Política & Justiça

Helio de Sousa determina apuração de responsabilidades

Depois dos distúrbios da última terça-feira, manifestantes autointitulados “professores em greve” voltaram ontem à Assembleia Legislativa. Deputados cobram e presidente determina apuração de responsabilidades

diario da manha

Helvécio Cardoso,Da editoria de Política&Justiça

A deputada estadual Isaura Lemos, PCdoB, apresentou requerimento formal à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Goiás exigindo a abertura de procedimento administrativo para apurar supostas responsabilidades de funcionários da Casa, mais precisamente membros da Polícia Legislativa, pelo incidente ocorrido no final da tarde de terça-feira passada, que resultou uma pessoa com ferimentos, agressões, desforço físico e agressões verbais.

Respondendo, de imediato, à demanda da deputada do PCdoB, o presidente da Assembleia, deputado Helio de Sousa (DEM), informou que já havia determinado a providência requerida. Ele quer apurar tanto as responsabilidades administrativas como criminais e, se culpados houver, impor a eles os rigores da lei.

 

o incidente

No final da tarde de terça-feira, um grupo de manifestantes anti-governo tentou entrar nas dependências do Palácio Alfredo Nasser portando sacos plásticos contendo lixo, apanhados nas redondezas. O lixo, pelo que se apurou, seria atirado dentro do prédio, ou contra os parlamentares, numa forma de protesto um tanto desrespeitosa que, todavia, não ocorreu por ter a guarda da Assembleia Legislativa barrado a entrada dos manifestantes. Os grevistas, porém, forçaram a barra, no que foram contidos à força pelos guardas.

Antes disso, porém, os mesmos manifestantes já promoviam tumulto nas galerias, vaiando estrepitosamente o deputado Henrique Arantes, PTB, que discursava da Tribuna. Presidia a sessão o deputado Lincoln Tejota (PSD), que pediu aos espectadores que não se manifestassem, já que é proibido aos que presenciam as sessões parlamentares, nas galerias públicas, interferir nos trabalhos. Não podem nem aplaudir nem vaiar, devendo guardar silêncio.

Reasssumindo a presidência, o deputado Helio de Sousa exerceu sua prerrogativa regimental de, como presidente, suspender a sessão. Poderia até ter mandado evacuar as galerias, mas não fez.

Foi aí que os manifestantes desceram das galerias e tentaram adentrar o hall do Palácio Alfredo Nasser, forçando a entrada. Manifestantes alegam que receberam pancadas e que foram repelidos por gás de pimenta. Policiais militares apareceram por lá e restabeleceram a ordem. Mas o chefe da Polícia Legislativa, José Luzia, foi ferido no confronto. Levado a uma delegacia de polícia, deu parte do ocorrido. Foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência, sendo a vítima, em seguida, submetida a exame de lesões corporais.

 

Fogueira

Pela manhã, ontem, um grupo de manifestantes foi recebido por alguns promotores de Justiça. Eles, os manifestantes, foram solicitar dos promotores acompanhamento do caso, especificamente o confronto entre grevistas e policiais legislativos. À tarde, os manifestantes voltaram à Assembleia. Foi permitido o ingresso deles nas galerias, pois as sessões são públicas, porém tiveram que passar pelo detector de metal, e não se permitiu a entrada de pessoas inadequadamente trajadas.

Os manifestantes se dizem professores da rede estadual de ensino e se declaram em greve. Nem a greve nem a manifestação, porém, foram convocados pelo sindicato da categoria. Um manifestante, que se negou a se identificar, disse ao Diário da Manhã que a manifestação e a greve foram promovidas por uma entidade, sem personalidade jurídica e gremial, denominada “Mobilização dos Professores de Goiás”. Segundo o informante, os militantes deste movimento não acatam as orientações do sindicato da categoria. Usam como lema: “Na luta, eu me represento”.

Enquanto um locutor do movimento gritava, ao microfone de um trio elétrico, palavras de ordem rimadas e insultos de caráter pessoal ao governador e aos deputados, além de lançar provocações debochadas aos policiais, um pequeno grupo ateava fogo a dois bonecos de pano trazidos à entrada do Palácio. Afirmavam que estavam queimando, “simbolicamente”, o governador e o presidente da Assembleia. Depois se corrigiram, afirmando que aquilo era uma metáfora de um ataque à reputação de ambos.

Os guardas da Assembleia receberam manifestação de solidariedade dos deputados Lincoln Tejota (PSD) e Santana Gomes (PSL).

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