Política & Justiça

Bilionário, União Brasil já tem 3 nomes para vice-presidência

Partido, fruto da fusão entre DEM e PSL, terá R$ 1 bilhão para as campanhas e não deve lançar candidato; Luciano Bivar, Luiz Henrique Mandetta e Mendonça Filho podem integrar chapa majoritária

diario da manha
Deputado Luciano Bivar, Ex-ministro Luiz Mandetta, Ex-ministro Mendonça Filho

Mesmo sem saber qual candidato vai apoiar nas eleições presidenciais de outubro, o União Brasil já tem três nomes de vice para oferecer em qualquer chapa. A lista é composta por Luciano Bivar (PE), presidente do PSL; Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), ex-ministro da Saúde, e Mendonça Filho (DEM-PE), ex-titular da Educação. Em comum, porém, os três colecionam dificuldades em disputas eleitorais.

Fruto da fusão entre o DEM e o PSL, o União Brasil nasce com o maior fundo eleitoral para a campanha deste ano, na casa de R$ 1 bilhão. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve avalizar a criação do partido em fevereiro.

Pré-candidato do Podemos ao Palácio do Planalto, o ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro se encontrou com Mandetta na segunda-feira (17), em São Paulo, para discutir a possibilidade de aliança. Moro postou no Twitter, porém, que seu teste de covid-19 deu positivo. Por isso, a reunião foi adiada e remarcada.

Mandetta só ganhou projeção na equipe de Bolsonaro, como ministro da Saúde, no início da pandemia do coronavírus, em 2020. Antes, em 2018, ele mostrava desencanto com a política e não havia nem mesmo disputado a reeleição para deputado federal.

Mendonça Filho, por sua vez, concorreu ao Senado em 2018, mas acabou derrotado. Dois anos depois, em 2020, foi candidato à prefeitura do Recife e não chegou nem ao segundo turno.

Luciano Bivar, na outra ponta, não conseguiu ser eleito deputado federal em 2014, mas em 2018 conquistou uma vaga na Câmara, na onda bolsonarista – à época, Bolsonaro era filiado ao PSL. Mesmo assim, Bivar ficou em sétimo lugar entre os nomes de Pernambuco.

Podemos e PSDB
O União Brasil tem negociado principalmente com Moro e com o PSDB, que lançou o governador de São Paulo, João Doria, como pré-candidato ao Planalto. O MDB, que apresentou a senadora Simone Tebet (MS) para a disputa, também participa das articulações.

O deputado Júnior Bozzella (SP), um dos vice-presidentes do PSL que manterão o cargo no União Brasil, admitiu entraves para a aliança com Moro. Mesmo assim, virou uma espécie de porta-voz da campanha do ex-juiz. “A gente vai ter deputados, R$ 1 bilhão de fundo eleitoral, quase dois minutos de TV (no horário gratuito), além das inserções, que vão contar muito. Em um projeto nacional isso tem peso gigante”, disse Bozzella, sob o argumento de que o União Brasil é a alternativa para impulsionar a terceira via.

Polarização
Na lista dos possíveis vices, Mandetta tem como vantagem a proximidade com Moro. Os dois foram colegas de Esplanada e saíram rompidos com Bolsonaro, em abril de 2020. Desde aquele ano, eles têm trocado impressões sobre o cenário eleitoral e conversado com outros nomes que tentam quebrar a polarização entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Bivar tem a seu favor o fato de que será o presidente do União Brasil. Tanto ele como Mendonça Filho são do Nordeste, região que é considerada um celeiro de votos do PT. A dobradinha entre Bivar e Moro, no entanto, contrastaria com o discurso de combate à corrupção mantido pelo ex-juiz. Motivo: o deputado é suspeito de fomentar concorrentes laranjas.

Em 2019, por exemplo, Bivar chegou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investigou fraudes na aplicação de recursos destinados a candidaturas femininas em Pernambuco. Ele sempre negou desvio de dinheiro. Questionado sobre a aliança com Moro, afirmou que “é necessário tempo para a discussão da pauta econômica com os pré-candidatos e para acomodar alguns palanques pelo Brasil”.

Marcos Cintra, ex-secretário da Receita Federal, tem auxiliado o PSL nas pautas econômicas e foi escalado para dialogar com a campanha de Moro.
A estratégia do União Brasil consiste em aguardar até abril para tomar uma decisão sobre qual presidenciável apoiar. É nesse mês que termina o prazo para que deputados possam mudar de partido sem perder o mandato.

Caiado vai presidir o partido em Goiás e Waldir será vice

O governador Ronaldo Caiado (ex-DEM) vai ocupar a segunda vice-presidência nacional e a presidência do União Brasil em Goiás. Atualmente, Caiado é presidente estadual do DEM. O deputado federal Delegado Waldir (ex-PSL) será o vice-presidente estadual da legenda.

Em Goiás, o novo partido terá a maior quantidade de prefeitos – aproximadamente 100 – e de vereadores e diretórios municipais. O União Brasil vai contar com a maioria dos deputados federais e estaduais do Estado.

A legenda terá maior bancada da Câmara Federal, com 82 deputados, além de quatro governadores e oito senadores.

A nova sigla deve ser reconhecida pelo número 44 nas urnas eletrônicas.
A próxima etapa do processo de junção entre DEM e PSL será o encaminhamento da formalização ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que, em sequência, ocorra o estabelecimento da legenda.

O União Brasil surge já no primeiro lugar em verbas do Fundo Eleitoral (R$ 320 milhões) e do Fundo Partidário (R$ 138 milhões). Possui, também, o maior tempo de TV para as campanhas eleitorais.

Ronaldo Caiado: na direção nacional e estadual do União Brasil

A expectativa das executivas nacionais de DEM e PSL é de ainda mais crescimento após o estabelecimento da nova legenda, visando o pleito de 2022.

“Ninguém está criando um partido para ter alguém subordinado. Nós temos brasileiros que sabem conversar, dialogar, ter a humildade para dizer qual é o melhor momento para enfrentarmos as crises e quais são as ferramentas que devemos usar. É desta maneira: dialogando”, explicou Caiado sobre o funcionamento do União Brasil, relembrando seus tempos de parlamento.

Deputado federal por Goiás e presidente estadual do PSL, Delegado Waldir relembrou a aprovação da reforma eleitoral, em 2017, que previa a diminuição no número de partidos políticos. Para ele, a fusão entre PSL e DEM abre precedente de modelo que, em breve, outros partidos deverão seguir, pois não conseguirão montar, com facilidade, chapas de deputados federais e estaduais. “A gente caminha para um enxugamento partidário que é muito importante para, amanhã, o Executivo poder governar com mais facilidade”, ressaltou.

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