Política & Justiça

Manifestações em debate

diario da manha
Deputado federal e estadual, respectivamente, Waldir Soares (PSDB) e José Nelto (PMDB) concordam com reforma política (Daniele Reis)

DM promove discussão entre dois deputados com posições distintas sobre pedido de impeachment da presidente Dilma. José Nelto (PMDB) e Waldir Soares expuseram suas opiniões

Hélmiton Prateado Da editoria de Política&Justiça

O Diário da Manhã promoveu na noite da última sexta-feira (13), um debate entre dois representantes de grupos antagônicos às manifestações marcadas para hoje e que pedem a deposição da presidente Dilma Rousseff. O deputado federal Delegado Waldir (PSDB-SP) e o deputado estadual José Nelto (PMDB) expuseram suas opiniões sobre o tema e puderam defender suas teses. O debate foi mediado por este repórter.
Com o tema “A influência da imprensa na política e as atuais manifestações populares no Brasil”, os dois deputados tiveram a oportunidade de travar uma discussão aberta e esclarecedora sob seus pontos de vista. O tucano Delegado Waldir é favorável ao impeachment da presidente Dilma, enquanto o peemedebista José Nelto é frontalmente contrário e contestou os argumentos do outro debatedor.
Logo no início das discussões, o tucano afirmou que grande parte da população quer a deposição da presidente Dilma por ver indícios de que ela tenha alguma participação no esquema de corrupção da Petrobras investigada pela Operação Lava Jato. Antes dele, o deputado José Nelto manifestou sua opinião de que a democracia necessita de uma imprensa forte, livre e independente para mostrar o que está acontecendo, tanto nos governos quanto na sociedade.
Antes disso, o tucano Delegado Waldir aludiu a alguma censura que o governo federal tenha tentado fazer, ignorando que as mídias sociais quebraram esse paradigma, sob a demonstração de que é praticamente impossível censurar notícias e comentários em redes como Twitter e Facebook. Para o deputado federal, o uso dessas redes e da mídia em geral está sendo preponderante para convocar manifestantes para as ruas nesse domingo. Ele se mostrou preocupado ainda com a possível infiltração de baderneiros como os black blocks que promovem depredações. “Vamos intervir e não deixar que isso ocorra”, garantiu. Ele lembrou ainda que a Câmara Federal aprovou leis mais rígidas para atos de vandalismo.
O deputado José Nelto se disse frontalmente contrário ao processo de impeachment da presidente Dilma por não ver elementos para sustentar essa tentativa. “O momento é favorável a uma ampla reforma política que modernize o sistema eleitoral no Brasil. Esperamos que o Congresso tenha juízo e disposição para isto”, frisou. Foi observado que o objetivo primordial do debate era avaliar o que pode acontecer nas manifestações desse domingo. José Nelto lembrou ainda que o governador Marconi Perillo é contrário ao impeachment da presidente Dilma e manifestou isto pela imprensa. Falou ainda de casos rumorosos de corrupção envolvendo integrantes do PSDB como em São Paulo, no escândalo do metrô da capital paulista e em Minas Gerais com o mensalão Tucano. “É preciso parar com hipocrisia porque no Brasil todos os partidos estão envolvidos com corrupção”.
O Delegado Waldir contrapôs a essa opinião dizendo que a postura pela deposição da presidenta foi assumida pela bancada do PSDB, afirmando não ver isto como um “terceiro turno”. Todavia, ele condicionou a propositura do impeachment a conclusão de serem descobertas provas irrefutáveis para abrir esse processo. “O cidadão quer isto hoje e nós estamos com o povo e se existir na lei condição para isto vamos fazer”. O deputado frisou que o devido processo legal deve ser respeitado. Congressistas que tiverem envolvimento com a corrupção, mesmo que seja do PSDB, como o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), devem receber punição exemplar com a cassação de seus mandatos, defende o tucano.
Um ponto em comum, entre os dois, foi a necessidade de uma reforma política ampla e consistente para moralizar o sistema eleitoral brasileiro. Os dois disseram ser favoráveis ao fim da reeleição, fim das coligações partidárias, coincidência de pleitos com eleições para todos os níveis a cada cinco anos com esse prazo para os mandatos. Ao final, os dois concordaram com o fim do financiamento de campanhas eleitorais por pessoas jurídicas e medidas duras para combater a corrupção.

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