Vila, eu te amo!
Redação DM
Publicado em 16 de outubro de 2015 às 01:33 | Atualizado há 11 anos“Futebol é um universo maravilhoso, que faz as pessoas se aproximarem, que faz multiplicar os amigos, que ensina a gente a amar e a respeitar o próximo.”
Dadá Maravilha
E o Estádio Serra Dourada avermelhou de novo, e de gente, e na raça, com coração e louvor.
Isso mesmo! A torcida do Vila Nova presenteou o Estado, o País e o mundo ao levar para as cadeiras e arquibancadas famílias inteiras, numa ola gigantesca provocada por mais de 33 mil torcedores e profissionais, gente unida num espetáculo que promoveu o esporte, a militância desportiva inteligente e o mercado que vende bandeiras e camisetas, radinhos de pilha, churros e amendoim.
A gente simples e rica vira uma só e os sorrisos se assemelham na alegria perene, se esquecendo até mesmo que as desigualdades são mães das bocas banguelas. O trabalhador unido num só grito de guerra, numa batalha de paz e pela vida, no um a zero suado marcado pela raça da torcida alvi-rubra.
O trânsito apertado em horário de rush, na BR 153, atrapalhado por um caminhão-betoneira que descarregava cimento, ao lado do posto e na entrada do estacionamento, não calou a torcida, nem as expectativas da vitória do Tigrão. No estacionamento a escuridão dava o tom, somente um dos refletores ainda resiste. Nas barracas a fumaça do espetinho (R$ 4) sobe enquanto a água quente esquenta a pamonha. A água mineral em garrafa (R$ 2,50) e cerveja em lata, cara e duvidosa (R$ 6) fazem a festa da galera que arriscava seus palpites.
José veio do Bairro Vitória, região noroeste. Torcedor do Vila Nova, desde os 8 anos, arriscou um 3 x 0. Wendel, 31, morador do Jd. Alto Paraíso, mandou – ‘na lata’ – 1 x 0: “- O melhor é a equipe subir.” Com um litro de amendoim (a R$ 6) às mãos, José Pedro de Oliveira, (acompanhado da família) insistiu em 3 x 1.
A festa move a bola, comanda as ondas do rádio e sacode a torcida ao mesmo tempo em que Elizane, 28, arriscava o palpite de vender cerca de 50 radinhos de pilha entre médios, grandes e pequenos. Evandro lida com picolés e atordoado com o alvoroço, contabiliza em torno de 80 vendas por partida. Já José, vilanovense, além de curtir o jogo, negocia – à vista e em dinheiro – uma média de 120 copos de cerveja de marcas variadas. O vendedor de bonés e camisetas, bandanas e chaveiros afirmou: “Se não vender não tem problema algum, mas vende, o que importa é o Vila!”.
“- Vila eu te amo! Tigrão ôôôô!!! Vai pra cima deles Tigrão!”, e Gilson, Marilene e sua filha, Lorena engrossavam o coro cantando os gritos de guerra da torcida colorada que só se libertou da agonia no segundo tempo, após 20 minutos em pé, cantando e empurrando o time quando, por volta dos 30 minutos, a bola estufou as redes. Loucura total, vermelha e branca – a cor da paz – carregada de sangue no olho capaz de empurrar a equipe com amor. Conforme seu canto: “Dá-lhe, dá-lhe Vila, com muito orgulho, com muito amor!
Entre as milhares de luzes do aplicativo baixado nos celulares, a festa, a garra, a paixão colorada e a certeza – a um empate – de voltar à Série B do Campeonato Brasileiro, “com muito orgulho, com muito amor!”. O grande e histórico Vila Nova dá exemplo à Nação de que quando mais de um quer, a realidade muda e… sempre para melhor. A atual diretoria, vinda das arquibancadas e não dos corredores e auxiliada pelos torcedores, abusa da simplicidade, organização e garra.
Junto com os atletas e a maior e mais apaixonada torcida do Centro-Oeste a diretoria nova, apoiada e respeitando seus precursores, disputará e irá promover e ganhar, além do título, o maior dos troféus: a promoção sadia e apaixonada do futebol. Força Vila e ‘vai pra cima deles’com a certeza de que todos nós torcedores te amamos! E o pulso… ainda pulsa!
(Antônio Lopes, cidadão vilanovense, com muito orgulho e muito amor!)