Política & Justiça

Sobra paciência, faltam decência e consciência

diario da manha
Trabalhadores Antigos de Manhattan – Nova Iorque/ Reprodução

Natal França Especial para  Diário da Manhã

A mão de Deus abençoou o Brasil, a natureza é generosa e vivemos em um dos países mais ricos em biodiversidade no mundo. Sabemos que da terra brota quase tudo que se planta. Se não falta sol nem chuva, nossa gente é trabalhadora, como é possível compreender a existência e persistência da fome e da miséria? O poeta tem razão quando diz: “Tem alguém levando o lucro, tem alguém colhendo o fruto sem saber o que é plantar”.
Lamentavelmente, vejo com tristeza, nosso Brasil cada vez se transformando na terra das oportunidades, menos para quem estuda e trabalha contribuindo com sua parte para o desenvolvimento, mais para os oportunistas que ingressam na carreira política, no crime ou em movimentos sociais objetivando, apenas, vantagens pessoais. As leis são mais brandas e protetoras para os desonestos e menos para os honestos. Quem arca com a maior parte das cargas tributárias são os operários e os pequenos empresários. Os financiamentos de obras públicas e quaisquer benefícios sociais são custeados pelo cidadão e pesam mais para os mais pobres, principalmente os assalariados. Um exemplo claro de uma dessas situações é o aumento das tarifas de transporte coletivo em Goiânia, onde fica evidente que a população menos favorecida, que depende dos ônibus para seu deslocamento para o trabalho diariamente, paga os necessários benefícios dos passes livres. Nesse caso, a meu ver, caberia ao poder público constituído, fazer uma reserva destinando parte dos impostos ou taxas para cobrir o custeio dos benefícios, essa despesa deveria ser bancada pela unidade federativa com recursos destinados para esse fim ou conseguidos através de parcerias com aqueles que estiverem em posições mais favoráveis na sociedade e não tirando dos que mal conseguem sobreviver com seus minguados salários.

Trabalhadores Antigos de Manhattan - Nova Iorque/ Reprodução
Trabalhadores Antigos de Manhattan – Nova Iorque/ Reprodução

A classe trabalhadora e produtiva do Brasil vive no sufoco com tantos impostos e taxas, em contrapartida, muitos serviços públicos são de baixa qualidade, falta qualidade de vida, raramente desfruta de algum lazer e está ficando cada vez mais pobre. Para piorar, a situação, além dos escândalos do “mensalão”, da Petrobras, dinheiro na cueca e outros divulgados, novos escândalos de corrupções surgem a cada momento: desvios de verbas da merenda e material escolar; dos medicamentos, dos insumos e equipamentos hospitalares; dos superfaturamentos em obras e serviços públicos. São inúmeras, as tramas criando verdadeiras teias de esquemas e máfias milionárias organizadas e comandadas por pessoas com altos cargos nos governos eleitos pela população que neles confiou. É necessário, mas está difícil manter a paciência diante de tudo isso.

Apesar da falta de decência e consciência destruindo o País, está sobrando paciência. A grande verdade é que todo esse mal parece não ter cura e está nos levando à loucura, se não descobrirmos o caminho e encontrarmos urgentemente uma saída, corremos sérios riscos de surgirem gritos e manifestações da massa popular procurando uma alternativa para criar esse caminho. Gente desgovernada é como o estouro de uma boiada, atropela tudo, não é fácil controlar, e é claro que não é o que desejamos para o nosso Brasil que amamos tanto. Com o fantasma da alta inflação voltando a assustar e o desemprego aumentando, precisamos nos unir mais ainda, temos que afinar povo e governo, para entrarmos em sintonia e fazermos parte de uma bela orquestra tocando com harmonia, para juntos construirmos um futuro melhor e não permitirmos a instauração de uma situação extremamente caótica.

(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis e filiado à Associação Goiana de Imprensa)

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