Política & Justiça

Meirelles foca pré-campanha ao Senado, a partir de fevereiro

Goiano vai deixar o cargo de secretário da Fazenda do governo João Doria, em São Paulo, para apressar os contatos com lideranças políticas, empresariais e servidores públicos; ex-ministro prefere aliança do PSD com o União Brasil do governador Ronaldo Caiado

diario da manha
Henrique Meirelles: nova disputa por cargo eletivo em Goiás

O secretário da Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles terá como prioridade para 2022 a sua pré-candidatura pelo PSD-GO ao Senado Federal. Segundo apuração feita pelo Poder 360, a pré-candidatura está fechada na sigla. O atual momento é de diálogos político-partidários e conversas sobre eventuais alianças para este ano eleitoral.

Assim, Meirelles analisa se disputará a vaga na Casa Alta na chapa do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Já pavimentando esse possível caminho, em setembro, Meirelles reuniu-se em um café da manhã com Caiado. No mesmo mês, encontrou-se com a vereadora da cidade de Goiânia Sabrina Garcez (PSD), o deputado federal Francisco Júnior (PSD) e o senador Vanderlan Cardoso (PSD).

Meirelles é secretário da Fazenda e Planejamento de Doria, no governo paulista. Foi ministro da Fazenda (2016-2018) do ex-presidente Michel Temer (MDB) e presidente do Banco Central (2003-2010) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Meirelles também está em outra frente para orientar o governador João Doria (PSDB), pré-candidato a presidente da República. No dia 29 de novembro de 2021, Doria anunciou que Meirelles integrará a equipe econômica de sua campanha para as eleições de 2022. Confirmou também os nomes dos economistas Zeina Latiff, Ana Carla Abraão e Vanessa Rahal Canado.

Cardeais do PSD – Vilmar Rocha, Vanderlan Cardoso e Francisco Jr – estão comprometidos com o projeto de Henrique Meirelles para o Senado Federal e vão preparar agenda de contatos do ex-ministro da Fazenda com lideranças políticas, empresariais, servidores públicos, a partir de fevereiro, com visitas aos municípios goianos.

Meirelles, que é goiano de Anápolis, foi eleito deputado federal em 2002 pelo PSDB, mas renunciou ao mandato para assumir a presidência do Banco Central do governo Lula por oito anos. Depois assumiu o Ministério da Fazenda no governo Michel Temer.

Ele, que foi presidente do Banco de Boston e é engenheiro civil, tentou concorrer ao governo de Goiás em 2010, mas foi o MDB optou pela candidatura de Iris Rezende.

Apoios em Goiás
Henrique Meirelles busca apoios políticos fora do PSD e tem recebido manifestações favoráveis de parlamentares, prefeitos, dirigentes partidários e representantes da sociedade civil.

O presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira, que vai trocar o PSB pelo PSD, engajou-se no projeto do ex-ministro ao Senado Federal. Ele organizou, em Rio Verde, evento com a participação de Meirelles com lideranças políticas, empresariais e professores e alunos universitários.

Lissauer promoveu, também, encontro de Meirelles com 22 deputados estaduais, de diversos partidos, interessados em respaldar a candidatura do goiano ao Senado. “Meirelles sempre trabalhou pelo bem de Goiás e do Brasil. Eleito senador da República, está preparado para defender as causas dos goianos, dos brasileiros”, afirmou Lucas Calil (PSD).

O deputado federal José Nelto, presidente estadual do Podemos, também manifesta simpatia pela candidatura de Meirelles ao Senado. “O ex-ministro é um dos quadros mais valorizados da política brasileira. Goiano de Anápolis tem tudo para atuar em favor do estado no Congresso Nacional”.

Nos contatos que tem feito desde o ano passado, prefeitos do PSD, União Brasil, Podemos, MDB, PDT, PSC e outros partidos têm manifestado preferência por Henrique Meirelles na corrida à única vaga de senador na disputa às eleições deste ano em Goiás.

Meirelles atua para que o PSD feche acordo com o União Brasil em apoio à chapa Ronaldo Caiado/Daniel Vilela para a disputa ao governo de Goiás em 2022.

Trabalhador paga por insensatez de Bolsonaro, diz ex-ministro

Chefe do núcleo econômico da campanha de João Doria ao Planalto, o ex-ministro Henrique Meirelles responsabiliza Jair Bolsonaro e seu governo pelo avanço da inflação em 2021. Para Meirelles, as ações populistas do governo e a instabilidade provocada pelo estilo conflituoso de agir do presidente foram fatores que fazem o trabalhador sofrer na parte mais frágil, o bolso.

“Começamos o dia com a informação de que fechamos 2021 com a maior inflação desde 2015, quase o dobro da meta definida pelo Banco Central para o ano e superior ao que a maioria dos especialistas projetava, mesmo em cenários pessimistas. Como não relacionar esse resultado com cada manobra que o governo propõe para abrir espaço para gastos eleitoreiros? O mercado enxerga isso como um sinal de falta de confiabilidade, o que é terrível para a economia”, diz Meirelles.

“E quem sempre paga a conta da irresponsabilidade é o trabalhador, que tem seu poder de compra corroído pela inflação e não vê seu salário ser reajustado. Ao contrário, vive assombrado pela possibilidade do desemprego em uma economia estagnada”, segue o ex-ministro.

A inflação fechou o ano de 2021 em 10,06%. Há seis anos o valor não ficava acima dos dois dígitos. Os principais responsáveis pela alta foram combustíveis, contas de energia e alimentos. Apesar disso, Henrique Meirelles apontou outros aspectos que contribuíram para o número expressivo, entre eles manobras e gastos eleitorais.

O político foi presidente do Banco Central e ministro da Fazenda. Para Meirelles, a forma como é investido o dinheiro público influencia diretamente no IPCA, índice que mede a inflação. “É inegável o peso do aumento das commodities e do câmbio desvalorizado nesse resultado. Mas é necessário reconhecer que a razão mais importante é a falta de compromisso com a disciplina fiscal. É preciso responsabilidade no trato com o dinheiro público”, pontuou o ex-ministro.

A PEC dos precatórios também pode ter contribuído para o IPCA. Segundo o ex-presidente do Banco Central, a medida foi um mecanismo de calote técnico, uma tentativa de furar o teto de gastos. “O mercado enxerga isso como um sinal de falta de confiabilidade, o que é terrível para a economia”, explicou Meirelles.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial começou a perder força entre outubro e novembro, quando o indicador recuou de 1,25% para 0,95%. Apesar disso, teve a maior alta para o mês desde 2015.

Meirelles, que concorreu à presidência da República, pelo MDB, em 2018, tem sido um crítico da política econômica do governo Jair Bolsonaro, nos últimos três anos.

Henrique de Campos Meirelles
Natural de Anápolis
Formando em Engenharia Civil pela USP
Ex-presidente do Banco de Boston no
Brasil e Mundial
Ex-deputado federal por Goiás pelo PSDB em 2002
Presidente por oito anos do Banco Central no governo Lula
Ex-ministro da Fazenda no governo Michel Temer
Secretário da Fazenda do governo João Doria (SP)

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