esse tipo de coisa.

(Peça de Ficção, qualquer semelhança com situações reais semelhantes é mera coincidência).

 

(Olisomar Pires – olisoblog.com)

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