Wendell Lira
Redação DM
Publicado em 12 de janeiro de 2016 às 23:54 | Atualizado há 10 anos
Foi bonito de ver. Ele foi aplaudido com entusiasmo pela plateia em Zurique. Jogadores, treinadores, jornalistas e membros da Fifa não tinham nem ideia que era Wendell Lira.
Mesmo em Goiás ele não era tão conhecido.
Até seu gol ser escolhido entre os três mais bonitos de 2015, escolhido pela Fifa. Graças a uma campanha incrível de todos os goianos na Internet, conseguiu 46,7% dos votos, contra 33,3% de Messi.
Ele surgiu na categoria de bases do Goiás. Mas não conseguiu se firmar. Teve inúmeras contusões. Rompeu os ligamentos cruzados do joelho direito. Por duas vezes. Foi dispensado em 2012.
Em 2013, não encontrava time para atuar. Teve de vender o carro popular, foi morar com a sogra. E enquanto não arrumava trabalho, foi ganhar a vida em uma fábrica de um amigo. Dobrava panos de chão. Recebia R$ 25,00 por dia. Depois foi garçom e caixa de lanchonete.
Messina conquistou pela quinta vez a Bola de Ouro. Mas o grande vencedor foi Wendell Lira. Ele não só ganhou o Prêmio Puskas. Conseguiu que 204 milhões de brasileiros vibrassem hoje pelo Goianésia…
Passou pelo Goianésia, Novo Horizonte, URT, Anapolina, até que voltou para Goianésia, onde conseguiu marcar o gol que mudaria sua vida. Depois passou pelo Tombense. E agora começa o ano no Vila Nova, graças à badalação por participar da premiação da Fifa.
Quando estava no Goianésia, ao marcar o belo gol de meia bicicleta, ganhava R$ 3 mil. No Tombense ficou um mês e teve direito a R$ 4 mil. No Vila, agora ganha R$ 4,5 mil mensais.
Messi e CR7 ganham cerca de 18 milhões milhões de euros por ano (R$ 78,6 milhões), o que dá R$ 6,5 milhões por mês e cerca de R$ 220 mil por dia. Por hora, os ídolos midiáticos recebem cerca R$ 9 mil reais. O dobro de Wendell.
Foi uma vitória dos internautas brasileiros. E de oportunidade. Nem Messi nem Florenzi fizeram campanha para ganhar o prêmio Puskas. Foi aí que o atacante goiano se aproveitou.
O jogador estava muito elegante. O terno que ganhou de uma fábrica de roupas de Goiânia ficou ótimo. Como a Fifa envia passagens e acomodação para duas pessoas, ele recebeu propostas de até R$ 20 mil de ‘amigos’ dispostos a acompanhá-lo. Ele não cedeu. Foi fiel à sua esposa Ludymila. ‘Foi ela que sempre me apoiou. Não havia dinheiro no mundo que me fizesse levar outra pessoa para a Suíça.”
Um belo exemplo de superação e humildade.
Parabéns, Wendell Lira!
(Fernando Henrique Freire Machado, gerente de suprimentos da Metrobus, pós-graduado em Marketing e Gestão de pessoas, secretário geral do PHS Goiânia)