Política

2016, como em 1954 e 1964

Redação DM

Publicado em 29 de setembro de 2016 às 02:24 | Atualizado há 2 anos

A queda de Dilma Rousseff, a cassação de Eduardo Cunha, a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal e acatada pelo juiz federal Sérgio Moro contra o ex-presidente da República por dois mandatos consecutivos – 2003-2006 e 2007-2010 – Luiz Inácio Lula da Silva, além da analogia com as deposições de Manuel Zelaya, Honduras, 2009, e Fernando Lugo, Paraguai, 2012, com reflexões sobre 1954, suicídio de Getúlio Vargas, a crise de 1956, com a revolta de Aragarças, e o golpe de Estado civil e militar de 1964. Esses são os temas abordados no livro 1964-2014 – Página Infeliz da Nossa História – Golpe depõe Dilma Rousseff e anuncia um futuro a Temer, que será lançado hoje, de 18h às 22h, no Hall de entrada da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, em Goiânia. A obra é de autoria do jornalista graduado pela Alfa, sociólogo formado pela UFG, pós-graduado em Políticas Públicas pela UFG, com curso de Gestão da Qualidade[Fieg, Sebrae e CNI] e mestre em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento [PUC-GO], Renato Dias, 49 anos de idade, repórter especial do jornal Diário da Manhã e colaborador dos sites www.brasil247.com, Portal Vermelho e movimento.net.com.br

– Um golpe pós-moderno!

É o golpe dos endinheirados, afirma o doutor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC Gilberto Maringoni. Jessé Sousa, do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Federal Fluminense [UFF], aponta para uma concertação entre o capital financeiro, fração hegemônica da burguesia patropi, conglomerados de comunicação – controlados por sete famílias –, o aparato jurídico e policial do Estado, com um ingrediente novo, que não existia em 2006, no escândalo denominado de mensalão, as classes médias conservadoras nas ruas, que a filósofa da Universidade de São Paulo [USP] Marilena Chauí classifica como fascistas. Aos milhões, para pedir, de forma seletiva, o fim da corrupção, mas com a blindagem de tucanos, democratas e oligarcas do velho e carcomido PMDB, observa. A pá de cal veio com a aprovação do impeachment, sem crime de responsabilidade, por um Congresso Nacional financiado por dinheiro privado, segundo as regras da velha legislação eleitoral. O primeiro ato, em 17 de abril de 2016. O segundo ato, em 31 de agosto, mês de tragédias no País. Como a morte de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubistcheck e a renúncia de Jânio Quadros.

– A cassação de Eduardo Cunha, depois de ter mandado o mandato de Dilma Rousseff para o ralo, faz parte do script.

A desconstrução do PT, com a caçada final a Lula, para impedir uma eventual volta em 2018, nas eleições presidenciais, compõe o enredo da novela chamada Operação Lava Jato dirigida pelo Juiz Sérgio Moro, com Deltan Dallagnol como ator, e exibida em horário nobre por Willian Bonner, no Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, ironiza com sarcasmo Renato Dias. Não custa lembrar: o repórter cobriu, para o Diário da Manhã, www.brasil247.com e Portal Vermelho, além de www.movimento.net.com.br, a crise política que iniciou-se com o movimento do MPL, em junho de 2013, em São Paulo, que acabou expropriado pelas classes médias conservadoras, teve desdobramentos com os reflexos de 2008 em 2014, a eleição polarizada de outubro, a vitória, com um discurso à esquerda, de Dilma Rousseff, que depois recuou, o pedido de recontagem dos votos formulado por Aécio Neves [PSDB-MG], de auditoria das urnas eletrônicas, de anulação da chapa e da vitória Dilma Rousseff-Michel Temer, assim como a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro de 2015, o agendamento das pautas-bomba e a instalação da comissão do impeachment.

– As direitas cansaram de disputar eleições democráticas no Brasil e perder – 1º e 2º turnos de 2002, 2006, 2010 e 2014: oito consecutivas. Não há José Serra que aguente … [É o que brinca o autor de 1964-2014 – Página Infeliz da Nossa História – Golpe depõe Dilma Rousseff e anuncia um futuro a Temer].

O velho jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim faz uma profecia: Luiz Inácio Lula da Silva será preso. Pelo andar da carruagem não está longe, anota Renato Dias. A filósofa Márcia Tiburi vê o fascismo à espreita. O autor concorda. Humberto Clímaco, doutor da Universidade Federal de Goiás, não enxerga Lula como o “comandante do maior escândalo de corrupção da história do País”. Nada disso, destaca. A direita quer sepultar o PT como instrumento dos trabalhadores e das lutas de classes, denuncia o dirigente da seção brasileira da Quarta Internacional, O Trabalho, legítima corrente do PT, a central mundial da revolução fundada por Liev Davidovich Bronstein, “nom de guerre” Leon Trotsky. Michel Temer não quer também ser chamado de golpista, aponta, no livro, o escritor. Como em 1964 não aceitavam o termo golpe de Estado e exigiam classificá-lo como “revolução”, frisa o doutor do Departamento de História da USP, Lincoln Secco, um especialista em Karl Marx, Antônio Gramsci e autor de livro sobre a História do PT. “2016 é golpe, sim!”, fuzila o “enfant terrible” da academia. Charges, como as de Glauco Góes, primo paulista do autor, ilustram e dão humor a essa página infeliz da história.

SERVIÇO

golpe 3

Lançamento do livro: 1964-2014 – Página Infeliz da Nossa História – Golpe depõe Dilma Rousseff e anuncia um futuro a Temer

Quando: Hoje

Horário: de 18h às 22h

Local: Assembleia Legislativa de Goiás, em Goiânia

Preço do livro: R$ 60,00

Contatos com o autor:

62 – 9 – 8125-6779; [email protected];

Facebook: Renato Dias

 

NÚMEROS DA HISTÓRIA

1954 Suicídio de Getúlio Vargas

1964 Golpe contra João Goulart

1992 Impeachment de Fernando Collor

2009 Deposição de Manuel Zelaya

2012 Queda relâmpago de Fernando Lugo

2016 Golpe contra Dilma Rousseff

 

Fonte: 1964-2014 – Página Infeliz da Nossa História – Golpe depõe Dilma Rousseff e anuncia um futuro a Temer

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia