Vanderic, o mago
Redação DM
Publicado em 19 de fevereiro de 2016 às 23:43 | Atualizado há 10 anos
Busco, no mais longínquo cantinho da memória, o momento em que fiquei conhecendo o Manoel Vanderic Correa, filho do sr. Maneco, e só me recordo de estar numa rua e sua irmã Valdete, ainda adolescente, abordou-me, com visível preocupação:
– Iron, quero lhe solicitar, por favor: faça muita prece pro meu irmão, ele está doente, tão mal que não sabemos o que fazer. Então me lembrei de você. Faça prece por ele. Não está bem!
– O Picolé?
– Sim. Disse ela, agora chorando. Pedi-lhe o endereço e ela me passou por escrito, saindo apressada e soluçando.
Eu conheci o Picolé quando ele era menino entre outros, à porta do jornal. Não sabia, porém, se era um jornaleiro ali ou se estava a serviço da firma, porque o Manoel era voltado para diversos afazeres. Era conhecido por todos na cidade. Foi aí que travamos amizade, trabalhando. Olhei seu endereço, enquanto andava, e pareceu-me entender que ele morava pela região da Vila Góis, não sei, foi a impressão que tive. Mas fui tomado por tal dó ante o que me disse sua irmã que acreditei estivesse o Vanderic passando mal. À noite, cheguei à sessão que frequentava e solicitei que concentrassem suas preces a Deus em favor do jovem. Parece que comovi os corações porquanto o pessoal esmerou em suas petitórias ao Alto que, na manhã seguinte, tive notícias de que o amigo tinha vencido o momento difícil.
– Graças a Deus! Exclamei aliviado, achando que já era efeito da prece. Mais dias, menos dias, encontrei Valdete e antes que eu lhe perguntasse pelo Vandeco, ela me dava alentadoras notícias dele. Fiquei feliz sabendo que o colega estava em forma. Passado algum tempo, pergunto à Valdete sobre ele. Afinal, se foram 50 anos e até hoje não sei o que sofreu o colega de trabalho e – acredito! – não saberei jamais se ele, ao menos, estivera doente.
No mais, toda a população conhece a epopeia de labor e realizações do Vanderic. Repórter de jornal em todas as áreas: esportiva, policial, política, redação, notícias gerais, etc. Vivia com um radinho na mão escutando notícias do Brasil afora e, quando não conseguia sintonizar uma grande emissora de onde pudesse colar as últimas novidades, ele corria para o interior de uma das emissoras da cidade, onde havia melhor frequência e, então, aprendia com os grandes locutores da época como fazer um bom texto e, com isso, foi tomando intimidade com a publicidade e com tudo o mais relacionado à comunicação e às letras.
Foi diretor de sucursais dos Diários Associados em Anápolis, chefe de seções e eu o conheci nesse movimento radiofônico quanto jornalístico. O garoto do sr. Maneco mencionou-me numa crônica recente sua, com a qual meteu uma tijolada no meu bronze, fazendo-me recordar os momentos de frio, fome, que enfrentávamos à noite, findos os trabalhos no jornal O Anápolis, que naquele tempo era diário. O Vandeco era o responsável pelas áreas já mencionadas e – eu, tinha a responsabilidade de fazer a revisão, onde renomados colunistas deixavam seus artigos e opiniões para o público ledor. Também ficou sob o meu encargo a coluna “Karabrabo”, de humor, sobre as coisas e pessoas que faziam fatos e notícias. Eram meus personagens nesta coluna os políticos, claro, a Rubra, o Aloisio Marques, Campeão, pela sua bondade e soma de imensuráveis talentos. Era goleiro, o craque de todos, cantor, vibrava seu violão à noite, pelos bares da cidade e em certa madrugada, enquanto soltava sua voz excelente numa canção romântica, alguém, ao final desta, fala da habilidade do artista e pega dele o instrumento musical, relata seus lances de cantor versátil, retira, do interior do violão, calcinhas de mulheres que ele guardava ali, o que era motivo de alegria para todos, inclusive para ele. Mas, do Campeão, deixemos para falar proximamente; era um personagem que merece, qual o Vanderic, um capítulo especial, devido à importância histórica de sua pessoa pública, quanto aos seus dons e feitos de amigo leal e humilde. Voltemos ao nosso vulto exponencial de hoje.
Manoel Vanderic, incansável trabalhador, esforçado em tudo que ansiava fazer, foi crescendo diante de todos, principalmente da cidade, e com seus poderes de mago, é procurado por políticos e empresários para oferecer suas ideias de administração, comunicação e publicidade, áreas nas quais ficou sendo celebridade nos mais variados setores de atividades humanas.
Montou seu escritório de trabalho, enquanto eu produzia roteiros de VTs para televisão. O líder na propaganda regional, dentre outros que iam aparecendo por anos seguidos, centralizou a propaganda veicular principalmente nos ônibus da TCA, e outras grandes firmas que ajudou a crescer e expandir, devido à sua criatividade fácil e fértil, pois Manoel Vanderic é um fenômeno que não para de bolar programas, oferecer ideias, engendrar uma coisa e outra diante dos desafios que aparecem para ele ou para os outros.
Temos vários amigos em comum. Um deles é o Júlio Alves que, bem ou mal humorado, não tira o Vandeco da cabeça, porque diz:
– O Vanderic, antes de a gente terminar um trabalho solicitado por ele, chega, aqui, nos trazendo mais uma tonelada de serviço.
– Mas, isto, não é bom? Indago.
– Claro! Porque eu vivo dos trabalhos que ele me encomenda. Uma grande fera! E ele finaliza com aquele sorriso grato de hiena (rem, rem, rem…) de quem sabe que, enquanto Vandeco viver, trabalho não lhe faltará. E exclama sempre:
– Ele é o nosso Rei Midas! Em tudo que toca a mão, transforma em ouro. Por isto está milionário. E sua cabeça não para de inventar! É o puro Professor Pardal, do Walt Disney.
Como todo bom comunicador, Vanderic consegue realizar tudo o que precisa, com talento de resolver também as dificuldades dos outros. Falante, dá ideias para os que não as têm. Bota a mão ou a sugestão na mesa dos que o procuram e as empresas fluem e ele sagra sucesso e lucro. Um dia o encontro saindo do Fórum de Justiça e tento contar-lhe o brilhantismo de seu rebento, dr. Manoel Vanderic Filho, ao ter dado um curso aos candidatos ao Conselho Tutelar. O rapaz do Vandeco e Wilma expressou tudo a respeito do que seus ouvintes precisavam saber, agradando a gregos e goianos. Mas não consegui expressar uma só palavra a respeito das exposições feitas pelo seu filho. O Manoel se interpunha antes de cada palavra minha. Foi aí que compreendi: falar da importância da água pura à Fonte, e dizer da pura água à Fonte Viva? Incoerência minha…
Calei-me. Já sabia que ele estava cansado de ouvir loas àquele que é seu motivo de glória, júbilo e gratidão a Deus.
Também conta ele com o carisma, alegria e simpatia de sua esposa, que dele herdou o sucesso, triplicando sua força e seu viver.
Wilma Rodrigues, Manoel Vanderic Correa e Vanderic Filho – hoje formam a trilogia: Sabedoria, Amor e Família. É isto.
(Iron Junqueira, escritor)