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POLÍTICA

Sindicatos denunciam governo Temer

Presidente da CSI (Confederação Sindical Internacional), a maior central sindical do mundo, que reúne 180 milhões de trabalhadores sindicalizados em dezenas de países, o professor João Felício foi um dos palestrantes do 10º Congresso Estadual do Sintego. Ele diz que no Brasil  o governo interventor de Michel Temer (PMDB-SP) retira direitos dos pobres para bancar o pagamento de juros altos para banqueiros e grandes fortunas. Na sua opinião, o País vive um estágio avançado da luta de classes e explica que os projetos defendidos pelo governo golpista, como a PEC241/55, a Reforma do Ensino, e PLC257,  fazem parte de uma concepção de Estado, onde o povo é excluído das decisões do país e o trabalhador é quem paga a conta.

“A proposta que eles defendem é do Estado Mínimo. Massacram o serviços e os servidores públicos na mídia para que aja o desmanche dos serviços públicos de educação, saúde e assistência social. O que eles querem é acabar com os direitos trabalhistas, com a carreira dos professores e servidores e que o pobre troque a escola pública pela escola paga e que ao invés de usar o SUS, o pobre pague plano de saúde”, denuncia.

João Felício diz que os educadores devem ter consciência de que “vivemos uma luta de classe. Os setores empresariais, juntamente com a grande mídia, ajudaram a derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff porque sabiam que ela nunca enviaria para o Congresso Nacional um projeto que retirasse direitos dos trabalhadores. E o que eles  fazem agora, senão acabar com a CLT e acabar com toda proteção aos trabalhadores”, aponta. “O que está em jogo no Brasil é desregulamentar total o mercado de trabalho. Quando ouvir esta palavra desregulamentação, corram, porque é sacanagem contra o trabalhador”, adverte.

 Capital x trabalho

Segundo João Felício não existe em nenhum lugar do mundo uma luta que não seja ideológica e política, pois a luta de classes é para fazer o capitalista ceder parte do seu lucro para os empregados. “O que acontece hoje no Brasil é uma luta de classes escancarada, que é feita pelos canais de televisão, nos jornais, e vamos lembrar que as federações patronais fizeram anúncios em favor do impeachment de Dilma. Por quê? Para terem um governo que implantasse sua política de retirar direitos do trabahador. E isto é luta de classe”, reitera. “Eles derrubaram Dilma para fazer a Reforma da Previdência, para impor ao trabalhador aposentadoria só aos 70 anos e a Reforma Trabalhista que precariza as condições de trabalho. Esta é a ideia do Estado Mínimo”, completa.

O dirigente sindical observa que na Europa, onde o tempo de estudo leva o trabalhador ao mercado de trabalho a partir dos 20 ou 25 anos, é justo que o tempo de aposentadoria seja estendido, até porque há lá um estado de bem-estar social, ao contrário do Brasil, onde os jovens começam a trabalhar a partir dos 14, 15 anos, e, pelo projeto de Temer, terão que trabalhar por 50 anos para poderem se aposentar. “E todo o dia a Rede Globo coloca no ar um especialista para falar que o trabalhador é vagabundo e o empresário não dá conta de pagar a Previdência”, atira.

 Justiça social

João Felício conta que durante uma negociação trabalhista, um empresário reclamou que não aguentava pagar impostos no Brasil, pois tudo era muito caro e preferia o modelo que há nos Estados Unidos, Ele, Felício, fez um desafio ao empresário: “vamos trazer para o Brasil este modelo, pois lá nos Estados Unidos há imposto sobre grandes fortunas, imposto sobre herança, imposto sobre renda, enquanto aqui, no Brasil, só o pobre paga impostos, pois aqui alimentos, roupas e outros bens são tributados, o imposto de renda incide sobre o salário, enquanto os ricos não pagam imposto sobre o capital”. Até hoje o empresário não respondeu ao seu desafio, conta Felício.

João Felício considera que nos últimos doze anos o Brasil estava trabalhando na direção correta e que, embora equívocos tenham sido cometidos, os governos de Lula e Dilma introduziram políticas que levaram à distribuição de renda e de estímulo à industrialização. Ele considera um erro o desmonte que é feito da indústria da construção civil. Sem mencionar diretamente a Operação Lava Jato – que é responsável pela prisão de todos os grandes empresários deste setor –, João Felício afirma que as grandes empreiteiras brasileiras estavam disputando negócios em todo o mundo, e sua falência constitui perda de competitividade para o País, além, é claro, do desemprego e perda de geração de riquezas.

Educação

Para João Felício, os governos que atacam a carreira e os direitos dos trabalhadores em educação devem ser denunciados. Projetos como a terceirização do ensino através das OS, fechamento de escolas e de perseguição aos sindicatos constituem, na sua opinião, um crime contra a população.

O dirigente traça o paralelo que existe entre o governo golpista de Michel Temer (PMDB-SP) e os seus projetos de lei. Ele explica que quando Temer estabelece um teto de gastos pelos próximos 20 anos está massacrando o povo. O que está por detrás disto é a concepção de gastos que eles têm: retiram do Estado recursos para a melhoria das condições de vida do conjunto da população, e destinam estes mesmos recursos para o pagamento de juros a bancos e grandes investidores. Ele dizem que não podem aumentar os gastos, mas a população cresce e isto vai provocar uma atrofia na educação, na saúde”, denuncia. Falando diretamente aos 1.500 participantes do 10º Congresso Estadual do Sintego, João Felício afirma que os educadores devem levar em conta as posições do Sintego, da CUT, da CNTE. “Se a gente adquirir força política, em 2018 poderemos impor uma derrota a estes golpistas e construir o sistema educacional que queremos”, finaliza.

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